ASSEMBLEIA DE DEUS BRASIL

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Escola Bíblica Dominical aula 9



Aula 09 - FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ

1º Trimestre/2017

Texto Base: Hebreus 10:35-39

"Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2Tm.2:13).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre a respeito das “obras da carne e o Fruto do Espírito”, trataremos nesta Aula da Fidelidade, contrapondo com a idolatria, que é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus em nosso coração. Muitos, infelizmente, têm deixando que os bens materiais, os talentos e o poder ocupem o lugar em seus corações, lugar que deve ser somente de Deus (Dt.6:5). A Fidelidade nos ajuda a banir de nossas vidas todo e qualquer ídolo.

A Fidelidade é uma qualidade do Espírito Santo voltada para a própria pessoa. Ela é um elemento fundamental na vida espiritual do crente. No início da conversão, muitos desenvolvem uma fé inabalável, revelando sua fidelidade ao Senhor, mas com o passar dos anos, diante das muitas adversidades, os crentes vão esmorecendo na fé e comprometendo a sua fidelidade para com o Senhor. Todavia, não podemos nos esquecer de que precisamos permanecer fiéis até o fim, condição sem a qual não receberemos a “coroa da vida” (Ap.2:10). Lembremos que o deserto é a trajetória de nossa caminhada rumo à Pátria Celestial. Logo, enfrentamos momentos difíceis, mas Deus está conosco nos dando a vitória diante das intempéries; Ele está no controle de tudo. O Deus que sustentou o povo de Israel no deserto durante 40 anos, que sustentou Abraão e seus descendentes é o Deus que vai nos sustentar e ajudar-nos a enfrentar as adversidades da vida. O que Ele quer de nós? Certamente, Fidelidade a Ele.

I. O SIGNIFICADO DE FIDELIDADE

1. Definição. Fidelidade é a característica de quem tem bom caráter, de quem é leal, é fiel e demonstra respeito por alguém e pelo compromisso assumido com outrem; é sinônimo de lealdade. Se Deus procura os fiéis da terra para que estejam com Ele, a Fidelidade, entre outras virtudes, é algo que atrai a atenção de Deus. A vida de Paulo é um exemplo de como podemos vencer as crises e permanecermos fiéis ao Senhor.

2. A Fidelidade como Fruto do Espírito. A Fidelidade como Fruto do Espírito é desenvolvida em nós pela ação do Espírito Santo (Gl.5:22). À medida que confiamos em Deus e passamos a ter uma maior comunhão com Ele, mediante a leitura e estudo da Palavra de Deus, e oração, desenvolvemos o Fruto do Espírito.

Segundo o Pr. Antônio Gilberto, “a Fidelidade como Fruto do Espírito tem muito a ver com a moral e ética cristã. Esse fruto abençoado coloca o padrão cristão no nível de responsabilidade em palavras e ação. Houve um tempo em que a palavra de um homem tinha grande valor, e um aperto de mão era tão bom quanto um contrato assinado. Isto não parece ser verdade em nossos dias. Mas o homem que anda com Deus é diferente, porque nele está a lealdade, honestidade e sinceridade. O Espírito Santo sempre concede poder para o cristão ser um homem de palavra. A Fidelidade como Fruto do Espírito nos torna leais a Deus, leais a nossos companheiros, amigos, colegas de trabalho, empregados e empregadores. O homem leal apoiará o que é certo mesmo quando for mais fácil permanecer calado. Ele é leal, quer esteja calado, quer esteja sendo observado, quer não. Este princípio é ilustrado em Mateus 25:14-30. Os servos que eram fiéis e fizeram como foram instruídos mesmo na ausência do senhor foram elogiados e recompensados. O servo infiel foi castigado" (GILBERTO, António. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD.2004 p. 112).

3. Fé e Fidelidade não é a mesma coisa. Embora muitos considerem que Fé e Fidelidade são a mesma coisa, ou tem significado idêntico, nós nos permitimos pensar de forma diferente. Acreditamos que são duas virtudes diferentes. Acreditamos que em Gálatas 5:22, quando Paulo diz que uma das virtudes do Fruto do Espírito é a fé (ARC), ele está se referindo à Fé Espiritual, e não a Fé Natural.

A fé natural é uma virtude própria da natureza do ser humano. Todo ser humano a possui. Esta pode até guardar alguma semelhança com a fidelidade. Tanto que, na língua grega, que não cuidava de coisas espirituais, a palavra “pistis” tanto significava fé, como também fidelidade.

João Ferreira de Almeida, que concluiu em 1670 a Tradução do Novo Testamento, do grego para a língua portuguesa, houve por bem, em Gálatas 5:22, traduzir o vocábulo “pistis” por fé.

Certamente que, na época, como também hoje, na língua portuguesa fé não tem o mesmo significado de fidelidade.

No sentido que nossa língua dá às duas palavras, um homem religioso pode ser fiel ao seu deus, ou ao ensino religioso que recebeu, mesmo não tendo a fé espiritual. O ateu, ainda que negue a existência de Deus, pode, e é fiel à sua doutrina. Assim, enquanto o homem natural, religioso, ou não, pode manter absoluta fidelidade ao seu deus, ou à doutrina na qual foi educado, ou formado, a ponto de morrer em sua defesa, é certo que esse homem não possui a Fé Espiritual. Aconteceu com Paulo, antes de ser cristão. Ele era um homem que consagrava absoluta fidelidade à doutrina do judaísmo na qual era formado e dedicava completa lealdade aos de sua nação, contudo, não possuía a Fé Espiritual.

A Fé Espiritual é um dom de Deus. Segundo a Bíblia, o Senhor Jesus é o seu autor e consumador – “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé...” (Hb.12:2), ou, como diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: “Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa...”. Biblicamente, só existe uma maneira de o homem adquirir esta fé, é pela Palavra de Deus – “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm.10:17). Nenhum homem, por mais fiel que seja a qualquer deus, a qualquer doutrina, mesmo aquelas fundadas em boas obras, será salvo sem esta fé – “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2:8). A Fé Espiritual é essencialmente divina. Homem algum, em tempo algum alcançou, ou poderá alcançar a Salvação sem antes adquirir esta fé. Ela nunca foi e não será jamais adquirida por qualquer tipo de esforço humano, por mais sincero que seja, ou pelo pagamento de qualquer quantia.

É, pois, absolutamente possível manter fidelidade e lealdade a alguém, ou a alguma coisa, mesmo sendo, apenas, um homem natural. Não se pode negar que existem muitos maridos, não crentes, que mantêm absoluta fidelidade às suas esposas. A recíproca é também verdadeira. Enquanto isso acontece, existem maridos e esposas crentes, salvos, que, às vezes vacilam, escorregam e caem.

Acreditamos, portanto, existir fidelidade sincera, real, absoluta no homem natural, no qual não existe a fé espiritual. Portanto, para nós, fidelidade, ou lealdade, não tem o mesmo significado da Fé Espiritual, são duas virtudes diferentes.  Enquanto a Fé Espiritual só pode ser recebida de Deus e através de Sua Palavra, a Fidelidade pode ser transmitida e gravada no caráter do homem através do ensino, da doutrinação, de tal forma que, em nome dessa fidelidade, ou lealdade, a pessoa chega a abrir mão da própria vida; ela pode existir no pecador mais renitente, no ímpio, no religioso, no ateu e materialista; homens que morrem, mas, não negam suas doutrinas e suas crenças; homens fiéis, homens leais, porém, sem Fé Espiritual.

4. A Fidelidade de Deus. Uma das principais características divinas é a sua imutabilidade. Ele é fiel em sua natureza (2Ts.3:3). Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Tg.1:17). A Bíblia ressalta, ainda, que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8). Ora, esta imutabilidade leva-nos à conclusão de que Deus, as três Pessoas, é fiel, pois, todo aquele que não muda, que mantém firme a sua posição é fiel. O Deus que é fiel, pela sua graça, nos salvou e nos deu uma nova vida a fim de que tenhamos comunhão com Ele e com o seu Filho (1Co.1:9). Como filhos de Deus e novas criaturas (2Co.5:17), precisamos ter para com Deus a mesma atitude de lealdade que Ele tem para conosco.

a) Deus é fiel no cumprimento de suas promessas. Deus cumpre os compromissos que assume, é leal. Todos os pactos constantes na Bíblia que foram firmados entre Deus e o homem sempre tiveram, da parte de Deus, seu pleno cumprimento.

- No Éden, Deus prometeu vida ao homem enquanto ele não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, o que foi rigorosamente cumprido.

- Antes do dilúvio, prometeu salvar Noé e sua família na arca, o que cumpriu e, posteriormente, prometeu nunca mais destruir a Terra com um novo dilúvio, o que tem se cumprido desde então, pois nunca mais houve um dilúvio universal.

- A Abraão, homem sem filhos e já idoso, prometeu uma descendência como a areia do mar e que dele sairiam povos e reis. Deus tem cumprido este compromisso, como podem testemunhar os milhões de judeus e árabes que hoje existem.

- A Israel, Deus prometeu que seria sua propriedade peculiar, seu reino sacerdotal e tem cumprido até aqui a sua parte no pacto, preservando a nação israelita, apesar da incredulidade dela, ao longo dos séculos, de forma evidentemente miraculosa, como foi a restauração do Estado de Israel no local geográfico escolhido por Deus, como prova de mais um compromisso que Deus tem cumprido, a de entregar a Terra de Canaã a Israel.

- A Davi, prometeu que sua descendência governaria eternamente sobre Israel e sabemos que a vinda de Cristo, que é descendente de Davi e vivo está, é a demonstração do cumprimento desta promessa, pois para sempre o Senhor reinará sobre Israel.

- À Igreja, prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, e é o que tem acontecido; Satanás tem investido ferozmente todas as suas ferramentas destruidoras contra a Igreja, ao longo de seus dois mil anos de existência, mas essas ferramentas não foram capazes de mudar o foco da Igreja e nem de arrefecer o seu ânimo no cumprimento de seu dever: pregar o evangelho a toda a criatura. Milhões de crentes foram mortos, mas o sangue dos mártires tornou-se a sementeira do evangelho. Nosso Deus é Aquele que vela pela sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12).

b) Deus é grande em Fidelidade. As Sagradas Escrituras confirmam isto:

- Lam.3:23: “Grande é a Tua fidelidade”.

- Êxodo 34:6: “E, passando o Senhor por diante dele [Moisés] clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente, e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade”.

- Salmo 57:10: “A Tua benignidade, Senhor, chega até aos céus, até as nuvens a Tua fidelidade”.

- Salmo 108:4: “Porque acima dos céus se eleva a Tua misericórdia, e a Tua fidelidade para além das nuvens”.

- Salmo 89:8: “Ó Senhor Deus dos Exércitos, quem é poderoso como Tu és, Senhor, com a Tua fidelidade ao redor de Ti?”.

c) A Fidelidade de Deus é Eterna. Afirmam as Escrituras Sagradas:

- Salmo 117:1,2: “Louvai ao Senhor vós todos os gentios, louvai-O todos os povos. Porque mui grande é a Sua misericórdia para conosco, e a fidelidade do Senhor subsiste para sempre. Aleluia!”.

- Salmo 100:4b-5: ”rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Porque o Senhor é bom, a Sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a Sua fidelidade”.

- Salmo 119:90: “A Tua fidelidade estende-se de geração em geração...”.

- Salmo 146:6: “que fez os Céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e mantém para sempre a Sua fidelidade”.

- 2Tm.2:13: “Se somos infiéis, Ele permanece fiel...”.

II. IDOLATRIA E HERESIA: UM PERIGO À FIDELIDADE

1. O que é idolatria? É colocar qualquer coisa, ou pessoa, em lugar de Deus. Significa que Deus deixou de ocupar o lugar central na vida do homem, para ficar em segundo plano. Logo, se colocarmos os bens materiais acima de Deus, estamos incorrendo no pecado da idolatria.

A idolatria aparece na relação de obras da carne apresentada por Paulo aos Gálatas (Gálatas 5:20), por isso é tão comum em tantas culturas, mas é abominável para Deus porque através da idolatria o homem rejeita o Deus Criador em troca da criatura.

O ser humano acredita mais facilmente em coisas visíveis do que em um Deus invisível (1Tm.1:17). Por isto, ele é tendente a fazer ídolos para reverenciá-lo. A palavra ídolo vem do grego “eidólon”, e significa imagem; é, pois, uma representação da divindade, de que se faz objeto de culto, usurpando essa imagem o lugar de Deus e recebendo a adoração e o culto que só a Ele é devido. “Os israelitas, embora tivessem visto de perto a glória e o livramento de Deus, por diversas vezes se deixaram levar pela idolatria. Ainda na travessia do deserto, quando Moisés estava no monte Sinai para encontrar-se com o Senhor, o povo fez um bezerro de ouro e o adorou (Êx.32:1-18). Já no período monárquico, depois da morte de Salomão e a divisão do reino, todos os reis do Reino do Norte fizeram o que era mal aos olhos do Senhor, levando o povo à adoração de ídolos (1Rs.16:25,30; 22:52-54; 2Rs.3:3). Jeroboão I, fundou um sistema religioso idólatra, mandando fazer dois bezerros de ouro, institucionalizando a idolatria em Israel (1Rs.12:26-33).

O ídolo é veementemente condenado na Bíblia – “Maldito o homem que fizer imagem de escultura ou de fundição, abominação ao SENHOR, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido! E todo o povo responderá e dirá: Amém!” (Dt.27:15). Os dois primeiros mandamentos proíbem a adoração de imagens, bem como a adoração a qualquer outro deus (cf. Êxodo 20). A idolatria era classificada como uma ofensa de estado e cheirava traição, devendo ser punida com a morte (Dt.17:2-7). Leia mais: Lv.26:1; 1Sm.12:21; Sl.115:2-8; At.15:20; 1João 5:21).

Todavia, idolatria não é somente adorar a imagens, no sentido físico, é também adorar tudo aquilo que toma o lugar de Deus em nossa vida, aquilo que amamos, nos dedicamos, entregamos toda a nossa atenção, intenção e tempo, em detrimento da presença de Deus em nossa vida, aquilo que rouba a nossa adoração e comunhão com Ele.

Muitas vezes, o trabalho, a faculdade, prazeres, propósitos de vida, filhos, enfim, tudo isto é bênção do Senhor, mas não podem ocupar o lugar do Senhor em minha vida, não podem roubar a nossa adoração e o nosso tempo com Deus; Ele precisa estar no centro, mas quando todos esses fatores de nossa vida estão cheios da nossa atenção, dedicação e tempo, de maneira que não há mais tempo para orar, não há mais tempo para adorar e relacionar-se com Deus, e ouvir a sua voz através da sua palavra, e o problema maior é que perdemos a sensibilidade espiritual e passamos a viver assim, então há ídolos na nossa vida.

Não podemos jamais esquecer que tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus, em nosso coração, é idolatria. Qualquer pessoa ou objeto a que nos dedicamos com extremada atenção, e que não podemos viver sem os quais, podem se tornar um ídolo. A idolatria é a quebra da nossa fidelidade ao verdadeiro Deus.

2. Heresia. Heresia vem da expressão grega “háiresis”, que pode ser entendida como uma escolha que resulta numa separação. Segundo o Dicionário Teológico (CPAD) podemos definir heresia "como uma rejeição voluntária de um ou mais artigos da fé". Aquela pessoa que, embora conhecendo a verdade, desvia-se dela, abraçando uma doutrina falsa, ou uma doutrina contrária àquela revelada pela Bíblia Sagrada, chamamos de herege. O herege não é um cristão. A Bíblia fala de heresia em 2Pedro 2:1 e Judas 4, e afirma que é um fruto da carne (Gl.5:20).

Vamos entender melhor este assunto, tomando o seguinte exemplo: o Brasil tem um sistema federativo de governo. Embora formado por 27 Estados, tem um único presidente e é regido por uma só Constituição. Cada um dos 27 Estados tem sua própria constituição e pode fazer suas próprias leis. Há, porém, um limite para estas legislações - as constituições e as leis estaduais precisam estar de acordo com a Constituição Federal; esta representa a lei maior e não pode ser violada.

Assim, a Bíblia Sagrada é a Constituição, ou a Lei Maior que rege a Igreja do Senhor que está aqui na Terra. Cada igreja local, bem como cada denominação evangélica, à semelhança dos estados brasileiros, pode ter sua organização própria, seu governo, suas leis, desde que estas estejam de acordo com a Bíblia Sagrada.

Assim, só será considerada uma igreja evangélica aquela que estiver de acordo com as doutrinas bíblicas. Elas podem ter diversas diferenças, entre si, assim como cada estado tem seus próprios costumes; embora a língua oficial seja a mesma, há diferença de pronúncias, variam os sotaques em cada região, há diferenças alimentares, climáticas, etc. Tudo é permitido desde que a Constituição Federal seja obedecida. Caso um Estado passe a legislar de forma contrária à Constituição Federal, e persista em continuar no erro, será considerado um Estado rebelde e estará sujeito a sansões penais. Assim é a heresia; ela não é uma denominação, ou igreja evangélica; ela é rebelião contra as doutrinas bíblicas.

Uma Heresia tem suas próprias doutrinas e estas são sempre contrárias às verdades bíblicas. Os seguidores de uma determinada heresia formam o que chamamos de SEITA. Daí, biblicamente, não podemos confundir uma denominação, ou igreja evangélica com uma Seita. Uma Seita é sempre regida por uma doutrina antibíblica.

Precisamos ter cuidado, pois atualmente muitos estão se utilizando de argumentos falsos para enganar e macular a Igreja do Senhor. Estamos vivendo tempos difíceis, nos quais muitas igrejas já não conservam mais a sã doutrina, sendo os crentes enganados por filosofias humanas e ensinos de demônios contrários à Palavra de Deus. Devemos, portanto, acatar a exortação de Paulo: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tito 2:10,11). Perceba neste texto a gravidade que representa uma heresia. Contemplando e avaliando a galeria onde as heresias estão colocadas e a sentença de que o herege não herdará o Reino de Deus não se pode deixar de considerar o perigo que uma heresia representa para “uma Igreja”, e o porquê Paulo, falando sobre o herege, disse: “evita-o”.

III. SEJAMOS FIÉIS ATÉ O FIM

A Fidelidade é um princípio básico da vida cristã. Hoje os maridos e esposas estão quebrando os votos assumidos no casamento. Os crentes estão quebrando os votos feitos na profissão de fé. Como ser um crente fiel em tempos de adversidades? Tomemos como exemplo a fiel igreja de Esmirna; ela foi uma igreja sofredora, perseguida, pobre, caluniada, aprisionada, enfrentando a própria morte, porém, uma igreja fiel que só recebeu elogios de Cristo (Ap.2:8-11).

“E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu: Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte”.

É válido ressaltar que, dentre as sete igrejas que receberam cartas, somente duas receberam elogios: Esmirna e Filadélfia. Sabemos que não há igreja local isenta de imperfeições, mas na carta endereçada à igreja em Esmirna não foram apresentadas pelo Senhor as suas imperfeições. Isso deve nos servir de lição: uma igreja pobre e perseguida não recebeu repreensões do Senhor, mas elogios, não porque era pobre e perseguida, e sim porque era fiel a Jesus.

1. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo em meio à tribulação (Ap.2:9). Tribulação tem a ideia de aperto, sufoco, esmagamento. A igreja estava sendo espremida debaixo de um rolo compressor. A pressão dos acontecimentos pesava sobre a igreja e a força das circunstâncias procurava forçar a igreja a abandonar a sua fé. Os crentes em Esmirna estavam sendo atacados e mortos. Eles eram forçados a adorar o imperador como deus. Segundo alguns estudiosos, de uma única vez foram lançaram do alto do monte Pagos 1200 crentes; doutra feita, lançaram 800 crentes. Os crentes estavam morrendo por causa da sua fé.

Somos chamados a ser fiéis até às últimas consequências, mesmo em um contexto de hostilidade e perseguição. Hoje, Jesus espera de seu povo fidelidade na vida, no testemunho, na família, nos negócios, na fé. Não venda seu Senhor por dinheiro, como Judas; não troque seu Senhor, por um prato de lentilhas, como Esaú; não venda sua consciência por uma barra de ouro, como Acã. Seja fiel a Jesus, ainda que isso lhe custe seu namoro, seu emprego, seu sucesso, seu casamento, sua vida. Jesus diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (Mt.5:10-12). O mundo perseguiu a Jesus e também nos perseguirá.

2. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo mesmo enfrentando prisões impiedosas (Ap.2:10). Alguns crentes de Esmirna estavam enfrentando prisões tenebrosas. Naquela ocasião, a prisão era a antessala do túmulo; os romanos não cuidavam de seus prisioneiros. Normalmente os prisioneiros morriam de fome, de pestilências, ou de lepra.

Somos chamados a sermos fiéis não apenas até o último instante da vida, mas, sobretudo, até às ultimas consequências, mesmo num contexto de hostilidade e perseguição. O pastor da igreja de Esmirna, Policarpo, discípulo de João, foi martirizado em 155 d.C. Fiel até à morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira. Seus algozes pediram-lhe que dissesse: "César é Senhor", mas ele recusou a fazê-lo. Levado ao estádio, o procônsul instou com ele, dizendo: "Jura, maldiz a Cristo e te porei em liberdade”. Policarpo lhe respondeu: "Sirvo a Cristo há oitenta e seis anos, e ele nunca me fez mal, só o bem. Então como posso maldizer o meu Rei e Salvador?" [...]. Depois de ameaçá-lo com feras, o procônsul lhe disse: "Farei que sejas consumido pelo fogo". Mas Policarpo respondeu: "Tu me ameaças com fogo que queima por uma hora e depois de um pouco se apaga, mas tu és ignorante a respeito do fogo do juízo vindouro e do castigo eterno, reservado para os maus. Mas, por que te demoras? Faze logo o que queres [...J". Os inimigos furiosos, queimaram-no vivo em uma pira, enquanto ele orava e agradecia a Jesus o privilégio de morrer como mártir.

A promessa de Jesus é clara: "O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte" (Ap. 2:11). Podemos enfrentar a morte e até o martírio, mas escaparemos do inferno, que é a segunda morte, e entraremos no céu, que é a coroa da vida.

3. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo apesar da pobreza absoluta. A igreja de Esmirna era uma igreja pobre: pobre porque os crentes vinham das classes mais baixas; pobre porque muitos dos membros eram escravos; pobre porque seus bens eram tomados, saqueados; pobre porque os crentes eram perseguidos e até jogados nas prisões; pobre porque os crentes não se corrompiam. Esmirna era uma igreja espremida, sofrida, acuada; contudo, uma igreja fiel.

a) embora a igreja fosse pobre financeiramente, era rica dos recursos espirituais. Não tinha tesouros na terra, mas os tinha no céu. Era pobre diante dos homens, mas rica diante de Deus. A riqueza de uma igreja não está na pujança do seu templo, na beleza de seus móveis, na opulência do seu orçamento, na projeção social dos seus membros. A igreja de Laodicéia considerava-se rica, mas Jesus disse para ela que ela era pobre. A igreja de Filadélfia tinha pouca força, mas Jesus colocou diante dela uma porta aberta. A igreja de Esmirna era pobre, mas aos olhos de Cristo ela era rica.

b) Enquanto o mundo avalia os homens pelo ter, Jesus os avalia pelo ser. Importa ser rico para com Deus. Importa ajuntar tesouros no céu. Importa ser como Pedro: "Eu não tenho ouro e nem prata, mas o que eu tenho, isso te dou: em nome de Jesus, o Nazareno anda". A igreja de Esmirna era pobre, mas fiel; era pobre, mas rica diante de Deus; era pobre, mas possuía tudo e enriquecia a muitos. Nós podemos ser ricos para com Deus, ricos na fé, ricos em boas obras. Podemos desfrutar das insondáveis riquezas de Cristo. É melhor ser como a igreja de Esmirna, pobre materialmente e rica espiritualmente, do que como a igreja de Laodicéia, rica, mas pobre diante de Cristo.

Jesus nunca disse que se formos fiéis a Ele jamais teremos problemas, sofrimentos ou perseguições. Na verdade, devemos ser fiéis a Ele durante nossos sofrimentos. Somente assim nossa fé poderá se mostrar genuína. Permaneceremos fiéis se conservarmos nosso olhar em Cristo e naquilo que Ele nos promete para esse momento e para o futuro (ver Fp.3:13,14; 2Tm.4:8).

Que a igreja de Esmirna nos sirva de exemplo e referencial de fidelidade a Deus, coragem e determinação. [...] Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte (Ap. 2:10c-11).

CONCLUSÃO

À medida que buscamos ter maior comunhão com Deus, desenvolvemos a Fidelidade como Fruto do Espírito. A nossa confiança em Deus nos ajuda a permanecer fiéis em tudo até o Dia em que iremos nos encontrar com o Senhor (Ap.2:10). Que no final de nossa jornada, possamos dizer como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm.4:7).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Fidelidade, o fruto da confiança.PortalEBD_2005.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Ouça o que o Espírito diz às Igrejas.

FONTE:http://luloure.blogspot.com.br/

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ESCOLA BIBLICA DOMINICAL 2017 TERCEIRA AULA



Aula 03 - O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE

1º Trimestre/2017

Texto Base: Lucas 6:39- 49

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt.26:41)

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o perigo das obras da carne. Qual o maior perigo? A resposta está no final do versículo 21 do capítulo 5 de Gálatas: ”... os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”. Isto significa que aqueles que praticam as obras da carne não receberão o prêmio de um lar eterno com Deus. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e modificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo. A oração e a vigilância são armas fundamentais que o crente tem que usar na luta diária contra as obras da carne. Todos nós estamos sujeitos a cairmos em tentação, mas se nos esforçarmos e dermos lugar ao Espírito Santo em nossas vidas, e deixar que Ele nos controle plenamente, dificilmente as obras da carne terão chance de se sobressair.

I. A VIDA CONDUZIDA PELA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE

Nos é dito em Tiago 1:15, que a concupiscência ou os desejos ilícitos produzem o pecado. De acordo com 1João 2:15,16 todos os desejos pecaminosos são classificados em três categorias. Enquanto Eva estava diante da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela se deparou com estas três tentações: a concupiscência da carne - "a árvore boa para comer"; a concupiscência dos olhos - "a árvore agradável aos olhos"; a soberba da vida - "a árvore desejável para dar entendimento".

1. A Concupiscência da Carne. A concupiscência da carne simboliza a vida dominada pelos desejos, com pouco respeito por nós mesmos e por outras pessoas, a ponto de usá-las como coisas. Refere-se a qualquer desejo que incita alguém a alimentar a natureza sensual da carne (imoralidade, embriaguez, glutonaria, etc.). O fruto deu "água na boca" de Eva, mesmo sendo ele um fruto proibido. Nossos desejos e vontades devem ser controlados pelo Espírito Santo, pois os desejos da velha natureza são impuros e nos conduzem à morte espiritual.

2. A vida guiada pela Concupiscência da Carne. A “Carne” é a nossa natureza caída. São os impulsos e os desejos que gritam para serem satisfeitos. Segundo Augustus Nicodemus, “a ‘carne’ refere-se aos desejos impuros, que incluem todos os pensamentos, palavras e ações não puros: fornicação, adultério, estupro, incesto, sodomia e demais desejos não naturais, quer à intemperança no comer e no beber, motins, arruaças e farras, bem como todos os prazeres sensuais da vida, que gratificam a mente carnal e pelos quais a alma é destruída e o corpo, desonrado”.

Vivemos em uma sociedade hedonista, onde a busca pelo prazer tem feito com que muitos sejam dominados por desejos malignos, praticando, sem qualquer pudor, toda a sorte de impureza, e tudo em nome do prazer e da liberdade. Portanto, uma vida guiada pela concupiscência da carne é uma vida separada de Deus, cujo fim, se permanecer assim, será a perdição eterna.

3. A vida conduzida pela Concupiscência dos Olhos. A concupiscência dos olhos são as tentações que nos atacam de fora para dentro. É a tendência a deixar-se cativar pela exibição externa das coisas, sem investigar os seus valores reais. Refere-se à cobiça ou desejo descontrolado por coisas atraentes aos olhos, mas proibidas por Deus, inclusive o desejo de olhar para o que dá prazer pecaminoso. Os olhos são a lâmpada do corpo e as janelas da alma. Por eles entram os desejos.

Eva caiu porque viu o fruto proibido. Ló viu as campinas do Jordão e foi armando suas tendas para as bandas de Sodoma. Siquém viu Diná e a seduziu. A mulher de Potifar viu José e tentou deitar-se com ele. Acã viu a capa babilônica e arruinou-se. Davi viu Bate-Seba e adulterou com ela e a espada não se apartou da sua casa.

Cuidado com os seus olhos! Se eles o fazem tropeçar, arranque-os, porque é melhor você entrar no Céu caolho do que todo o seu corpo ser lançado no inferno (Mt.5:29).

Nesta era pós-moderna, a concupiscência dos olhos inclui o desejo de divertir-se contemplando pornografia, violência, impiedade e imoralidade no teatro, na televisão, na internet (principalmente), no cinema, ou em periódicos. Longe de Deus e sem o controle do Espírito Santo, o homem manifesta seus desejos mais perversos, trazendo sérios prejuízos para os relacionamentos. Quando o homem se torna insensível à voz de Deus e ao Espírito Santo, sendo governado apenas por seus instintos, torna-se semelhante aos animais. Lucas 11:34 diz: “A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso”.

O crente não pode se deixar seduzir pelos prazeres deste mundo (1João 2:15-17). Uma vida conduzida pela concupiscência dos olhos é uma vida sem o domínio do Espírito Santo, logo uma vida que corre grande perigo de perder a Salvação, a vida eterna com Deus.

II. A DEGRADAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO

O homem sem Deus, dotado de uma natureza pecaminosa, outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer aos desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cf. 2Tm.3:2), que levam a um caráter altamente reprovável, despido de auto-direcionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2), de cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1) e de auto-transcendência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29). Portanto, o cristão que se engoda nas obras da carne e não se esforça para sair delas, desmoraliza o seu caráter.

1. O Caráter. O caráter é elemento da personalidade do ser humano que não é inato e pode ser mudado. Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua existência.

2. O Caráter moldado pelo Espírito. Um caráter moldado pelo Espírito Santo é a maior necessidade de um cristão, hoje. As pessoas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Afirmou John Wooden: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“. Portanto, o caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências.

Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando. Nossa reputação, por outro lado, diz respeito à nossa conduta como é vista ou percebida por outros. “Boa” conduta sem caráter se torna hipocrisia. Isto foi revelado à igreja em Sardes: “Ao anjo da Igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto!” (Ap.3:1). Não adianta apenas dizer que é crente, é preciso evidenciar o nosso caráter cristão mediante as nossas ações (Mt.5:16).

Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o Templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl.137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé inquebrável no Deus vivo.

Concordo com o Pr. Osiel Gomes, quando diz que “muitos se dizem crentes, mas suas ações demonstram que nunca tiveram um encontro real com o Salvador. Muitos estão na igreja, mas ainda não foram realmente transformados por Jesus, pois quem está em Cristo é uma nova criatura e como tal procura andar em novidade de vida, pois já se despiu do velho homem, da natureza adâmica (2Co.5:17). Crentes que vivem causando escândalos, divisões, rebeldias, jamais experimentaram o novo nascimento”.

3. Ataques ao seu Caráter. Na nossa jornada temos que lutar contra três inimigos que farão de tudo para macular o nosso caráter: a carne, o Diabo e o mundo. Para enfrentar e vencer esses inimigos é necessário ter uma vida de comunhão com o Pai. É necessário orar, ler e estudar a Palavra de Deus. Sem a leitura da Bíblia e a oração não conseguiremos vencer a concupiscência da carne.

O caráter de Daniel e de seus amigos, na Babilônia, foi atacado. O caráter deles foi colocado à prova diante da determinação do rei Nabucodonosor. Veja o que diz Daniel 1:5-8: “E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego. E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”. Aqui, mostra que o maior de todos os perigos era o risco da aculturação. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de dois perigos:

a) O perigo das iguarias do mundo. As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso, a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: Bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus? Azarias significa: Jeová ajuda; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: servo de Nego. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.

III. UMA VIDA QUE NÃO AGRADA A DEUS

“O propósito do cristão deve ser viver uma vida que agrada a Deus, caso contrário, não tem valor algum professar a fé cristã”.

1. Viver segundo a carne. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”(Rm.8:8). Os que estão na carne não podem agradar a Deus, porque a única maneira de agradá-lo é submeter-se e obedecer à sua Lei, à Sua Palavra, à Sua vontade. As obras da carne e o Fruto do Espirito são mutualmente exclusivos. Quem pratica as obras da carne jamais produzirão Fruto do Espirito, pois quem pratica as obras da carne não está ligado à videira, que é Cristo. Portanto, é impossível obedecer à carne e ao Espírito ao mesmo tempo (Rm.8:7,8; Gl.5:17,18). Se alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne (Rm.8:13), torna-se inimigo de Deus (Rm.8:7; Tg.4:4), e a morte espiritual e eterna o aguarda (Rm.8:13).

Portanto, quais são os nossos objetivos na vida? Quais têm sido as nossas intenções?
Por que e para que estamos a praticar estes ou aqueles atos? Isto nos mostra se andamos segundo a carne ou segundo o Espírito. O justificado pela fé em Cristo Jesus age sempre por motivos e propósitos que estão de acordo com a vontade de Deus, que nos mantêm separados do pecado e que, por isso, não nos impede de prosseguir na nossa comunhão com o Senhor.

O apóstolo Paulo é contundente quando diz que a “inclinação da carne” é inimizade contra Deus e os que são segundo a carne não podem agradar a Deus (Rm.8:7,8). Temos aqui uma contundente declaração das Escrituras que desmente todo e qualquer movimento de tolerância e convivência com o pecado, movimentos estes que, lamentavelmente, estão presentes e em número cada vez maior no meio do segmento dito evangélico. Quantos não estão a dizer que “Deus só quer o coração”? Quantos não têm procurado se basear em “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (cf. 2Tm.4:3) para justificar as suas condutas pecaminosas e a prática da iniquidade? Os dias de hoje são difíceis e não são poucos os que têm se esforçado em encontrar guarida para as suas “inclinações da carne”, mas o Senhor, na Sua Palavra, é bem claro, é claríssimo: “os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm.8:8).

2. Vivendo como espinheiro. Os ramos que não produzem frutos são arrancados (João 15:2). O propósito do ramo é dar fruto. Se o ramo não dá fruto, não tem valor para o lavrador, por isso ele o tira. Exemplo triste deste tipo de julgamento é encontrado na história da nação israelita. Deus Pai, o Lavrador, no passado plantou uma vinha – “ E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre e também constituiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas...a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel...”(Is.5:2-7).

Deus não apenas plantou, como também dotou-a de todas as condições para que nela houvesse colheitas abundantes das melhores uvas da terra. Porém, Israel falhou! Produziu uvas bravas! A vinha foi rejeitada - “A gora, pois, vos farei saber o que hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada, nem cevada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuvas sobre ela” (Is.5:5,6). Israel pagou e continua pagando o preço de sua desobediência.

A Igreja, hoje, é nova Vinha do Senhor. Como Igreja ela não será rejeitada. Porém, cada crente, em particular, é advertido sobre a necessidade de produzir frutos, e frutos bons – “todo ramo em mim que não dá fruto, a tira... Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto...”.

Quem vive segundo a carne se torna um espinheiro, inútil para Deus e para a Igreja. Israel foi rejeitado porque não deu os frutos que Deus esperava de sua vinha. Israel tornou-se um espinheiro. Certamente que o Espírito Santo não deseja que aconteça o mesmo conosco.

3. Uma vida infrutífera. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se produza o Fruto do Espírito. Cristo é a Videira e Deus é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora (João 15:6).

Na Parábola da Figueira estéril, o Senhor Jesus disse que “...um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará; e, se não, depois a mandarás cortar” (Lc.13:6-9).

Embora a figueira estivesse na vinha, ela não tinha outro propósito a não ser dar fruto. Visto que a figueira era infrutífera, não teria o direito de existir. É fruto que o dono da vinha procura. Não folhas. As folhas dão beleza à árvore, mas, não alimentam. Quem tem fome, precisa de fruto.

Certa feita, a caminho de Jerusalém, Jesus teve fome – “E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente” (Mt.21:18,19). Era uma árvore bonita, tinha aparência, pois, estava carregada de folhas. Porém, foi amaldiçoada porque não tinha fruto. Não basta ter aparência, é preciso ter fruto. Através de uma vida frutífera glorificamos a Deus e testificamos que somos discípulos de Jesus – “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Mt.7:8).

Dar muito fruto deve ser o ideal bíblico desejado por todos os salvos. Isto é possível, pois, somos como “...a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará” (Sl.1:3). Estar em Cristo é a condição. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muitos frutos. Porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Não basta estar perto de Cristo, e muito menos longe. Faz-se necessário estar ligado a Ele, ser parte do seu próprio Corpo, para que possa receber da sua seiva (Espírito Santo) e assim dar muitos frutos.

CONCLUSÃO

A Carne é mais que sensualidade, é mais que luxúria sensual, é o homem vivendo no nível terreno e material, separado de qualquer contato com o espiritual ou o sobrenatural. Os que são dominados pela Carne buscam agradar a Carne e praticar suas obras (Gl.5:19-21). O resultado óbvio é que os que estão na Carne não podem agradar a Deus, serão excluídos da Videira e, por conseguinte, cortados e lançados para serem queimados, ou seja, excluídos para sempre da presença de Deus.

Que Deus possa nos abençoar e que saibamos, precisamente, viver em santidade, sendo Árvore frutífera para Deus até o instante da nossa glorificação.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Fruto do Espírito Santo e o caráter cristão. PortalEBD_2005.
Postado por Luciano de Paula Lourenço às 13:03

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/