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segunda-feira, 24 de novembro de 2014



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Aula 09 – O PRENÚNCIO DO TEMPO DO FIM


4º Trimestre/2014

 
Texto Base: Daniel 8:1,3-11

 
“E disse: Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira; porque ela se exercerá no determinado tempo do fim” (Dn 8:19)

 

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos da segunda visão que Deus deu a Daniel sobre a ascensão e queda de dois impérios: Medo-Persa e Grego. Estes impérios, tratados no capítulo 7, e representados pelo Urso (Dn 7:5) e pelo Leopardo (Dn 7:6), ganham um sentido especial e particular no capítulo 8. Aqui, eles são representados por dois outros animais, e com caraterísticas especiais: o carneiro (Dn 8:3,4) e um bode (Dn 8:5-9), respectivamente. Ambos eram animais poderosos, mas foram destruídos, porque ninguém prevalece contra o cetro de Deus.

Os elementos históricos da profecia tiveram seu cumprimento no passado, porém, algumas caraterísticas desses dois impérios personificam o futuro de Israel e o que acontecerá no “tempo do fim"(Dn 8:19). Daniel ficou fraco e enfermo diante dos fatos futuros que haveriam de vir. Essa visão prova que Deus é quem dirige a história. Ele tem em suas mãos as rédeas da história do mundo.

I. A VISÃO DO CARNEIRO E DO BODE (Dn 8:3-5).

1. A visão do carneiro (Dn 8:3,4,20). “Aquele carneiro que viste com duas pontas são os reis da Média e da Pérsia” (Dn 8:20).

O texto de Daniel 8:20 é claro: o carneiro simboliza o império Medo-Persa, representado por Dario e Ciro, respectivamente. Não mais aquele “urso” faminto do capítulo 7:5; já enfraquecido, é agora representado ao profeta Daniel como sendo um animal doméstico – carneiro -, em vez de uma fera selvagem – o urso.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, Daniel descreve o carneiro de três maneiras distintas.

Em primeiro lugar, fala que ele tem dois chifres (Dn 8:3,20). Essa é uma descrição do império Medo-Persa que se levantaria para conquistar a Babilônia. Na mesma noite em que o rei Belsazar fazia uma festa e zombava dos vasos do templo, a Babilônia caiu nas mãos dos medo-persas. 

Em segundo lugar, fala que tal carneiro é irresistível (Dn 8:3,4). A união dos Medos e Persas em um só império criou um exército poderoso que conquistou territórios para o oeste (Babilônia, Síria e Ásia Menor), ao norte (Armênia) e ao sul (Egito e Etiópia). Nenhum exército existente naqueles tempos tinha a força ou a capacidade necessária para deter o avanço dos Medo-Persas.

Em terceiro lugar, fala que o carneiro engrandeceu-se (Dn 8:4). Nenhum exército naqueles dias podia resistir ou deter o avanço do reino medo-persa. Isso levou esse reino a tornar-se opulento, poderoso e cheio de soberba. Por isso, engrandeceu-se, e aí estava a gênese de sua futura queda.

2. Os chifres do carneiro. “E levantei os meus olhos e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha duas pontas; e as duas pontas eram altas, mas uma era mais alta do que a outra; e a mais alta subiu por último” (Dn 8:3).

Daniel contempla na sua visão que o audacioso carneiro tinha “duas pontas”, pontiagudas; mas, uma delas era mais alta do que a outra. O chifre maior é uma descrição do poder prevalecente dos persas na liderança do império. Na cronologia histórica, Ciro, o persa, tomou o lugar de Dario, o medo. Eventos importantes aconteceram no período desses dois reis até que o carneiro foi vencido, surgindo na visão de Daniel a figura de um bode que ataca o carneiro e o vence.

Na cultura persa, a figura do carneiro era muito popular. Esse animal é sempre referido ao macho das ovelhas. Simboliza força e bravura na defesa da sua família. Seus chifres são símbolos do poder de domínio e autoridade do carneiro para defender seu rebanho. O símbolo mais importante dos Medos-Persas era a cabeça de ouro de um carneiro que fazia parte da coroa real.

3. A visão do bode (Dn 8:5-8). “E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha uma ponta notável entre os olhos”(Dn 8:5).

O profeta Daniel, em sua grande visão deixa um pouco de lado o carneiro (império medo-persa) e agora dá destaque outro animal – o bode. O bode é uma descrição profética acerca do império Greco-Macedônio. No capítulo 7:6, ele é representado pelo “leopardo”. Agora, em Daniel 8:4 ele é representado pelo “bode voador”. Em sentido profundo da exegese, o bode representava o poderoso exército Greco-Macedônico comandado por Alexandre Magno, enquanto que a “ponta notável entre os olhos” representava o próprio Alexandre – “mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei” (Dn 8:21). Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, Daniel elenca quatro fatos a seu respeito:

Em primeiro lugar, fala da rapidez de suas conquistas (Dn 8:5,21). As conquistas de Alexandre foram extensas e rápidas. Em apenas treze anos Alexandre conquistou todo o mundo conhecido de sua época.

Em segundo lugar, Daniel fala do poder desse líder (Dn 8:5). Alexandre é descrito como o chifre notável. Foi um líder forte, ousado e guerreiro. Era um homem irresistível, um líder carismático, com punho de aço.

Em terceiro lugar, Daniel fala dos triunfos de Alexandre sobre o império Medo-Persa (Dn 8:6,7).O poderio e a força de Alexandre são descritos na maneira como enfrentou o carneiro: (a) fere-o; (b) quebra seus dois chifres; (c) derruba-o na terra; e (d) pisoteia-o.

Em quarto lugar, Daniel fala do engrandecimento e queda de Alexandre e seu reino - E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu” (Dn 8:8). “O engrandecimento de um império é ao mesmo tempo prelúdio de sua queda e decadência. Quanto mais se aproxima do auge de seu poder, tanto mais perto está também de seu fim". A Grécia não foi uma exceção.

Daniel 8:8 profetiza a morte inesperada de Alexandre Magno na Babilônia, em 323 a.C, exatamente quando ele queria reconstruir a cidade da Babilônia, contra a palavra profética de que a cidade jamais seria reconstruída.

Após a morte de Alexandre e a divisão de seu reino entre quatro generais (Dn 8:22), o grande império grego desintegrou-se e enfraqueceu-se. A profecia acerca de Alexandre cumpriu-se literalmente, duzentos anos depois da profecia dada a Daniel.

II. O CHIFRE PEQUENO (Dn 8:9)

1. A visão da ponta pequena. “E de uma delas saiu uma ponta mui pequena, a qual cresceu muito para o meio-dia, e para o oriente, e para a terra formosa”.

Daniel passa a falar sobre um pequeno chifre, diferente daquele descrito no capítulo 7. Esse é apenas um protótipo daquele. Vejamos como ele é descrito, segundo o comentário do Rev. Hernandes Dias Lopes:

Em primeiro lugar, Daniel fala sobre sua procedência (Dn 8:8,9,22). O pequeno chifre do capítulo 8 não deve ser confundido com o pequeno chifre do capítulo 7:8. A origem do 7:8 é o quarto império (o império romano). A origem do 8:9 é o bode, o terceiro império - o império grego.

O pequeno chifre do capítulo é um personagem futuro e profético para Daniel, mas para nós, um personagem do passado; enquanto o pequeno chifre do capítulo 7:8 é um personagem escatológico para Daniel e para nós.

O pequeno chifre de Daniel 8:9 é o principal precursor do Anticristo escatológico. Principal porque muitos anticristos precursores do Anticristo escatológico já passaram pelo mundo (1João 2:18), mas nenhum reuniu em si tantas características como esse de Daniel 8:9.

Esse pequeno chifre do capítulo 8 é o rei selêucida Antíoco IV, chamado de Antíoco Epifânio, que reinou na Síria entre 175 a 163 a.C.

Em segundo lugar, Daniel fala sobre sua megalomania (Dn 8:11,25). Em seu coração ele se engrandeceu. Antíoco declarou ser deus. Mandou cunhar moedas que de um lado tinham sua efígie e do outro as palavras: "Do rei Antíoco, o deus tornado visível que traz a vitória”.

Em terceiro lugar, Daniel fala sobre sua truculência (Dn 8:9,10). Alguns imperadores romanos identificaram-se com o Anticristo escatológico, tais como Nero Domiciano, por exigirem adoração de seus súditos. Hitler foi identificado com ele por sua feroz perseguição aos judeus. Outros governadores antigos e contemporâneos por perseguirem os cristãos como nos regimes totalitários e comunistas. Mas ninguém se assemelhou tanto ao Anticristo escatológico comoAntíoco Epifânio.

Esse rei selêucida foi um feroz perseguidor dos judeus (Dn 8:24). Porque os fiéis judeus não se prostravam diante dos ídolos foram duramente perseguidos por ele. Calcula-se que cem mil judeus foram mortos por ele. O Anticristo escatológico também será implacável em sua perseguição aos cristãos e aos judeus no período da Grande Tribulação que virá – “E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta” (Ap 13:15).

Em quarto lugar, Daniel fala acerca de sua blasfêmia (Dn 8:23-25). Ele será um usurpador. Como o Anticristo quererá usurpar o lugar de Cristo, Antíoco também foi um usurpador. No seu tempo, a Palestina pertencia ao Egito dos ptolomeus, mas ele, astuciosamente, aproveitou-se da divergência entre os judeus que estavam divididos em dois partidos, e levou-os a se aliarem a ele, rompendo com o Egito (Dn 8:23-25). Quando os judeus se aliaram a ele, logo os explorou e os perseguiu cruelmente até à morte.

2. A ultrajante atividade desse rei contra Israel (Dn 8:10,11). “E se engrandeceu até ao exército dos céus; e a alguns do exército e das estrelas deitou por terra e os pisou. E se engrandeceu até ao príncipe do exército; e por ele foi tirado o contínuo sacrifício, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra”.

Segundo o Rev. Hernandes Dias LopesAntíoco Epifânio fez cessar os sacrifícios na Casa de Deus e profanou o templo. Em 169 a.C, ele saqueou o templo e proibiu os sacrifícios, à semelhança do que vai acontecer com o Anticristo escatológico (cf. 2Ts 2:4; Ap 13:6).

Por ordem de Antíoco, o templo foi profanado da maneira mais vil, indecente e imoral. O santuário de Jerusalém foi chamado de “TEMPLO DE JÚPITER OLÍMPICO”. Ele profanou o templo quando colocou a própria imagem no lugar santíssimo e mandou matar sobre o altar um porco e borrifar o sangue e o excremento pelo santuário, obrigando os judeus a comerem a carne do porco, dentro do templo, sob ameaça de morte. Mandou ainda edificar altares e templos dedicados aos ídolos, sacrificando em seus altares porcos e reses imundas.

O livro de Macabeus descreve a soberba e a perversidade de Antíoco na profanação do templo de Jerusalém:

“E entrou cheio de soberba no santuário, e tomou o altar de ouro, e o candeeiro dos lumes, e todos os seus vasos, e a mesa da propiciação, com as bacias, e os copos, e os grais de ouro, e o véu, e as coroas, e o ornamento de ouro, que estava na fachada do templo: e quebrou tudo [...] E fez grande matança de homens, e falou com grande soberba”.

Dessa forma, esse rei tornou-se o maior protótipo do Anticristo que virá (Dn 9:27; Ap 13:5; 2Ts 2:3,4). Ele blasfemou contra Deus, contra o culto e contra o povo de Deus.

3. A purificação do santuário (Dn 8:14). “E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”.

O tempo de sofrimento de Israel é revelado a Daniel com linguagem especial ao estabelecer um tempo de "2.300 tardes e manhãs" que literalmente, referem-se às atrocidades de Antíoco Epifânio num período de 171 a 165 a.C. Em Dn 8:14 o Senhor revela que depois daquele período de sofrimento, Ele haveria de purificar o santuário. Essa promessa implica na limpeza da profanação imposta por esse líder cruel contra a Casa de Deus. Os judeus até hoje fazem a celebração da purificação ou dedicação, ou seja, a Festa de Hannakah, que lembra a festa da purificação. Jesus esteve durante esta festa, em Jerusalém – “E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno” (João 10:22).

Existe um segmento religioso, bastante conhecido, que interpreta este texto de Daniel 8:14 de forma equivocada. Os líderes e seguidores deste segmento religioso, dizem que esses 2.300 dias são 2.300 anos proféticos; e dizem que essa contagem teve início no ano 457 a.C. Segundo eles, Jesus em vez de vir à terra no final desses anos, entrou em 22 de outubro de 1844 no lugar santíssimo do santuário celestial – para levar a efeito a obra final da redenção (cic). Esse ensino é também conhecido como a redenção incompleta.

Refutamos veemente este ensino desse segmento religioso. Em primeiro lugar, porque a Bíblia ensina claramente que na sua ascensão, o Senhor Jesus entrou diretamente na presença do Pai, no Santo dos Santos (At 7:55; Rm 8:34; Ef 1:20; Cl 3:1). Em segundo lugar, porque Jesus é apresentado na Bíblia, até o período atual, como Sacerdote (Hb 4:14,15; 8:1) e Advogado (Rm 8:34; Hb 7:25; 1João 2:1), e não como juiz.  Quanto à redenção, a Bíblia declara que ela foi completa e acabada na cruz, de uma vez por todas (João 19:30; Hb 1:3; 9:11,12; 10:12-14). Outrossim, a data de início da contagem dos 2.300 dias é 445 a.C (baseado em Dan 9:25, quando Artaxerxes estava no 20º ano do seu reinado), e não 457 a.C., como afirmam os adeptos desse segmento religioso. Virá ainda o Dia em que o Senhor julgará a todos (Rm 2:16).

III. ANTÍOCO EPIFÂNIO, O PROTÓTIPO DO ANTICRISTO

1. Antíoco Epifânio. Antíoco IV Epífânio (que significa: "que se manifesta com esplendor") foi um rei da Dinastia Selêucida que governou a Síria entre 175 e 164 a.C. Este déspota foi o maior protótipo do Anticristo. Este imporá uma única religião em seu reino e perseguirá e matará os que não se conformarem a ele (Ap 13:12,15). Antíoco Epifânio fez a mesma coisa em seu reino. A posse do Livro Sagrado, o Antigo Testamento, e a observância da lei de Deus eram punidas com a morte. Muitos judeus foram mortos por se manterem fiéis a Deus.

O Anticristo se levantará em tempo de grande apostasia. Como a apostasia do período do fim abrirá a porta para o Anticristo (2Ts 2.3,4), também muitos judeus, à época do rei Antíoco Epifânio, haviam se afastado da lei de Deus e adotado costumes dos gentios (Dn 8:12,23). Deus castigou Israel por causa de seus pecados. Quando no fim dos tempos a humanidade estiver suficientemente corrompida, ela estará pronta para receber o Anticristo.

2. Daniel descreve derrota do protótipo do Anticristo (Dn 8:25). “E, pelo seu entendimento, também fará prosperar o engano na sua mão; e, no seu coração, se engrandecerá, e, por causa da tranquilidade, destruirá muitos, e se levantará contra o príncipe dos príncipes, mas, sem mão, será quebrado”.

Antíoco Epifânio foi derrotado sem o auxílio de mãos humanas. Ele foi morto não em combate, mas por uma súbita doença, em Elimaida, na Pérsia. O segundo livro de Macabeus diz que sua morte foi das mais horrorosas. A queda do Anticristo será assim também. Não será morto num combate humano, mas pela manifestação da vinda de Cristo (2Ts 2:8; Ap 19:20).

3. O tempo do fim (Dn 8:17). “E veio perto de onde eu estava; e, vindo ele, fiquei assombrado e caí sobre o meu rosto; mas ele me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão se realizará no fim do tempo”.

O anjo Gabriel diz a Daniel que esta visão se cumprirá somente no “tempo do fim”. Este “tempo do fim”, aqui, refere-se a septuagésima semana profética, descrita em Daniel 9:24-27, com especial referência à metade dela, na parte final, que, no Apocalipse, é chamada “A Grande Tribulação”. No Novo Testamento, a expressão “os últimos dias”, em At 2:17; 2Tm 3:1; Hb 1:1, é equivalente, no grego, ao “tempo de fim”, e, o sentido geral, é mais amplo que em Daniel, pois é aplicado à época da Igreja, à época do Espírito Santo em sua plenitude.

4. Encerramento da visão (Dn 8:27). “E eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias; então, levantei-me e tratei do negócio do rei; e espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse”.

Ao ver todas as coisas terríveis que viriam sobre a sua nação e tudo o que aconteceria com o seu povo, Daniel adoeceu por alguns dias. Ele tinha quase 90 anos de idade. Naturalmente, toda aquela visão requereu dele, um estado de êxtase espiritual que, quando voltou ao normal, não tinha forças para ficar em pé. O mesmo aconteceu com João, na Ilha de Patmos. Entretanto, após um tempo, levantou-se novamente e foi tratar dos negócios do rei. A situação que contemplou certamente causou grande pesar, mas não derrubou a sua fé, nem o seu testemunho ou sequer impediu que continuasse o seu serviço.

Hoje, a situação do mundo, de Israel e dos “crentes” realmente não são motivos de riso, mas à semelhança de Daniel, não devemos nos  abater; precisamos continuar cuidando dos negócios do nosso Rei e Senhor, Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

Deus mostrou a Daniel que as rédeas da história não estão nas mãos dos poderosos deste mundo, mas nas mãos daquele que está assentado no alto e sublime trono. A história do mundo faz parte dos desígnios do Deus Todo Poderoso, e o futuro da humanidade e dos reinos deste mundo estão sob o Seus Onipresente olhar. Toda honra e louvor sejam dada ao Seu glorioso e bendito nome!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD,

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal– pg.1258.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

ESCOLA BÍBLICA CPAD AULA 8


Aula 08 – OS IMPÉRIOS MUNDIAIS E O REINO DO MESSIAS

4º Trimestre/2014


Texto Base: Daniel 7:3-8,13,14



“E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (Dn 7:27).



INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos o capítulo 7, onde é narrada a visão que Deus deu a Daniel sobre o fim dos Impérios mundiais e o surgimento do Reino eterno do Messias. Até o capítulo 6, vimos a parte histórica do livro; agora, nos capítulos 7 a 12, veremos a parte profética.

O capítulo 7 está dividido em duas grandes partes: os versículos 1 a 14 retratam o sonho de Daniel; os versículos 15 a 28, a interpretação do sonho.

Percebe-se que há um paralelo entre o capítulo 2 e o capítulo 7. Estudiosos dizem que o capítulo 2 apresenta um panorama na perspectiva do homem, enquanto o capítulo 7 apresenta uma perspectiva divina do mesmo tema. O capítulo 2 trata da história dos impérios em seu aspecto externo: seu esplendor; o capítulo 7 trata do aspecto espiritual interno: são como feras selvagens.

Daniel 7 trata do desenrolar da história humana até o fim do mundo. Se olharmos apenas para os reinos deste mundo somos o povo menos favorecido da terra, mas se olharmos para o trono de Deus somos o povo mais feliz da terra. Os impérios do mundo surgem, prosperam e desaparecem, mas o Reino de Cristo permanece para sempre. (1)

I. A VISÃO DOS QUATRO ANIMAIS (Dn 7:1-8)



1. A visão (Dn 7:3-15). A visão de Daniel ocorreu no “primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia” (Dn 7:1), ou seja, quatorze anos antes da queda do reino Babilônico. A visão de Daniel revela a ordem das coisas futuras - da época em que o profeta se encontrava, mais de cinco séculos antes do nascimento de Cristo, até os nossos tempos e até o fim da Era gentílica. Da sua perspectiva, rodeado por uma escuridão silenciosa da noite (Dn 7:2), emergiu uma figura violenta e furiosa – tempestuosos ventos do céu, animais rugindo (Dn 7:3) subindo das águas, espalhando-se pela terra, um após o outro. Aqui, Daniel vê a história dos reinos mundiais em terrível convulsão. Todavia, ele olha e vê Deus assentado no trono (Dn 7:9-11). Devemos estar conscientes de que um Dia toda natureza gentílica será extirpada e o reino de Cristo estabelecido para sempre. Os grandes reinos crescem, fortalecem-se, deterioram-se e caem, mas só o Reino de Deus permanece para sempre, conforme Daniel capítulos 2 e 7.

2. Interpretação. “Cheguei-me a um dos que estavam perto e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isso. E ele me disse e fez-me saber a interpretação das coisas” (Dn 7:16).

a) “O leão com asas de águia” (Dn 7:4).

O leão (rei dos animais) e a águia (rainha das aves) são símbolos da grandeza da Babilônia. Duas coisas aqui devem ser observadas no texto:

Primeiro, as asas foram arrancadas. Aqui, fala de Nabucodonosor sendo expulso do trono para viver com os animais (ver Dn 4:32).

Segundo, o texto diz que o animal foi levantado da terra e posto em pé como um homem; e foi-lhe dado um coração de homem. Isto se refere o retorno de Nabucodonosor de sua lucidez e da sua conversão (ver Dn 4:32b,36,37).





  b) “O urso” (Dn 7:5).

Aqui, o urso é símbolo do império medo-persa, um império formado pela coligação de dois povos: os medos e os persas. Esse império foi descrito em Daniel 2:32,39.

As “três costelas” que o urso trazia na sua boca, na simbologia profética, significam as três primeiras potências conquistadas pelo Império Medo-persa. São elas: (a) Babilônia; (b) A Lídia, na Ásia Menor; (c) O Egito. Esses três reinos (costelas) fizeram uma coligação pensando suplantar as ameaças do inimigo, mas não tiveram nenhum êxito nisso, pois a conquista por Dario e Ciro dessas nações já estava vaticinada cerca de 80 anos antes, como está descrito pelo profeta do Senhor: "O Senhor despertou o espírito dos reis da Média; porque o seu intento contra Babilônia é para a destruir” (Jr 51:11,29).

c) O leopardo com quatro asas (Dn 7:6).

Esse animal simboliza o império grego-macedônio. Em 334, Alexandre Magno empreendeu sua surpreendente conquista, que em um período de 10 anos o levou a ser soberano de um vasto império.

Alexandre foi educado por Aristóteles. Difundiu a cultura grega entre os povos vencidos. O idioma grego tornou-se conhecido em todo o mundo antigo e veio a ser a língua em que o Novo Testamento foi escrito. Ele fundou a cidade de Alexandria, conhecida mundialmente por sua famosa biblioteca e pelo farol na ilha de Faros, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Observe três destaques importantes no texto de Daniel 7:6.

Primeiro, "e tinha quatro asas de ave nas suas costas". Daniel notifica que nas costas do animal havia quatro asas. Elas representam, sem dúvida, os "quatro generais" de Alexandre que, após sua morte, fundaram quatro realezas. São eles: (a) Ptolomeu; (b) Selêuco; (c) Lisímaco; (d) Cassandro. Em tudo que Alexandre fazia esses generais estavam sempre em evidência. Cada um deles começou por implantar-se na região que lhe fora designada, e não ficaram somente nisso, pois a ambição de glória e de poder, levou-os a lutarem entre si, para novas conquistas.

Segundo, “tinha também este animal quatro cabeças". A cabeça, que é de um animal quadrúpede, está diante de si. Na simbologia profética, isso significa os quatro reinos que estavam por vir. Após a morte de Alexandre, seus quatro generais fundaram quatro reinos dentro da divisão do Império: (a) Egito (Ptolomeu); (b) Síria (Selêuco); (c) Macedónia (Lisímaco); (d) Ásia Menor (Cassandro).

Terceiro, “e foi-lhe dado domínio”. Diz o versículo 6 que o domínio lhe foi dado. Foi Deus quem levantou Alexandre Magno. Deus dirige a história. É Deus quem dá o poder aos poderosos da terra. E é Ele mesmo quem o tira de suas mãos.

d) Uma aparência indescritível (Dn 7:7,8).

Com relação ao quarto animal, Daniel ver um animal espantoso, terrível e sobremodo forte. O que caracteriza esse quarto animal era sua força e poder, ou seja, sua capacidade de destruir. Tinha grandes dentes de ferro; devorava e fazia em pedaços; pisava aos pés o que sobejava. Todas essas características sugerem força e insensibilidade com suas vítimas (Dn 7:23). Esse animal simbolizava o império romano.

e) A ênfase no quarto animal (Dn 7:23-27). O quarto animal torna-se o tópico especial da interpretação do anjo em Daniel 7:15-28. O caráter distintivo dessa fera é o terror que provoca no observador; ele era “terrível e espantoso e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro, comia e triturava o que encontrasse pelo caminho”.

Em 241 a.C, os romanos derrotaram os cartagineses e ocuparam a ilha da Sicília. Em 218 a.C, as legiões romanas fizeram sua entrada na Espanha. Em 202 a.C, os romanos conquistaram Cartago. Em 146 a.C, eles tomaram a cidade de Corinto. Em 63 a.C, Pompeu ocupou a Palestina. Em 30 a.C, Marco Antônio incorporou o Egito ao território romano. De modo que antes do nascimento de Cristo os romanos tinham praticamente o controle do mundo conhecido.

O império romano experimentou dois séculos de glória e esplendor. Em 476 d.C, os bárbaros puseram fim ao império romano no Ocidente, e, em 1453 d.C, os turcos ocuparam a cidade de Constantinopla, e o império romano no Oriente se desintegrou.

Roma foi o império mais devastador da história do mundo. Era forte (ferro), pela sua força e eficácia administrativa, mas frágil (barro), dada a grande corrupção que ajudou a sepultar “um sonho chamado Roma”. (2)

f) Os dez chifres e o pequeno chifre.

- “e tinha dez chifres (Dn 7:7)”. Esse animal espantoso tinha dez chifres como tinha dez dedos os pés da estátua do capitulo 2. Esses dez chifres na cabeça da fera simbolizam dez reis que “se levantarão” no tempo do fim. Eles não existiram nos dias do Império Romano. Observe bem a frase: “se levantarão”. João, em sua visão na Ilha de Patmos, descreve a mesma coisa em Ap 13:1. O fato de estarem em alinhamento como em alinhamento estavam os dez dedos da estátua do capitulo 2, quer dizer que esses reis escatológicos governarão ao mesmo tempo (Ap 17:12).

- “subiu outro chifre pequeno” (Dn 7:8). Saindo da mesma cabeça e desalojando três das pontas primeiras subiu outra ponta pequena, que é mais devastador do que qualquer um dos seus predecessores. Será um ser humano, dotado de inteligência e sagacidade extraordinárias. Esse chifre torna-se o assunto principal do restante do capítulo 7.

Esse orgulhoso e poderoso ser humano será o Anticristo, que no tempo apropriado aparecerá no cenário mundial. Ele é o homem do pecado (2Ts 2:3,8), a besta que abate três dos dez reis (Dn 7:24). Ele guerreará contra os santos de Deus, vencê-los-á (Dn 7:21,22,25; Ap 13:7) e falará palavras contra Deus (Dn 7:25).

O pequeno chifre é pequeno só no começo (Dn 7:8), mas crescerá progressivamente até distinguir-se como mais robusto que os outros chifres (Dn 7:20). Ou seja, o governo do Anticristo será a expressão mais forte de poder na terra até ser erradicado por Cristo. Ele será o último dominador do mundo. Ele será o último líder mundial. Quando, porém, vier o “Ancião de dias” (Dn 7:9), os santos possuirão o reino (Dn 7:22,27; cf. Ap 11:15-18; 20:4-6). O Anticristo será destruído (Dn 7:11,26) e lançado no Lago de fogo ardente (Ap 19:20), que é o Inferno propriamente dito.

II. O CLÍMAX DA VISÃO PROFÉTICA

1. Tronos, “ancião de dias” e juízo divino ((Dn 7:9-14). “Ancião de dias” é outra maneira de reconhecer que Deus é o Eterno, é aquele que Abraão reconhecia como o “Juiz de toda a terra” (Gn 18:25). Deus é retratado julgando todos os povos e todos os reinos no fim dos tempos. Quando a fúria do quarto animal alcançou seu clímax, Daniel viu tronos sendo estabelecidos, e o “Ancião de dias” toma seu assento de julgamento. Coberto por uma luz inefável, cercado por milhares de milhares que o serviam, o Juiz iniciou o juízo [...] e abriram-se os livros. Esse quadro é claramente refletido em Apocalipse 20:4.

2. O “Filho do Homem” (Dn 7:13,14). "... um como o Filho do homem". Na continuação da visão, Daniel também viu um como “Filho do homem” (Dn 7:13), que vem nas nuvens do Céu e recebe um domínio eterno (Dn 7:14). Todos os povos, nações e línguas tornam-se sujeitos a Ele. A relação dessa visão com a visão de Dn 2:44 é evidente. Ali a pedra que foi cortada da montanha substituiu os reinos (cf. Mt 24:30 e Ap 1:7).

“Filho do homem” é um título que frequentemente é aplicado à pessoa de Cristo (Mt 16:13). Cerca de 80 vezes esta expressão ocorre nos Evangelhos, e 22 destas somente em Apocalipse. Em Ezequiel, a expressão "filho do homem" é empregada por Deus 93 vezes, quando fala com o profeta. Em Ap 14:14, há um quadro sobre o "Filho do homem". Jesus é o "Filho do homem", porque, de um modo especial, Ele é o representante da humanidade perante a pessoa do Pai. Ele é declarado "Filho de Davi segundo a carne" (Rm 1:3). Ele se tornou o "Filho do homem" para que nós, humanos, nos tornássemos filhos de Deus (Jo 1:12). (3)

"... foi-lhe dado o domínio" (Dn 7:14). O domínio e reino do presente texto, para que todos os povos, nações e línguas o servissem, é o estabelecimento do Reino de Deus sobre a terra, que começará com o reino milenar de Cristo (Ap 20:1-6).

3. A Grande Tribulação (Dn 7:24,25). “Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis" (Dn 7:24). “E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos, e a lei; e eles serão entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e metade dum tempo"(Dn 7:25).

Estes versículos e outros correlatos mostram a ascendência, desenvolvimento e consumação do Império Romano. Mas, a profecia diz que daquele mesmo reino, no futuro, "se levantarão dez reis". Isso significa que durante o período sombrio da Grande Tribulação se levantarão dez reis dentro dos limites do antigo Império Romano. São as dez pontas que João contemplou na cabeça da Besta que subiu do mar (Ap 13:1). Em Ap 17:12, o anjo celestial faz a interpretação para João daqueles chifres, dizendo: "... os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão o poder como reis, por uma hora, juntamente com a besta". Esses dez monarcas escatológicos serão dez agentes de Satanás, que, auxiliados por ele, ajudarão o Anticristo em sua política sombria pela conquista do mundo (c/c Ap 17:13).

- “... depois deles, se levantará outro(rei)...” (Dn 7:24). Aqui, refere-se ao “chifre pequeno” (Dn 7:8), que aparecerá depois dos dez chifres (dez reinos ou nações), isto é, no fim desta presente era, na área do antigo império romano. O pequeno chifre, aqui, difere do pequeno chifre de Dn 8:9, que provém do império grego e representa Antíoco Epifânio, uma figura do Anticristo. O pequeno chifre do presente texto provém da besta romana e subjuga três reinos pela força; os demais reinos parecem delegar seus poderes a ele. Ele profere blasfêmia contra o Altíssimo, isto é, o Ancião de dias (cf. 2Ts 2:4). Ele destruirá os santos, mediante perseguições, enquanto tentará mudar os “tempos” (datas para adoração religiosa especial) e as leis de Deus. Continuará a perseguir os santos durante um período de três anos e meio até ser destruído (cf. Dn 9:27; 12:11; 13:5). Como se vê o “pequeno chifre” se identifica perfeitamente com a primeira besta do livro de Apocalipse (Ap 13), que é comumente chamado o Anticristo. (5)

- "tempo, tempos e metade de um tempo” (Dn 7:25). Esse texto aponta, literalmente, o período de tempo em que ocorrerá um grande sofrimento no mundo, especialmente, contra Israel. Será o período quando "o chifre pequeno", e na linguagem do Novo Testamento o "Anticristo", firmará o concerto com Israel por "uma semana" (Dn 9:27). Esse período ganha uma linguagem metafórica quando fala de "um tempo, e tempos, e metade de um tempo"(Dn 7:25). Esse período equivale a "três anos e meio", ou a "42 meses", ou "a 1260 dias" (Dn 12:7; 9:27; Ap 7:14). É interessante notar que a primeira metade dos sete anos - três anos e meio - será de artifícios políticos do Anticristo, simulando um tipo de paz nas relações de Israel com as nações. Nesses primeiros três anos e meio o Anticristo fará acordos com Israel os quais não cumprirá. Nesse primeiro período ele exercerá poder e influência política e econômica sobre Israel. Depois, quebrará o pacto feito e não cumprirá o acordo com Israel e fará pressões e incitará as nações para guerrear contra Israel para destruí-lo.

A Grande Tribulação não será para a Igreja de Cristo. A igreja será arrebatada ao Céu antes da Grande Tribulação, e os mortos em Cristo serão ressuscitados gloriosamente (1Co 15:51,52; 1Ts 4:13-18). Portanto, o Messias virá para Israel e para o mundo, e a igreja não estará na Terra. O Messias virá para cumprir o sonho desejado e profetizado para intervir no "poder dos gentios" sob o comando do Anticristo e assumirá o Reino sobre a Terra. (4)

III. A VINDA DO FILHO DO HOMEM

1. A visão (Dn 7:13,14). "e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem".

Daniel chega ao clímax das visões e revelações. No versículo 13 está escrito literalmente que o Filho do homem "vinha nas nuvens do céu". Esta profecia é repetida em Atos 1:9-11, onde os anjos anunciaram que o Jesus que subiu gloriosamente ao céu haveria de vir. Posteriormente, na revelação que Jesus deu ao seu amado apóstolo João, a mensagem é repetida: "eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram" (Ap 1:7).

Daniel, em sua visão, viu esse personagem que vinha nas nuvens do céu e se identificava como "o filho do homem", o qual se dirigiu ao Ancião de dias. Não há dúvida que se tratava de Jesus Cristo. Este "Filho do homem" recebeu a concessão de poder e domínio sobre todas as nações para que o servissem, porque o seu domínio seria um domínio eterno que não passaria e seu reino não seria destruído.

Há quem pergunte como é possível determinar que o arrebatamento da Igreja e a segunda vinda de Cristo são dois acontecimentos separados. Podemos responder apontando para as formas como são distinguidos nas Escrituras Sagradas:

ARREBATAMENTO
SEGUNDA VINDA
1. Cristo vem nos ares (1Ts 4:17).
1. Cristo vem à Terra (Zc 14:4).
2. Vem para buscar seus santos (1Ts 4:16,17).
2. Vem com seus santos (1Ts 3:13; Jd 14).
3. O arrebatamento é um mistério, ou seja, uma verdade desconhecida no tempo do Antigo Testamento (1Co 15:51).
3. A segunda vinda de Cristo não é um mistério; constitui o tema de várias profecias do Antigo Testamento (Sl 72; Is 11; Zc 14).
4. Em nenhum momento, as Escrituras dizem que a vinda de Cristo para buscar seus santos é precedida de portentos celestiais.
4. Sua vinda com seus santos será anunciada por vários sinais nos céus (Mt 24:29-30).
5. O arrebatamento é identificado com o Dia de Cristo (1Co 1:8; 2Co 1:14; Fp 1:6,10).
5. A segunda vinda é identificada com o Dia do Senhor (2Ts 2:1-12).
6. O arrebatamento é apresentado como um tempo de benção (1Ts 4:18).
6. A ênfase da segunda vinda é sobre o julgamento (2Ts 2:8-12).
7. O arrebatamento ocorre num piscar de olhos (1Co 15:52), uma clara indicação de que o mundo não testemunhará sua ocorrência.
7. O mundo inteiro verá a segunda vinda (Mt 24:27; Ap 1:7).
8. O arrebatamento parece envolver principalmente a Igreja (João 14:1-4; 1Co 15:51-58; 1Ts 4:13-18).
8. A segunda vinda envolve principalmente Israel, mas também as nações gentias (Mt 24:1-25:46).
9. Cristo vem como a brilhante Estrela da Manhã (Ap 22:16).
9. Ele vem como sol da justiça (Ml 4:2).
10. O arrebatamento não é mencionado nos evangelhos sinópticos, mas João faz diversos alusões a ele.
10. A segunda vinda está presente nos evangelhos sinópticos, mas quase não é mencionado nada em João.
11. Os que forem levados serão abençoados (1Ts 4:13-18). Os que forem deixados serão julgados (1Ts 5:1-3).
11. Os que forem levados serão julgados. Os que forem deixados serão abençoados (Mt 24:37-41).
12. As Escrituras não fornecem um sistema de datação para acontecimento que precederão o arrebatamento.
12. As Escrituras fornecem um sistema de datação complexo para segunda vinda, como 1.260 dias, 42 meses, 3 anos e meio (cf. Dn 7:25; 12:7,11,12; Ap 11:2; 12:14; 13:5).
13. O título “Filho do homem” não é usado em nenhuma passagem que trata do arrebatamento.
13. A segunda vinda é descrita como a vinda do Filho do homem (Mt 16:28; 24:27,30,39; 26:24; Mc 13:26; Lc 21:27).

2. “Os santos do Altíssimo” (Dn 7:18). Na visão milenista e pré-tribulacíonísta, "os santos do Altíssimo" são, indubitavelmente, o povo judeu (Dn 7.21; 9.24; Ap 13.7; 17.6). Israel, durante o milênio, será cabeça das nações. Todos os santos participarão do reino e Jesus estará assentado sobre o trono de Davi e reinará para sempre. Jesus Cristo, "o filho do Homem", reinará literalmente na terra por mil anos.

O milênio não é mera alegoria; será real e literal, quando Jesus Cristo tomar posse do governo do mundo e desfazer o poder da trindade satânica constituída pelo Diabo, o Anticristo e o Falso Profeta.

3. A destruição do Anticristo (Dn 7:26,27). A vitória de Cristo e Seu exército na batalha do Armagedom porá fim ao sistema mundial gentílico que tem governado o mundo desde o início da história humana depois da expulsão do Éden. O sistema político estabelecido pelo Anticristo ruirá por completo e outro deverá ser estabelecido. Ocorre, então, o que foi profetizado por Daniel, ou seja, a pedra cortada sem mão que feriu a estátua do sonho do rei Nabucodonosor (Dn 2:34), pedra que encheu toda a terra (Dn 2:35). Esta pedra é Cristo, que passará a ser, de direito, o Governante de toda a Terra.

No Apocalipse, assim está narrado o fim do Anticristo: "E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e enxofre"(Ap 19.20). Portanto, o Anticristo e o Falso profeta, na Batalha do Armagedom, serão aniquilados pela espada que sai da boca de Cristo (isto é, por sua Palavra), e serão lançados vivos no lago de fogo e enxofre, que é o inferno propriamente dito (Ap 19:20). É o fim deles.

CONCLUSÃO

Daniel ficou perplexo ao ver essa invasão do mal na história e a devastação que ele opera. Não deveríamos nós também nos alarmar? Não deveríamos ter a mesma sensação de Daniel? Estamos vivendo os últimos dias da Igreja, e não precisa ser teólogo para compreender isso. A terra passa por grandes aflições, e não é nem o início das terríveis catástrofes que virão.

Muitos hoje estão mais preocupados com “o aqui e o agora” do que com o porvir, ludibriados por pregadores materialistas, e esquecem de que Jesus está às portas. Infelizmente estamos vivendo à síndrome da igreja de Laodicéia: materialmente rica, mas terrivelmente pobre no aspecto espiritual. A mornidão nuvea a igreja e empata a visão do sobrenatural de Deus. Muitos, hoje, correm o perigo de serem deixados para trás no dia da Vinda do Senhor Jesus. Precisamos de forma devocional nos dedicar mais à oração e à vigilância. Daniel conclui a visão do capítulo 7 com um gesto de humildade: “Mas guardei estas coisas no meu coração” (Dn 7:28). E nós, o que estamos guardando no coração?

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

(1) Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

(2) Ibidem.

(3) Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD,

(4) Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

(5) Bíblia de Estudo Pentecostal– pg.1258.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MORRE MYLES MONROE A ESPOSA E FILHA

Morre em acidente aéreo Myles Munroe e esposa



O acidente vitimou Munroe (60) , a esposa Ruth e  a filha Charis.  O casal tinha mais um filho, Myles Jr. que não estava no acidente. 



O mundialmente conhecido escritor e líder do Ministério da Fé de Bahamas, Myles Munroe, e sua esposa Ruth morreram em acidente aéreo na tarde deste domingo nas Grand Bahamas.

No acidente morreram também a filha do casal, Charis Munroe (O casal tinha mais um filho, Myles Jr.)  e mais seis pessoas. Segundo relatos, o avião particular do pastor se chocou com um grande guindaste de carga em um estaleiro das Bahamas e se despedaçou no pátio em frente. O Lear Jet 36 executivo fazia um curto trajeto entre dois aeroportos locais.

Segundo a versão online do Caribbean News Desk, o choque com o guindaste ocorreu as 17:10h (hora local) quando o jato fazia a aproximação para pouso no Grand Bahama International Airport . A fotografia a seguir foi tirada minutos antes da decolagem do voo fatídico e mostra as pessoas que morreram no acidente.


Na foto, os passageiros e tripulação mortos no acidente. A foto foi publicada em uma rede social minutos antes da decolagem do voo que vitimou Munroe e mais oito pessoas.

O mega pastor Munroe era um dos expoentes do movimento "Palavra da Fé"  e arrecadava fortunas em campanhas, seminários de liderança, venda de livros e aparições em todo o mundo. A audiência presencial de suas palestras motivacionais atingia a marca de   500.000 pessoas por ano.

Munroe esteve algumas vezes no Brasil a foi recepcionado inicialmente, por Robson Rodovalho da Sara Nossa Terra, a quem muito influenciou em seu caminho pela teologia da prosperidade e, num segundo momento, por Silas Malafaia que o recebeu em seus programas e congressos e editou alguns de seus livros no Brasil. Em função disto, as obras de Munroe vendiam muito bem no país.

Em seu perfil do Twitter, Malafaia lamentou a perda de seu parceiro de negócios e amigo.





No mundo, seus parceiros incluíam Benny Himm, Murdock e outros expoentes da teologia da prosperidade.

O ministério de Myles Munroe está organizando entre os dias 10-13 deste mês um fórum mundial de liderança em Freeport, Bahamas onde eram esperadas milhares de pessoas e convidados internacionais, muitos dos quais, já estavam no local no momento da divulgação do acidente. A página do ministério noticiou ontem a noite a morte do líder e informou aos seguidores que o evento iniciando hoje não seria cancelado, segundo a página: "esta seria a vontade do Dr. Munroe". Nesta segunda-feira, a página amanheceu com milhares de mensagem de condolências.






A teologia de Munroe


Munroe colocava ênfase em suas palestras e livros sobre o Reino de Deus e defendia uma escatologia pós milenista, em versão um tanto heterodoxa,  que promovia  o caminho da construção neste tempo de um reino de paz e amor universal, um paraíso na terra, mas em um contexto triunfalista, aos moldas da teologia da prosperidade. 


Destroços no estaleiro de Grand Bahamas
Outros dois  pontos polêmicos dos  ensinos  de Munroe incluíam: (1) uma compreensão de inspiração novaerista propondo a divisão da pessoa do Senhor entre Cristo e Jesus (Em seu livro "como compreender seu potencial", o autor escreveu "Jesus foi a manifestação humana do Cristo celestial" e "Quando queremos encontrar Cristo, Deus nos mostrará a Igreja. Entretanto, nós não podemos aceitar isso, porque acreditamos que Cristo está no céu. Não, ele não está. Jesus está no céu"). A sã doutrina é que em Cristo há uma só pessoa com duas naturezas: a divina e a humana; e (2) a defesa de uma heresia Mórmom acerca da existência humana -"Nós sempre existimos. No estado anterior, éramos invisíveis, mas mesmo assim já existíamos". Coríntios 15:46 refuta esta crença e deixa claro que a existência do homem é primeiro natural; depois  espiritual".

Biografia

Munroe era bacharel em Artes e Educação, belas Artes e Teologia pela Universidade Oral Roberts, grau de Mestre em Artes e Administração pela Universidade de Tulsa e doutor em honorário grau pela Oral Roberts Universidade. Em 1998, recebeu o prêmio de “Oficial do Imperio Britânico” (OBE), que foi outorgado pelo Rainha da Inglaterra e o prêmio Jubileu de Prata (SJA) do Governo de Bahamas, por sua contribuição ao crescimento e fortalecimento de Bahamas. Foi autor ou co-autor de mais de 100 livros, sendo 23 deles com ênfase na autoajuda e no encorajamento. Foi autor de "bíblias de estudo" e escrevia para diversas revistas e jornais.

FONTE: http://www.genizahvirtual.com/

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Tortura do Estado Islâmico

James Foley voltou para a cela que dividia com mais de 20 outros reféns ocidentais e explodiu em lágrimas de alegria. As perguntas que seus sequestradores haviam acabado de fazer eram tão pessoais -Quem chorou no casamento do seu irmão? Quem era o capitão do seu time de futebol no colégio?- que Foley teve certeza de que finalmente eles haviam estabelecido contato com a sua família.

Era dezembro de 2013, e mais de um ano se passara desde que Foley, jornalista de 40 anos, havia desaparecido no norte da Síria. Finalmente, seus pais souberam que ele estava vivo, e seu governo, acreditava ele, em breve negociaria a sua libertação.

O que parecia ser um ponto de inflexão foi, na verdade, o início de uma espiral descendente que terminou em agosto, quando ele, após ser forçado a se ajoelhar em alguma colina descampada da Síria, foi decapitado diante de uma câmera.
Jasper Juinen/The New York Times

Foto da prisão onde James Foley e outros reféns foram mantidos pelo Estado Islâmico

A história do que aconteceu na rede subterrânea de prisões do Estado Islâmico na Síria é de um sofrimento excruciante. Foley e outros reféns foram espancados e submetidos a afogamentos. Passaram fome e foram ameaçados de execução por um grupo de combatentes. Em seguida, foram entregues a outros, que lhes trouxeram doces e cogitaram libertá-los. Os prisioneiros se uniram, jogavam para passar as horas sem fim, mas, à medida que as condições se tornavam mais desesperadoras, eles se voltaram uns contra os outros. Alguns, como Foley, procuraram conforto na fé de seus captores.

O cativeiro de Foley coincidiu com a ascensão da facção que viria a ser conhecida como Estado Islâmico, criada a partir do caos da guerra civil síria. Ela não existia quando Foley foi sequestrado, mas lentamente cresceu para se tornar o movimento rebelde mais poderoso e temido na região. No segundo ano de seu cativeiro, os combatentes já acumulavam mais de 20 reféns e haviam concebido uma estratégia para trocá-los por dinheiro.
Ele era um entre pelo menos 23 reféns ocidentais de 12 países, a maioria de nações com histórico de pagamento de resgates por seus cidadãos.

Com o tempo, a jornada de cada refém começou a divergir em razão das reações de Washington, Paris, Madri, Roma e outras capitais aos sequestros.

CAPTURADOS NUM CYBERCAFÉ

Dois anos atrás, em Binesh (Síria), Foley e o fotojornalista britânico John Cantlie estavam indo para a Turquia quando pararam em um cybercafé para enviar seus trabalhos.

Um homem entrou, segundo relata Mustafa Ali, tradutor sírio que acompanha ocidentais. "Ele não sorriu nem disse nada. Olhou para nós com maldade nos olhos." O homem "foi até o computador e se sentou por apenas um minuto", disse Ali.

Foley, freelance americano que colaborava com o GlobalPost e a agência France Presse, e Cantlie, fotógrafo de jornais britânicos, continuaram transmitindo seus arquivos, segundo Ali, cujo relato foi corroborado por e-mails que os jornalistas enviaram naquele dia.

Mais de uma hora depois, eles chamaram um táxi para percorrer os 40 km até a Turquia. Mas nunca chegaram. Os pistoleiros que saíram ao encalço do táxi não se intitulavam Estado Islâmico, porque esse grupo ainda não existia em 22 de novembro de 2012, o dia em que os dois homens foram capturados.

Sequestros realizados por grupos de combatentes que disputavam influência na Síria se tornaram mais frequentes desde então. Em junho de 2013, quatro jornalistas franceses foram feitos reféns.

Em 4 de agosto do mesmo ano, o tradutor sírio Yosef Abobaker ajudou o jornalista americano Steven J. Sotloff a entrar no país. "Eles devem ter tido um olheiro na fronteira que viu meu carro e disse a eles [sequestradores] que eu estava a caminho", disse Abobaker, que foi libertado duas semanas depois.

Em outubro, Peter Kassig, 25, técnico de emergência médica oriundo de Indiana, foi sequestrado em um posto de controle. Em dezembro, Alan Henning, taxista britânico que havia comprado uma ambulância na esperança de se juntar a uma caravana de ajuda, desapareceu em outra barreira de controle. Fazia meia hora que ele havia entrado na Síria.

Com a guerra civil, um crescente número de combatentes estrangeiros havia inundado a Síria, sonhando em estabelecer um "califado". Esses jihadistas, muitos deles veteranos da "sucursal" da Al Qaeda no Iraque, tinham aparência e comportamento diferente dos rebeldes moderados. Eles usavam barbas compridas. Falavam com sotaques estrangeiros, do golfo Pérsico, do norte da África, da Europa e de outros lugares.
GlobalPost/Associated Press

O jornalista americano James Foley


UM AMERICANO CHAMADO ABU HAMZA

"Dava para ver as cicatrizes nos tornozelos dele", disse o belga Jejoen Bontinck, 19, que dividiu cela com Foley em Aleppo por três semanas, em meados de 2013. "Ele me contou como haviam acorrentado os pés dele a uma barra, que depois penduravam para que ele ficasse de cabeça para baixo", disse Bontinck, que se converteu ao islã. "Aí o deixaram lá."

Bontinck, que foi libertado no ano passado, está agora sendo julgado por suspeita de pertencimento ao grupo terrorista. Ele disse que, durante o tempo em que estiveram juntos, ele, Foley e Cantlie ficavam de pé sempre que escutavam o chamado à oração. Foley já havia se convertido ao islamismo logo após sua captura, adotando o nome de Abu Hamza, segundo Bontinck. Essa versão foi confirmada por outras fontes.

"Eu recitava o Alcorão com ele", disse Bontinck. "A maioria das pessoas diria: 'Vamos nos converter para podermos ter um tratamento melhor'. Mas, no caso dele, acho que era sincero."

Poucos reféns se mantiveram fiéis às suas próprias religiões, incluindo Sotloff, então com 30 anos, judeu praticante.

Reféns recém-libertados contaram que, diferentemente dos prisioneiros sírios, que ficavam acorrentados a radiadores, Foley e Cantlie podiam se movimentar livremente em sua cela.

Bontinck disse que perguntou ao emir da prisão, um cidadão holandês, se os militantes haviam pedido algum resgate pelos estrangeiros. Ele disse que não.
Reprodução

Imagem retirada de vídeo que mostra decapitação de James Foley por terrorista do EI


"Explicou que havia um plano A e um plano B", disse Bontinck. Os jornalistas seriam colocados sob prisão domiciliar ou então recrutados para um campo de treinamento jihadista.

Quando Bontinck foi solto, pensou que os jornalistas logo seriam libertados.

SURGE UM ESTADO TERRORISTA

A guerra civil síria, anteriormente dominada por rebeldes laicos e alguns grupos jihadistas rivais, estava se alterando de forma decisiva, e o novo grupo extremista havia assumido uma posição dominante. Em algum momento do ano passado, o contingente de Aleppo jurou lealdade ao então denominado Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Outras facções armadas uniram forças ao grupo, que assim começou a acumular prisioneiros.

Em janeiro, havia pelo menos 19 homens em uma cela de 20 metros quadrados, e quatro mulheres numa cela contígua.

Todos, exceto um, eram europeus ou norte-americanos.
Arquivo pessoal/PA Wire/Associated Press

Imagem sem data de Alan Henning, britânico morto pelo Estado Islâmico


Mais preocupante foi o fato de os guardas francófonos serem substituídos por outros que falavam inglês. Foley os reconheceu como sendo os mesmos que o haviam chamado de "desobediente" durante as piores torturas em um local anterior. Os reféns os apelidaram de "Beatles".

Os guardas instituíram um rigoroso protocolo de segurança. Quando se aproximaram da cela onde estava o fotojornalista polonês Marcin Suder, eles gritaram "arba'in", o número 40 em árabe. Era a senha estabelecida para que o refém se voltasse para a parede, permitindo que os guardas entrassem sem que seus rostos fossem vistos pelo prisioneiro.

Depois de meses mantendo reféns sem fazer exigências, os jihadistas elaboraram um plano para o resgate deles.

TRIAGEM E NEGOCIAÇÕES

Em dezembro, os militantes haviam trocado vários e-mails com familiares de Foley e dos demais reféns. Após as primeiras perguntas para uma prova de vida, Foley ficou esperançoso de que em breve estaria em casa.

Como o seu segundo Natal longe de casa se aproximava, ele organizou uma troca de presentes, algo tradicional na família Foley. Cada prisioneiro deu ao outro um presente montado a partir do lixo. Foley recebeu um círculo feito com a cera de um toco de vela, para amortecer a testa quando se inclinasse para orar.

Conforme as semanas se passavam, Foley notou que seus companheiros de cela da Europa continental eram repetidamente chamados a sair para responder perguntas. Mas os norte-americanos e britânicos, não.
Logo os prisioneiros perceberam que os sequestradores haviam identificado quais nações estavam mais propensas a pagar resgates, segundo um ex-refém.
Lefteris Pitarakis/Associated Press

Fumaça é vista na cidade curda de Kobani, na Síria, onde curdos enfrentam o Estado Islâmico


"Os sequestradores sabiam quais países seriam os mais propícios às suas exigências e criaram uma ordem baseada na facilidade com que eles julgavam que poderiam negociar", disse um deles. "Começaram com os espanhóis."

À medida que as negociações sobre os prisioneiros espanhóis progrediam, os militantes se voltaram para os quatro jornalistas franceses.

Os prisioneiros europeus passaram a gravar vídeos que seriam enviados às suas famílias e seus governos. Esses vídeos acabaram incluindo ameaças de morte e prazos para a execução, num esforço dos prisioneiros para obrigar suas nações a fazer os pagamentos.

Em um dos vídeos, os militantes colocam em fila os reféns franceses com berrantes uniformes laranja, imitando os trajes que os EUA dão aos seus prisioneiros na base de Guantánamo, em Cuba.

Os sequestradores também começaram a praticar o "waterboarding" (afogamento simulado) em um grupo seleto, da mesma forma como os interrogadores da CIA haviam tratado prisioneiros muçulmanos durante a gestão de George W. Bush, contam ex-reféns e testemunhas.

Os três norte-americanos e os três britânicos foram escolhidos para o pior abuso, tanto por causa das insatisfações dos militantes contra seus países quanto pelo fato de Washington e Londres se recusarem a negociar.

A pessoa que sofreu o tratamento mais cruel, segundo ex-reféns, foi Foley. Ele foi repetidas vezes submetido a execuções simuladas e ao "waterboarding", que pode levar a vítima a desmaiar.

"Quando não havia sangue", disse um ex-colega de cela, "sabíamos que ele havia sofrido algo ainda pior".
Site Intelligence Group/AFP

Imagem de vídeo da execução de David Haines


Em um porão, a única iluminação para os reféns era a fresta de luz solar que se filtrava sob a porta. Na maioria dos locais havia poucos cobertores e nenhum colchão. Alguns dos prisioneiros pegavam calças velhas, amarravam a ponta e enchiam as pernas das calças com trapos, criando travesseiros improvisados.

Os prisioneiros começaram a se desentender. Brigas irromperam.

Foley compartilhava suas parcas rações e ofereceu seu único cobertor a outro prisioneiro. Mantinha os demais entretidos, propondo atividades como o Risco, um jogo de tabuleiro que consiste em deslocar Exércitos imaginários sobre um mapa.

DESTINO SELADO

Já no primeiro semestre deste ano, os reféns foram transferidos para Raqqa, capital do autodeclarado califado do Estado Islâmico.

Foley observou como seus companheiros de cela eram libertados mais ou menos a cada duas semanas. Era difícil se manter esperançoso, mas Foley, que fez campanha para o presidente Barack Obama, continuou acreditando que seu governo viria em seu socorro, segundo sua família, que ficou sabendo disso pelos reféns recém-libertados.

Em 27 de maio, os poucos reféns remanescentes foram lembrados de que diferentes passaportes prenunciavam diferentes destinos. Os que haviam sido capturados juntos eram, geralmente, libertados juntos.

Mas não foi assim para dois trabalhadores humanitários, um italiano e outro britânico, a serviço da pequena ONG francesa Agência de Cooperação Técnica e Desenvolvimento. Eles haviam sido capturados perto da fronteira com a Turquia, depois de distribuírem barracas num campo de refugiados.

No final de maio, o italiano Federico Motka soube que poderia sair, de acordo com um companheiro de cativeiro, supostamente depois de a Itália pagar um resgate -o que Roma nega ter feito. Mas seu colega britânico, David Cawthorne Haines, foi decapitado em setembro.
Kai Pfaffenabch/Reuters

Curdas da Turquia observam cidade de Kobani do outro lado da fronteira, onde EI é combatido


Quinze reféns foram soltos entre março e junho, graças a resgates no valor médio de € 2 milhões (R$ 6 milhões) por cada refém, segundo os ex-cativos e pessoas próximas a eles.

Em junho restavam apenas sete prisioneiros -quatro americanos e três britânicos, ou seja, todos eles cidadãos de países cujos governos se recusaram a pagar resgates.

Em um artigo publicado recentemente numa revista oficial do Estado Islâmico, os jihadistas descrevem os ataques aéreos comandados pelos EUA desde agosto como o fato que selou o destino dos reféns.

Em agosto, quando os militantes foram buscar Foley, o fizeram calçar sandálias de plástico. Eles o levaram de carro até uma colina sem vegetação nos arredores de Raqqa. Obrigaram-no a se ajoelhar. Ele olhou diretamente para a câmera, com expressão desafiadora. Em seguida, eles cortaram sua garganta.

Duas semanas depois, apareceu no YouTube um vídeo semelhante, mostrando a morte de Sotloff. Em setembro, os militantes colocaram a execução de Haines na internet. Em outubro, mataram Henning.

Em toda a Europa, os que haviam sobrevivido engoliram em seco ao verem as imagens da morte de Foley: os chinelos de plástico barato que apareciam ao lado do corpo eram o mesmo par que os demais prisioneiros haviam compartilhado na prisão.

Folha Online

FONTE: http://www.dihitt.com/barra/antes-de-serem-mortos-refens-foram-torturados-e-enganados-pelo-estado-islamico

domingo, 2 de novembro de 2014

ATRIZ PORNÔ ABANDONA CARREIRA PARA CASAR COM PASTOR

Atriz pornô abandona carreira e se converte ao Evangelho para casar com pastor pentecostal

Atriz pornô abandona carreira e se converte ao Evangelho para casar com pastor pentecostal
Uma famosa atriz pornô abandonou a indústria de filmes adultos e se casará com um pastor evangélico. A notícia inusitada envolve Crystal DiGregório e o pastor Dave Bassette, que ministra em uma igreja pentecostal em Nova York.
Crystal e Dave se conheceram em junho deste ano, dias após a então atriz ter gravado seu último filme pornográfico, e começaram a namorar em agosto. Agora, planejam o casamento para janeiro de 2015, segundo informações do site Global Flare.
“Nunca me vi indo a esse extremo. Mas Deus te leva para essas direções”, disse Crystal, que usava o pseudônimo Nadia Hilton em seus filmes. Ela e o noivo se conheceram na igreja em Oswego, onde o pai de Dave é pastor, e foram apresentados um ao outro por sua irmã, Jessica Reynolds, que é amiga há anos de Dave.
Aos 30 anos, Crystal tenta um recomeço também na vida profissional, e agora trabalha como assistente jurídica em um escritório de advocacia e usa um figurino como recomendam as igrejas pentecostais: saias até abaixo do joelho.
O pastor Dave se disse feliz pelo fato de Crystal ter aceitado mudar sua vida não apenas para estar com ele, mas principalmente pelos benefícios a ela mesma e por sua aproximação a Deus.
A ex-atriz corrobora o pensamento: “Não mudei por ele, mas por Deus e por mim mesma. Dave ama os meus filhos. É muito bom com eles”, afirmou Crystal.
Questionado sobre a antiga profissão de sua noiva, Dave Bassette disse tudo agora faz parte do passado: “Se Cristo deixou [os pecados] lá, quem sou eu para trazê-lo para fora?”, questionou o pastor.
http://noticias.gospelmais.com.br/

terça-feira, 14 de outubro de 2014

PARTIDO DOS TRABALHADORES ABORTO E MACONHA

PT critica conservadorismo no Congresso e prevê dificuldade para legalização do aborto e maconha

PT critica conservadorismo no Congresso e prevê dificuldade para legalização do aborto e maconha
A nova formatação do Congresso Nacional, descrita como a mais conservadora dos últimos 50 anos, poderá impor sérias dificuldades à aprovação de pautas consideradas “progressistas”, como por exemplo, legalização do aborto e descriminalização da maconha.
Dentro desse cenário, o Partido dos Trabalhadores publicou em seu site oficial um artigo com críticas ao perfil dos parlamentares escolhidos nas urnas. Nestas eleições, o PT teve uma redução no número de deputados federais e senadores.
O artigo tem um título sarcástico – “Novo Congresso será Jurassic Park ideológico” – e afirma que “no domingo passado [05 de outubro], emergiu um Parlamento repleto de religiosos, ruralistas e militares de extrema-direita como há muito não se via no Brasil”.
Sem reconhecer que a escolha dos eleitores foi uma reação aos escândalos de corrupção que levaram parlamentares petistas à prisão, como João Paulo Cunha e José Genoíno (PT-SP), e à forte ideologia de esquerda contida em suas propostas, o partido afirma que a eleição de religiosos e conservadores é “reflexo do clima geral de desqualificação da política”.
No texto, o PT expõe seu temor de que o novo Congresso Nacional seja avesso às suas principais propostas ideológicas: “O novo quadro dificultará o debate sobre pautas como a união homoafetiva, a legalização do aborto e a descriminalização da maconha para fins medicinais e de consumo recreativo”, diz o artigo, em tom de lamento.
O PT afirma ainda que a esperança de que essas pautas sejam aprovadas reside na possibilidade da atual presidente vencer as eleições: “Se a Dilma for eleita, essas pautas terão mais condições de resistir, porque Aécio [Neves] não tem uma postura clara em relação a elas”.
O deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), também lamentou a reeleição dos oposicionistas Jair Bolsonaro (PP-RJ) e pastor Marco Feliciano (PSC-SP): “O primeiro é defensor da ditadura, da tortura, da pena de morte, da redução da maioridade penal e contrário ao casamento homoafetivo. Feliciano também é contra a união entre pessoas do mesmo sexo e chegou a ser denunciado por declarações racistas feitas pelo Twitter”, criticou o parlamentar, segundo informações do Novo Guia.
FONTE: http://noticias.gospelmais.com.br/

domingo, 12 de outubro de 2014

PROTESTO PARA LEGALIZAR ABORTO

Ativistas seminuas usam cruz e coroa de espinhos para pedir legalização do aborto em frente a templo

Ativistas seminuas usam cruz e coroa de espinhos para pedir legalização do aborto em frente a templo
Um grupo de ativistas gays usou símbolos religiosos do cristianismo durante um protesto chamado “beijaço” em frente a um templo católico no Rio de Janeiro, e causou grande indignação nas redes sociais.
O protesto dos militantes LGBT era contra a forma que a fé cristã se posiciona sobre a homossexualidade e contra o candidato à presidente Levy Fidelix (PRTB), que afirmou em rede nacional durante o debate promovido pela TV Record que “dois iguais não fazem filhos”.
As ativistas Sara Winter e Bia Spring estavam seminuas, coladas a uma cruz de papelão e com uma coroa de espinhos sobre a cabeça, e se beijaram em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. No alto da cruz, uma placa com a sigla “LGBT” ocupava o lugar da inscrição I.N.R.I. (acrônimo de Iesus Nasarenus Rex Iudaeorum, do latim, “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”).
“Há uma grande quantidade de candidatos e políticos eleitos que estão diretamente envolvidos com instituições religiosas, sobretudo cristãs, que tanto atrasam o desenvolvimento de nossa política, principalmente com relação aos direitos reprodutivos da mulher e também às políticas públicas voltadas para o público LGBT”, disseram as ativistas ao jornal O Dia.
O uso de símbolos cristãos em passeatas e manifestações de ativistas gays não é novidade. Outros militantes homossexuais já se valeram do mesmo expediente durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro em 2013, e na presença de diversos fiéis católicos, quebrou símbolos de fé da denominação.
Anos atrás, o pastor Silas Malafaia usou seu programa de TV para denunciar o uso de referências aos santos católicos durante a Parada Gay em São Paulo.
“Isto é discriminação religiosa! A cruz é o símbolo do cristianismo! Cadê o Ministério Público que não vê este absurdo? Por que eles podem tudo? Mas se fossemos nós só pelo fato de não concordarmos com a prática homoafetiva seríamos taxados como homofóbicos. Dois pesos, duas medidas. Respeito a diferença”, disparou a internauta Teresinha Neves em sua página no Facebook.
FONTE: http://noticias.gospelmais.com.br/