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quarta-feira, 6 de julho de 2016

BIANCA TOLEDO E MARIDO SEPARAM-SE


Bianca Toledo anuncia separação por caso de homossexualidade e pedofilia do marido

"Eu fui enganada. Mas se essa é a minha missão, eis-me aqui", disse a pastora em tom de tristeza, em um vídeo publicado por ela nas redes sociais.

FONTE: GUIAME
ATUALIZADO: TERÇA-FEIRA, 5 JULHO DE 2016 AS 11
Em tom de tristeza, Bianca revela que Felipe era homossexual e cometeu pedofilia. (Foto: Anna Theodora Photography)
Em tom de tristeza, Bianca revela que Felipe era homossexual e cometeu pedofilia. (Foto: Anna Theodora Photography)
A pastora e escritora Bianca Toledo anunciou separação do pastor Felipe Heiderich na noite desta terça-feira (5) em um vídeo publicado nas redes sociais. Em tom de tristeza, ela revela que Felipe era homossexual e cometeu pedofilia.
“O que eu descobri é muito grave, muito grave. No dia em que eu o confrontei, ele chegou a confirmar comigo que ele tinha um quadro de homossexualidade latente no tempo vigente do meu casamento com ele, o que me fez desejar cancelar esse casamento”, disse ela, explicando o motivo da separação.
Bianca conta que após um momento de confronto entre o casal, Felipe tentou suicídio numa noite em que ela não estava em casa. Depois disso, ele foi internado em uma clínica psiquiátrica. “Na clínica, ele foi diagnosticado com uma psicose maníaco depressiva, com neurose grave, duplas personalidades”, relata Bianca.
A escritora também falou sobre uma situação que envolve pedofilia. “Como mãe, eu posso dizer que esses foram os piores dias da minha vida. Ele está cautelado por crime de pedofilia. Eu estou aguardando a justiça do céu e a justiça da terra”.
Algumas horas antes de publicar o caso, a pastora havia cancelado sua participação no Encontro de Mulheres que aconteceria no próximo sábado (9), na Expoevangélica.
No Facebook, Bianca informou que "a anulação do casamento foi aceita como legítima diante das provas apresentadas ao juiz, e que o pedido de prisão foi feito mediante comprovação suficiente". Ela disse também que na quarta (6) haverá uma sessão sobre seu caso na Assembleia Legislativa, dirigida pelo Senador Magno Malta — que está acompanhando o processo de perto. A reunião será exibida pela TV Senado.
“Eu fui enganada. Eu fui enganada. Mas se essa é a minha missão, eis-me aqui. Eu tenho clamado para que tudo o que está em oculto na Igreja do Senhor seja revelado, e eu fui tocada por essa revelação, mas o Senhor me livrou e eu quero que a justiça seja feita, em nome de Jesus”, finalizou.
Assista ao vídeo completo:


FONTE: http://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/bianca-toledo-anuncia-separacao-por-caso-de-homossexualidade-e-pedofilia-do-marido.html

segunda-feira, 4 de julho de 2016

EBD Aula 2 do Terceiro Trimestre


Aula 02 - DEUS, O PRIMEIRO EVANGELISTA

3º Trimestre/2016

Texto Base: Gênesis 12:1-8

"Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gen­tios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti"(Gl 3.8).



INTRODUÇÃO

A proclamação evangelística teve início na criação e estende-se até a consumação de todas as coisas. Deus se compraz em comunicar o evangelho da salvação, quer pessoalmente, quer por intermédio da sua criação, quer por intermédio de seus arautos. Até mesmo em seus juízos, entrevemos o inexplicável amor, que o constrangeu a entregar o Seu Filho Unigênito a morrer em nosso lugar. A maior mensagem do evangelho é o anúncio de que Jesus Cristo morreu, vicária e substitutivamente, em nosso lugar - “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós...” (Rm 8:32). O desejo do Pai é tão grande por incluir-nos em seus domínios eternos que imolou o Cordeiro antes da fundação do mundo. Em Apocalipse, o Espírito Santo revelou a João que o Senhor Jesus, para redimir-nos, não morreu apenas no tempo. Na presciência divina, o Cordeiro de Deus já estava morto antes mesmo dos eventos registrados em Gênesis (Ap 13:8). Nossa redenção, por esse motivo, transcende o tempo e os eventos da criação; é eterna (Hb 9:12). Portanto, quando ainda não havia pecado, ou pecadores, o amoroso Deus já tinha estabelecido as bases da nossa salvação. A morte do Cordeiro, na presciência de Deus, foi a primeira nota evangélica da história sagrada. Na sentença sobre o pecado, o Deus Pai anuncia a redenção do pecador (Gn 3:15). Antecipadamente, prega o evangelho do Unigênito à humanidade, representada, ali, no primeiro ser humano. Antes mesmo que houvesse tempo, proclamou a salvação eterna. Era como se Deus, num tabernáculo vazio, chamasse os pecadores, que ainda não existiam, ao arrependimento. Deus, portanto, foi o primeiro evangelista. A exemplo do Senhor dos Céus e da Terra, proclamemos com zelo o Evangelho de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

I. A CHAMADA DE ABRAÃO

Os onze primeiros capítulos de Gênesis relatam a tentativa da parte de Deus em se revelar ao homem e trazê-lo à consciência das coisas, à verdade dos fatos. O ápice dessa auto-revelação divina se deu com Abraão, onde foi estabelecida a Aliança de Deus, que efetivou essa auto-revelação divina para o homem (Gn 12-50). É a partir de Abraão que começa de fato a história da salvação de Deus por intermédio do seu povo, Israel. Por isso, faz todo o sentido dizer que Deus foi o primeiro evangelista, pois a primeira iniciativa de se revelar ao homem foi exclusivamente dele. Após o Dilúvio e a geração de Noé, Abrão foi a primeira pessoa que entendeu e aceitou o propósito de Deus para efetivar a sua Aliança em toda a Terra. Deus chamou Abraão para uma missão especial, e ele obedeceu ao chamado. Abraão ouviu a voz de Deus e saiu, pela fé, da sua terra, do meio da usa parentela para uma terra que Deus haveria de lhe mostrar. O propósito de Deus era, a partir de Abraão e dos seus descendentes, preparar o mundo para a chegada do Messias. Deus amou a humanidade perdida e tal maneira que não mediu esforços para anunciar as Boas-Novas.

1. Abraão, o caldeu. Ao ser chamado por Deus a peregrinar numa terra desconhecida e mui distante, Abraão não passava de um gentio como eu e você. Era um caldeu entre os caldeus. Em torno do ano 2.100 a.C., o Senhor tirou Abrão de Ur dos Caldeus. Toda a sua família saiu com ele e se instalou em Harã (Gn 11:31;15:7). De tal forma converte-se Abraão ao Deus único e verdadeiro que, ante o seu chamamento, deixa uma cidade segura e confortável para andejar um chão ermo e cheio de sobressaltos. Suas experiências com o Senhor são profundas; faz-se amigo de Deus (Is 41:8; 2Cr 20:7; Tg 2:23). Depois de muito tempo habitando em Harã, Deus chamou Abrão e fez-lhe a seguinte promessa: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gn 12:1-2). Não demora para que o seu nome seja mudado, indicando uma nova dimensão em sua vida espiritual. Dantes, era Abrão: grande pai. Mas, agora, é Abraão, que em hebraico significa pai de uma multidão não somente étnica, mas destacadamente espiritual (Gn 17:5). Logo, o patriarca hebreu torna-se o nosso pai na fé (Tg 2:21). O pr. Claudionor de Andrade pormenoriza essa chamada da seguinte forma:

a) uma chamada que transcende a nacionalidade. Deus intima Abraão a deixar a sua nacionalidade: “Sai-te da tua terra”. A fé no Deus único e verdadeiro não pode circunscrever-se a uma nacionalidade. Seu caráter reivindica que ela seja proclamada a todos, em todo o tempo e lugar, por todos os meios.

Ao contrário de Abraão, o povo de Israel, não conseguiu transcender a própria nacionalidade na divulgação da verdadeira fé. Restringiu a sua fé a um território, a uma cidade, a um santuário e a um objeto sagrado. Embora fundasse uma terra santa, não foi suficientemente zeloso para santificar os povos além de suas fronteiras. Ao eleger Jerusalém como a cidade santa por excelência, não saiu, a partir dela, a proclamar a Palavra de Deus até aos confins da terra como fez o profeta Jonas. Quanto ao Santo Templo, achava que Deus estava restrito àquela casa e que, de lá, jamais sairia. E, para completar o seu exclusivismo religioso, os israelitas fizeram da arca sagrada um totem. Supunham que, tendo-a por perto, nenhum mal viria a alcançá-los. Porém, o Senhor mostrou-lhes que aquele objeto tão belo e tão cobiçado viria a perder-se um dia (Jr 3:16).  O Deus de Israel é também o Deus de todos os povos, porque sua é a terra e a sua plenitude. Até mesmo os apóstolos demoraram a entender o alcance universal do evangelho de Cristo. Fez-se necessária a convocação de um concílio, para que, iluminados pelo Espírito Santo, autorizassem Paulo e Barnabé a prosseguirem o seu ministério junto aos gentios.

b) uma chamada que transcende a etnia. Deus ordenou também a Abraão que deixasse a sua parentela, pois o chamava a ser o pai de todos os que creem. Então, como haveria ele de confinar-se à etnia hebreia, se o mais ilustre de seus descendentes, Jesus Cristo, haveria de morrer por todos os povos? Abraão obedeceu ao chamado de Deus, porém, os israelitas, ignorando a natureza de sua chamada universal, isolam-se nacionalmente. Porém, a grandeza de Israel não está em sua nacionalidade, nem em sua etnia; reside em sua herança espiritual.

Coisa parecida aconteceu com os apóstolos de Cristo. A fim de arrancar os apóstolos ao exclusivismo, o Senhor concede a Pedro a visão global do evangelho. No lençol descido do céu, Pedro contempla toda sorte de animais imundos e repulsivos. Em seguida, ouve do próprio Jesus: “Não faças tu comum ao que Deus purificou” (At 10:15). A partir daquele momento, a Igreja de Cristo, ainda majoritariamente judaica, internacionaliza-se até alcançar os povos mais inalcançáveis.

c) uma chamada que transcende a família. Abraão foi chamado a deixar a casa de seu pai, pois a família que dele sairia não se fundaria em laços de sangue, mas numa aliança espiritual. A fé no Deus único e verdadeiro seria capaz de unir, num mesmo corpo, em Jesus Cristo, todos os povos da Terra. Portanto, todos os que o aceitam são chamados para fora de sua nacionalidade, etnia e família, a fim de formar um só organismo espiritual. Assim é descrita a Igreja de Cristo pelo apóstolo Paulo: “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:26-28).

2. Abraão, o evangelizado. Após a morte de Terá, pai de Abrão, o Senhor chama Abrão a uma nova realidade espiritual. E, nesse momento, proclama-lhe o Evangelho Eterno: "Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção" (Gn 12:1,2). O apóstolo Paulo enfatiza esta prerrogativa: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti" (Gl 3:8). Deus individualiza a chamada de Abraão, a fim de universalizar a convocação de todas as nações a crer em Jesus Cristo.

3. O evangelista Abraão. Deus chamou Abraão não somente para ser pai de muitas nações, mas para ser, também, um profeta um mensageiro do grande amor de Deus entre os gentios (Gn 20:7). Abraão implantou a genuína fé no Deus Todo Poderoso naquela região pagã, levando os seus descendentes a adorar ao único e verdadeiro Deus. Abraão pregou não somente aos ouvidos, mas também aos olhos. A sua reputação testemunhava com muita expressão que só o Senhor é o verdadeiro Deus.

Quando obteve a vitória contra os reis invasores, Abraão deu uma grande lição resistindo à tentação do enriquecimento ilícito (Gn 14:22,23). Vem ao seu encontro nada mais, nada menos que o rei de Sodoma. Ele ofereceu a Abrão todas as riquezas sodomitas, mas ele recusa a sua oferta. Segundo o costume daquele tempo, o libertador guardava para si o despojo quando resgatava do inimigo; mas Abraão não quis que ninguém, exceto Deus, pudesse dizer que o havia enriquecido. Demonstrou que ele não dependia de um rei humano, mas do Rei do Céu a quem havia "levantado a sua mão" - "Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, que desde um fio até a correia de um sapato, não tomarei coisa alguma do que é teu, para que não digas: eu enriqueci a Abrão".

Esta atitude de Abrão é uma grande lição para nós. Isto é pregar aos olhos de quem nos rodeia. Temos tornado esta expressão do patriarca uma realidade, ou já temos sido enriquecidos pelas benesses e vantagens aparentes do mundo de pecado? Será que não temos tido dores e problemas em nossas vidas por causa do "enriquecimento" proveniente do inimigo? A Bíblia diz que só as bênçãos do Senhor é que enriquecem e não acrescentam dores (Pv 10:22). Por isso, recusemos todo e qualquer enriquecimento que não provenha de Deus!

II. A PALAVRA DE DEUS É EVANGÉLICA

O que vem à sua mente quando você ouve a expressão Palavra de Deus? Veja o que diz o livro de Jó, capítulo 38, no verso 7. Na Bíblia na linguagem de hoje este texto foi traduzido assim: "Na manhã da criação as estrelas cantavam em coro, e os servidores celestiais soltavam gritos de alegria. Certamente ecoou nos pensamentos e lábios dos seres criados: "Bendita Palavra de Deus".

Depois de criar todas as coisas por Sua palavra, Deus usaria esta mesma Palavra para se revelar ao homem. Tornar-se conhecido, ser íntimo do homem. No princípio Deus falava face a face com Adão. Você já imaginou o que a conversa de Deus com Adão produzia de bem-estar na existência do primeiro homem? Isto não é difícil de se imaginar, porque você, assim como eu, já deve ter tido determinadas conversas com amigos ou parentes, aquelas conversas gostosas que mais parecem uma fonte de vida e ânimo do que qualquer outra coisa. Assim deveria ser entre Adão e Deus. Era uma conversa, uma comunhão vivificante. Ouvir Deus falando, conversar e estar com Ele deveria ser a melhor parte do dia de Adão e Eva.

Infelizmente, o diabo veio com o pincel do pecado e borrou todo o quadro perfeito que Deus havia criado. Por causa disto, a palavra de Deus não pode mais chegar ao homem livremente. Houve uma barreira na comunicação entre Deus e o homem (Is 59:2). A partir de então Deus se comunicaria de forma especial, através de pessoas escolhidas, para serem porta-vozes de Deus, e eles são chamados de profetas. Quarenta profetas que ao longo de aproximadamente 1500 anos escreveram o que conhecemos como a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.

O apóstolo Paulo afirmou em 2Tm 3:16 que "toda a Escritura é inspirada por Deus". A palavra traduzida por inspirada, vem do grego theopneustos que significa literalmente "proveniente do fôlego de Deus". Foi Deus quem inspirou os pensamentos dos profetas e eles com suas próprias palavras, estilos e expressões comunicaram as verdades divinas aos homens. Pedro diz que "homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2Pd 1:21). Os escritores bíblicos indicaram que o Espírito Santo foi a fonte de suas revelações. Davi declarou: "O Espírito do Senhor fala por mim, e a Sua palavra está na minha língua" (2Sm 23:2). Paulo escreveu: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns deixarão a fé" (1Tm 4:1).

A conclusão que se chega é que Deus é o autor da Bíblia e a Bíblia é a Palavra de Deus. Quando você entra em contato com a Bíblia é como se você tivesse ao seu lado um divino e amorável conselheiro para orientar e ajudar em todos os seus caminhos. Paulo ainda diz: "Pois tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência, e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança" (Rm 15:4).

Consolo, esperança, ensino e salvação são resultantes do contato com a palavra de Deus. Quando você olhar para a Bíblia Sagrada busque enxergar mais do que papel e tinta. Ela é a Palavra de Deus e pode criar em você um estado de harmonia interior, de paz, bondade, amor, fidelidade, humildade, domínio próprio.

1. A Lei de Moisés é evangélica. Ela é evangélica porque o Senhor Jesus, cabeça da Igreja (Ef 5:23), validou toda a Lei Mosaica, ao afirmar: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei” (Lc 16:17). Ele avançou mais um passo, dizendo: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17). Jesus, ao nascer, também foi colocado sob a Lei: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4). Ele foi criado e educado segundo os preceitos da Lei, pois cumpria suas exigências. Todavia, foi essa mesma Lei que O condenou à morte. Quando tomou sobre Si todos os nossos pecados, teve de morrer por eles, pois a Lei assim o exige. Vemos que a Lei foi cumprida e vivida por Jesus, e através dEle ela alcançou seu objetivo. Por isso está escrito que “... o fim da Lei é Cristo” (Rm 10:4).

Quando sou confrontado com a Lei Mosaica, ela me apresenta uma exigência que devo cumprir. Deus diz em Sua Lei: “... eu sou santo...” e exige de nós: “... vós sereis santos...” (Lv 11:44-45). Assim, a Lei me coloca diante do problema do pecado, que não posso resolver sozinho. O apóstolo Paulo escreve: “... eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7:14). A Lei de Moisés expõe e revela nossa incapacidade de atender às exigências divinas, pois ela nos confronta com o padrão de Deus. Ela nos mostra a verdadeira maneira de adorá-lo, estabelece as diretrizes segundo as quais devemos viver e regulamenta nossas relações com nosso próximo. Pela Lei, reconhecemos quem é Deus e como nós devemos ser e nos portar. Mas existe uma coisa que a Lei não pode: ela não consegue nos salvar. Ela nos expõe diante de Deus e mostra que somos pecadores culpados. Essa é sua função.

A Lei de Moisés é evangélica, pois nela são feitos vários anúncios acerca da redenção da humanidade: No Gênesis, Deus destaca a redenção da humanidade (Gn 3:15; 12:1,2). Inicial­mente, o Senhor proclama aos nossos pais, ainda no Éden, a vinda da semente da mulher, que haveria de pisar a cabeça de Satanás. Mais tarde, ao convocar Abraão à verdadeira fé, promete-lhe que, através de sua geração, seriam abençoadas todas as nações da terra. No Êxodo, a Páscoa ilustra não ape­nas a liberdade de Israel, mas também a libertação de todos os que, em todos os lugares, recebem o Cordeiro de Deus como o seu Salvador (Êx 12:1-28; 1Co 5:7; 1Pd 1:19). Somente Jesus é capaz de tirar os pecados do mundo (João 1:29). No Deuteronômio, Moisés fala abertamente sobre o Messias que havia de vir: "O SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis" (Dt 18:15).

Faz parte da Lei de Moisés o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, que é um fundamento sólido sobre o qual podemos construir nossa vida moral; é uma moldura que continua sendo preenchida pelo andar diário no Espírito. Diríamos que o Decálogo é a condensação de toda a Lei.

Repetidas vezes Deus promete sua bênção aos que guardam diligentemente Seus mandamentos: "Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais..." (Dt 4:1). Levítico 26:3-13 e Deuteronômio 5:33; 7:12-26; 28:1-14, também mostram as bênçãos decorrentes da obediência aos Dez Mandamentos. O profeta Isaías reconhece que, se tivesse dado ouvidos aos mandamentos do Senhor, o povo escolhido não teria passado pelo exílio, mas sim desfrutado da vida abundante. Então, a paz do Senhor seria como um rio e Sua justiça, como as ondas do mar (Is 48:18).

A obediência simples ao Decálogo transforma as atitudes do homem para com seu próximo: em vez de assassinar um inimigo pessoal, ele o abençoa; em vez de furtar, trabalha e ajuda o necessitado; em vez de dizer falso testemunho, pratica e diz a verdade; em vez de roubar a mulher do próximo vive na pureza sexual e apoia o matrimônio monogâmico; em vez de cobiçar, faz atos de misericórdia; em vez de guardar para si a fé e a experiência do senhorio de Cristo, o ser humano brilha como luz e penetra como sal neste mundo (Mt 5:14-16); não conserva este mundo na situação em que se encontra, mas transforma-o com o amor, a paz e a esperança de Deus; não se conforma com a injustiça, a miséria e a desonestidade generalizada; é um exemplo de devoção e fidelidade a Cristo em seu lar, no trato com seus vizinhos, no exercício de boas obras, na profissão e nos deveres e responsabilidades civis, para que o reino do Senhor venha e Sua vontade seja feita tanto nos céus como na terra.

2. Os profetas são evangélicos. Os profetas, inspirados pelo Espírito Santo profetizaram sobre a vinda de Cristo e o mistério do evangelho em relação aos gentios, porém, nem mesmo eles podiam entender sobre que estavam falando, embora soubessem estar falando de algo muito grande, muito profundo.

Deus não poderia revelar-lhes este Mistério, pois não estavam em condições de poder entender que Cristo não apenas viria para consumar a obra redentora, mas, que, após consumá-la ele iria habitar no homem, e não apenas com o homem. Ainda mais confusos ficariam se soubessem que Cristo iria habitar também nos gentios, como afirmou Paulo: “...aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”.

O Profeta Isaias falou deste Mistério: “... Eu te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios” (Is 42:6). “... Também te darei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até as extremidades da terra” (Is 49:6).

O Salmista Davi falou deste Mistério: “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele” (Salmos 22:27).

O Profeta Daniel falou deste Mistério - “Foi lhe dado o domínio, a honra e o reino; todos os povos, nações e línguas o adoraram...” (Dn 7:14).

O Profeta Oséias falou deste Mistério: “Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!” (Oséias 2:23).

O profeta Jeremias falou da Nova Aliança que o Senhor, por inter­médio do Israel messiânico, haveria de estabelecer com toda a humanidade (Jr 31:31-33).

Como afirmou Pedro (1Pd 1:10-15), o Salmista Davi, os Profetas Isaias, Daniel, Oséias e diversos outros profetizaram sobre o mistério do evangelho em relação aos gentios, porém, nenhum deles entendeu sobre suas mensagens proféticas.

“Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir”.

Os profetas não entenderam que os gentios viriam a fazer parte da família de Deus, e que o Senhor Jesus habitaria não apenas com eles, mas, também neles, conforme ele próprio declarou - “Jesus respondeu e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23). Isto era uma verdade bíblica que não podia ser compreendida antes da “plenitude dos tempos”. Esta verdade referia-se ao “... mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesta aos seus santos” (Cl 1:26,27).

3. Enfim, toda a Bíblia Sagrada é evangélica. O Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), os Escritos (Josué a Cantares) e os Profetas (Isaías a Malaquias), que formam o cânon do Antigo Testamento, são a extensão da Aliança de Deus com Abraão. Esta é uma das razões pelas quais o Antigo Testamento é indissociável do Novo. Nesse sentido, além de Abraão e Moisés, a história de Israel, sua poesia e seus escritos proféticos são comprometidamente evangélicos. O povo de Israel foi formado por Deus para dar testemunho da grandeza e da beleza do seu Reino a fim de convencer as nações daquele tempo de que havia um único Deus, o criador dos céus e da terra: o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

III. EXECUTANDO O TRABALHO DE DEUS

1. Israel e a evangelização mun­dial. Na dispensação da graça, Israel perdeu o posto de evangelista do mundo, efetivamente falando. A sua contribuição atual para a evangelização encontra-se no fato de que dele vêm as Escrituras Sagradas e o próprio Cristo (Rm 9:1-5). A atribuição de pregar o evangelho da graça foi dada à Igreja.

Todavia, Israel tem uma missão a cumprir, um serviço a ser feito neste mundo no âmbito evangelístico, que será realizado no período milenar do governo de Jesus Cristo. Nesse glorioso período, Israel pregará o evangelho do reino em todo o mundo – “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo... “(Mt 24:14). Haverá um conhecimento universal de Deus (Is 11:9; 54:13; Mt 24:14). Haverá abundância de salvação (Is 33:6). Os judeus serão os mensageiros do Rei (Mq 4:1-3). Eles realizarão um grande movimento missionário (Is 52:7) - “... a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar”(Is 11:9b). Com a difusão do conhecimento do Senhor, muitas pessoas se converterão. A evangelização será de fato uma das atividades primordiais dos seguidores de Cristo, como vaticinou o profeta Isaias: “Quão suaves são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52:7). Haverá um avivamento mundial – “Assim, virão muitos povos e poderosas nações buscar, em Jerusalém, o SENHOR dos Exércitos e suplicar a bênção do SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zc 8:22,23).

2. A missão intransferível da Igre­ja. A Igreja é a porta-voz de Deus sobre a face da Terra. Ela tem o Espírito Santo (João 14:7), cuja função é guiar a Igreja em toda a verdade e dizer tudo o que tiver ouvido bem como anunciar o que há de vir, glorificando e anunciando tudo o que diz respeito a Cristo (João 16:13,14). Por isso, não pode haver qualquer outro “mensageiro” divino além da Igreja enquanto durar esta dispensação.

O apóstolo Paulo afirma que a Igreja é chamada de “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 2:15), porque deve sustentar e ser a legítima anunciadora da Palavra de Deus sobre a face da Terra. Num mundo onde a iniquidade aumenta a cada dia (Mt 24:12), num mundo onde há corrupção geral é cada vez maior do gênero humano (Rm 1:18-32), cabe à Igreja a difícil tarefa de anunciar a Verdade, de mostrar ao mundo a Palavra de Deus, resplandecendo como astro no meio de uma geração corrompida e perversa (Fp 2:15).

CONCLUSÃO

Desde a queda do ser humano, Deus trabalha sem cessar para restaurá-lo ao status quo da criação, ou seja, ao estado de comunhão com Ele como era antes da criação. Jesus afirmou, certa vez, que o Pai trabalha até agora. Por essa razão, o Filho continuava o seu labor. Mas qual o trabalho do Pai? Não é criar, porque tudo quanto havia de ser criado já o foi. Todavia, a evangelização sempre haverá de ser um trabalho incompleto, por mais que nos esforcemos. Neste momento, Deus não mais anuncia pessoalmente o evangelho, como fez no Éden e ao patriarca Abraão. Entretanto, não cessa de abrir portas, abençoar missões e missionários. Por intermédio de mim e de você, Ele estende as fronteiras de seu Reino. Paulo dizia-se imitador de Deus, porque se sentia na obrigação de proclamar-lhe a Palavra a tempo e fora de tempo.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards.

Revista Ensinador Cristão – nº 67. CPAD.

Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Missão Profética da Igreja. PortalEBD_2007.

Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Evangelização – a Missão máxima da Igreja. PortalEBD_2007.

O novo dicionário da Bíblia.

O desafio da Evangelização. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

terça-feira, 14 de junho de 2016

MORRE FILHO DE EYSHILA



Morre Matheus Oliveira, Filho da Cantora Eyshila
Adolescente estava internado há uma semana com quadro de meningite viral. 'Descansou', disse a cantora em publicação feita no Instagram.



Morre Matheus, filho de Eyshila
(Foto: Instagram / Reprodução)
Morreu na noite desta terça-feira, 14, o adolescente Matheus Oliveira, filho da cantora gospel Eyshila, devido ao agravamento do seu quadro de meningite, com encefalite herpética. O adolescente de 17 anos estava internado há seis dias no hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A informação foi confirmada pela cantora em suas redes sociais.
"O Senhor deu, o Senhor tomou. Louvado seja o nome do Senhor. Obrigada a todos que nos cobriram com suas orações. Ele está com o Senhor! Não cabe a nós questionar. Deus é soberano e nós vamos seguir adorando e servindo a esse Deus perfeito em sua soberana vontade. Ele sabe o que faz! Salmos 116:15 -
Morre Matheus, filho de Eyshila
(Foto: Instagram / Reprodução)


 Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos. Um dia nos veremos Matheus. Na eternidade eu vou te ver. Deus no controle. O céu é de verdade. Jesus venceu a morte. Matheus está vivo. Jesus vive", escreveu Eyshila.


O irmão de Matheus, Lucas Oliveira, postou uma mensagem emocionada em suas redes sociais: "Não deixe de demonstrar o amor que você tem pelas pessoas que estão ao seu redor. A vida é frágil, frágil demais. Nos surpreende muitas vezes de formas boas, mas as ruins não deixam de acontecer. Meu irmão partiu, Deus quis levar... Agradeço a Ele por ter tido a honra de viver quase todos os dias da minha vida com esse garoto. Vou te levar no meu coração, PRA SEMPRE. Em breve nos vemos meu irmão, não vai demorar."
Além de Eyshla, estavam presentes no hospital o pai do menino (pastor Odilon Santos), a cantora gospel Fernanda Brum, acompanhada do marido, o pastor

Lucas homenageou o irmão Matheus
(Foto: Instagram / Reprodução                            Emerson Pinheiro, familiares e muitos amigos do jovem.
Eyshila deixou o hospital muito abalada e preferiu não se pronunciar sobre a morte do filho. "Por enquanto, ela não dirá nada além do que publicou nas redes sociais", informou a representante da família. Antes de sair da portaria, Eyshila estendeu o braço direito profetizando e pedindo força a Deus.
Não haverá velório
Um representante da família que preferiu não se identificar disse que não haverá velório. "Não haverá velório. O corpo sairá do hospital direto para o enterro. O cemitério não será informado e a cerimônia não será aberta ao público e a imprensa. Será uma despedida só para os mais próximos. Bem íntima".
Fernanda Brum deixa o hospital
(Foto: Rafael Godinho / Ego )


O pastor Emerson Pinheiro, marido de Fernanda Brum, grande amiga de Eyshla desde o nascimento de Matheus,  conversou com o EGO. "Ele vivia lá em casa. Era um menino muito tranquilo e educado. Estamos todos muito tristes. Mas Deus sabe o que faz. Por mais que a gente não entenda, ele tem o melhor para nós", lamentou Emerson Pinheiro.
Eyshila divulgou a última foto que fez com o filho nas redes sociais. Nos comentários, muitos fãs lamentaram a perda do menino. "Matheus descansou! Essa foi a última foto que batemos antes da cirurgia", escreveu a cantora evangélica.
Correntes de fé
Várias correntes de orações foram feitas no Brasil e no mundo em prol da saúde do filho caçula da cantora, que também é mãe de Lucas Oliveira. Muitos cantores evangélicos também compartilharam pedidos de orações para o adolescente nas redes sociais como Fernanda Brum, Aline Barros  e Bruna Karla.

Na segunda, 13, a cantora havia postado uma mensagem esperançosa sobre a recuperação do filho. O quadro de Matheus, no entanto, era considerado grave pelos neurologistas.
Entenda a meningite
A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, geralmente causada por uma infecção. A doença pode ser viral ou bacteriana. Em casos mais graves a meningite pode deixar sequelas neurologicas ou levar a morte.






Matheus Oliveira (Foto: Reprodução/Instagram)

O post de Eyshila comunicando a morte do filho (Foto: Facebook / Reprodução)


Eyshila e filho Matheus (Foto: Instagram / Reprodução)



Lucas, Odilon, Eyshila e Matheus (Foto: Reprodução/Instagram)

FONTE: http://ego.globo.com/famosos/noticia/2016/06/morre-mateus-oliveira-filho-da-cantora-eyshila.html

segunda-feira, 6 de junho de 2016

EBD LIÇÃO 11



Aula 11 – A TOLERÂNCIA CRISTÃ

2º Trimestre/2016

Texto Base: Romanos 14:1-6

“Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17).



INTRODUÇÃO

Estudaremos nesta Aula os capítulos 14 e 15 da Epístola aos romanos. Em Romanos 12, o apóstolo Paulo abordou nosso relacionamento com Deus (Rm 12:1,2), com nós mesmos (Rm 12:3-8), com nossos irmãos (Rm 12:9-16) e com nossos inimigos (Rm 12:17-21); no capítulo 13, ele trata do relacionamento com as autoridades constituídas (Rm 13:1-7) e com a lei (Rm 13:8-10); nos capítulos 14 e 15, Paulo trata do intrincado problema do relacionamento entre irmãos na fé que pensam de forma diferente em algumas questões espirituais. Paulo classifica esses irmãos em dois grupos distintos: os fortes e os fracos na fé. Ambos eram crentes em Cristo e ambos eram salvos por Cristo. Embora esses dois grupos pertencessem à família de Deus e participassem da mesma igreja, não estavam de acordo acerca de alguns pontos da vida cristã como comida, bebida e dias sagrados. Segundo John Stott, os fracos seriam, em sua maioria, cristãos judeus, cuja “fraqueza” consistia no fato de permanecerem, de sã consciência, comprometidos com as regras judaicas concernentes a dieta e dias religiosos. Ou seja, eles continuavam observando as normas alimentares do Antigo Testamento, comendo apenas coisas previstas na Torá (Rm 14:14,20). Quanto aos dias especiais, observavam tanto o sábado como os festivais judaicos. A atitude conciliatória de Paulo com relação aos “fracos” (não permitindo que os ”fortes” os desprezem, intimidem, condenem ou prejudiquem) manifesta-se também no fato de ter respeitado o decreto do Concílio de Jerusalém, que fora designado justamente para controlar os “fortes” e salvaguardar a consciência dos “fracos”. Paulo buscava um ponto de equilíbrio a fim de que a obra de Cristo não sofresse nenhum dano.

I. UMA IGREJA HETEROGÊNEA (Rm 14:1-12)

1. A natureza da Igreja. O grande triunfo da igreja é ser chamada de Corpo de Cristo, ser alicerçada na sua ressurreição e, principalmente, fazer parte de uma unidade homogênea. Embora constituída por pessoas de grupos diferentes, ela una e indivisível, ela forma um só corpo, o Corpo de Cristo (1Co 12:27a); ela é chamada de “a universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb 12:23a). Portanto, não há judeus e nem gentios, mas a Igreja de Jesus Cristo. Desta feita, os crentes judeus e gentios em Roma deveriam se conscientizar de que problemas de natureza local não poderiam sobrepor-se à universalidade da Igreja. Essa exortação é atemporal.

Ao iniciar o capítulo 14, Paulo dá-nos conta de que, na igreja do Senhor, existem os “enfermos na fé”, os “fracos”, ou seja, as pessoas se diferenciam na igreja não só pela função que tenham, mas, também, pelo seu nível de espiritualidade. Há pessoas que estão mais elevadas do que outras no seu relacionamento com Deus.

A vida espiritual exige o crescimento, o progresso do indivíduo e, como nem todos crescem de igual modo e na mesma velocidade na vida material, o mesmo se dá em relação ao relacionamento com Deus. Há, portanto, aqueles que crescem mais do que os outros espiritualmente, crescimento este que, ao contrário do crescimento na vida física, não está relacionado com o tempo, vez que se trata de um relacionamento com Deus, que está fora da dimensão temporal.

Paulo admite a existência destes diferentes níveis de espiritualidade, que são diferenças que nada têm que ver com a salvação, pois, lembremos, o crescimento é um fato que ocorre após o nascimento, ou seja, só cabe falar sobre diferentes níveis de crescimento depois que a pessoa nasceu, ou seja, o apóstolo está a falar de pessoas salvas, justificadas pela fé em Cristo. Tanto assim é que, em Romanos 14, em mais de uma oportunidade na sua argumentação, Paulo mostra claramente que tanto os “fracos” quanto os “fortes” são salvos e servem a Deus.

Portanto, a primeira nota do relacionamento entre os cristãos é a inclusão, ou seja, um comportamento que busca trazer a pessoa para o grupo, que procura integrar a pessoa, fazê-la se sentir participante e integrante da igreja local, ainda que ela apresente uma espiritualidade débil, fraca, ainda que seja um “menino em Cristo” ou alguém que “mesmo devendo já ser mestre pelo tempo, ainda necessite de que se torne a ensiná-lo quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus”. Lamentavelmente, o que se verifica, nos nossos dias, é que raramente se tem este comportamento inclusivista.

2. Os fracos na fé. Quem eram os crentes fracos? É consenso geral que os crentes chamados fracos eram oriundos das fileiras do judaísmo, os quais, embora tivessem depositado sua fé em Cristo, ainda viviam comprometidos com as regras judaicas concernentes à dieta (Rm 14:6,14,20) e aos dias religiosos (Rm 14:5). Não tinham plena compreensão de que esses ritos dietéticos e focados em calendários religiosos eram meras sombras do evangelho de Cristo, aos quais pela obra expiatória do Filho de Deus estavam desobrigados de cumprir. A deficiência de conhecimento os tornou crentes julgadores, carregados de muitos escrúpulos. Além de observar os ritos relacionados ao culto judaico, eles queriam que os gentios convertidos fizessem o mesmo. Situações semelhantes ocorreram com os crentes de Corinto (1Co 8:1-13), da região da Galácia e Colossos. Aos dois grupos de crentes de Roma – judeus e gentios -, Paulo recomendou que agissem com amor e respeito mútuo. Na recomendação de Paulo podemos ver três princípios fundamentais.

- O primeiro princípio é da tolerância. O que é tolerância? É qualidade de quem é tolerante. Mas o que é ser tolerante? É aquela pessoa que sabe respeitar as opiniões contrárias à sua; é aquela pessoa que sabe desculpar as falhas, ou fraquezas de seus semelhantes. Para nós tolerância tem o sentido de suportar, ter paciência, tolerar as falhas daqueles irmãos que, por diversas razões, ainda não chegaram a uma compreensão do que é a vida cristã e como ela deve ser vivida. Em sendo assim, e assim é, podemos resumir em uma única palavra a condição para que um crente seja tolerante: ser cheio do Espírito Santo.

Os cristãos podem ter comunhão mesmo sem concordar sobre questões não essenciais. É o que Paulo recomenda em Rm 14:1: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas”. O irmão que desfruta plenamente a liberdade cristã crê, com base nos ensinamentos do Novo Testamento, que todos os alimentos são puros, pois são santificados pela Palavra de Deus e pela oração (1Tm 4:4,5). O irmão com consciência fraca pode ter receio de comer carne de porco ou qualquer outra carne. Pode ser vegetariano. É o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 14:3: “Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes”.

- O segundo princípio é o da aceitação mútua. O cristão maduro não deve desprezar seu irmão mais fraco. O irmão mais fraco não deve considerar pecado quem come presunto, camarão, lagosta ou carne e porco. Deus o acolheu; portanto, ele é membro legítimo da família de Deus. É o que Paulo diz em Romanos 14:3: “O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu”. Aqui, Paulo mostra o ponto de equilíbrio – o respeito pelas convicções de cada um. Paulo não entra em juízo de valor, decidindo por um dos lados. Mas procura mostrar que acima de tudo a lei do amor fraternal deve imperar nesses casos. O que comia carne não deveria desprezar o que não comia e o que não comia carne também não deveria desprezar o que comia.

- O terceiro princípio é do acolhimento dos irmãos e não de julgamento – “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar”(Rm 14:4). De acordo com este princípio todo cristão nascido de novo é servo do Senhor, e não temos direito de julgá-lo como se fôssemos seus senhores. O crente precisa discernir o certo do errado; precisa distinguir entre os falsos profetas e aqueles que trazem o fiel ensino do Senhor. Contudo, Paulo condena a atitude de julgar um irmão, um servo de Cristo, por este ter uma opinião diferente acerca de assuntos secundários como dieta e calendário religioso. Nosso papel na igreja não é nos assentarmos na cadeira de juiz para julgar os irmãos, mas acolhê-los em amor.

Paulo mostra que o objetivo do acolhimento dos mais fracos é o fortalecimento na fé - “... porque poderoso é Deus para o firmar”. O problema é que uma acolhida sem a instrução trará como resultado final o mesmo que a rejeição: a destruição espiritual da pessoa, pois o povo de Deus é destruído quando lhe falta conhecimento (Oséias 4:6). Infelizmente, muitas igrejas locais, hoje em dia, até superam o obstáculo da rejeição, acolhendo afetuosamente os fracos na fé que chegam a elas, mas não completam o comportamento inclusivista, deixando de dar a devida instrução ao fraco, para que ele se fortaleça, e o resultado disto é a presença cada vez maior de crentes que, apesar do “tempo de casa”, não conseguem se desprender dos rudimentos doutrinários, precisamente o estado espiritual denunciado e reprovado pelo escritor aos hebreus (Hb 5:12-14).

3. Os fortes na fé. Quem eram os crentes fortes? Eram aqueles crentes, judeus ou gentios que, convertidos a Cristo, haviam compreendido com mais clareza a liberdade cristã, desvencilhando-se dessa forma dos escrúpulos dos rituais judaicos com respeito à dieta e ao calendário religioso. Os crentes fortes eram a maioria da igreja de Roma, e Paulo com eles se identificava (Rm 15:1). Embora Paulo deixe claro que acredita que a posição dos fortes está certa (Rm 14:14,20), estes não tinham o direito de desprezar os crentes fracos, mas deviam acolhê-los.

II. UMA IGREJA TOLERANTE (Rm 14:13-23)

1. A lei da liberdade. O crente não deve ser pedra de tropeço no caminho do irmão em Cristo. Devemos amá-lo como ele é. Não se deve fazer julgamento precipitado, fazendo juízo de valor sobre ele, acusando-o de estar em pecado, tomando como base nossas crenças e convicções. Deve-se respeitar a lei da liberdade em Cristo Jesus. Paulo diz “... que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14:12). Em vez de julgarmos nossos irmãos em Cristo quanto a questões moralmente indiferentes, deveríamos tomar o propósito de jamais fazer algo que atrapalhe um irmão em seu progresso espiritual. Paulo é bem explícito sobre isso em Romanos 14:13: “Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão”. Aqui, Paulo mostra que em vez de ser um tropeço no caminho uns dos outros, gerando problemas na igreja e escândalos fora dela, os cristãos deveriam cuidar e amar uns aos outros.

Paulo sabia, como nós também sabemos, que não há mais alimentos cerimonialmente impuros como havia para os judeus que viviam debaixo da lei. Disse ele: “Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda” (Rm 4:14). O alimento que ingerimos é santificado pela palavra de Deus e pela oração (1Tm 4:5). É santificado pela oração quando pedimos que Deus o abençoe para sua glória e o fortalecimento de nosso corpo a seu serviço. Se, porém, um irmão fraco na fé acredita que é errado consumir carne de porco, por exemplo, então é errado. Se ele comer carne de porco, estará agindo contrariamente à consciência que Deus lhe deu.

Observe, porém, com atenção o argumento: “... nenhuma coisa é de si mesma imunda...”. Devemos entender, aqui, que Paulo está se referindo apenas a essas questões indiferentes. Muitas coisas na vida são impuras, como revistas, sites e filmes pornográficos, piadas sujas e toda espécie de imoralidade. A Graça de Deus nos justificou, abolindo o domínio do pecado e fazendo-nos livres em Cristo. Mas, não devemos confundir liberdade em Cristo com libertinagem (antinomismo). A liberdade em Cristo deve ser tratada com responsabilidade. Foi o que o apóstolo Paulo disse aos em Gálatas: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne...” (Gl 5:13). Portanto, a declaração de Paulo deve ser entendida dentro do seu contexto. Os cristãos não se contaminam cerimonialmente ao ingerir alimentos declarados impuros pela lei de Moisés.

2. A lei do amor. Veja a expressão de Paulo em Romanos 14:15: “Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. Aqui, Paulo está dizendo para os crentes que o amor fraternal, e não suas convicções dietéticas, deve ser o vetor de suas ações.

Quando um crente forte na fé faz uma refeição com um irmão mais fraco na fé, deve insistir em seu direito legítimo de comer carne de porco ou lagosta, mesmo sabendo que ele considera errado consumir esses alimentos? Se esse crente o fizer, não estará agindo segundo o amor, pois o amor pensa nos outros, e não em si mesmo. O amor abre mão do direito legítimo em benefício de um irmão. Um prato de comida não é tão importante quanto o bem-estar espiritual de alguém “por quem Cristo morreu”. Se, no entanto, o crente considera forte agir de forma egoísta, ele pode causar danos irreparáveis à vida do irmão considerado fraco na fé. Quando lembramos que a alma do nosso irmão foi comprada por um preço tão alto, isto é, o sangue precioso do Cordeiro de Deus, vemos que não vale a pena impor nossos direitos. Falando sobre a atitude do crente considerado forte em relação ao fraco, John Stott escreve:

“Se Cristo o amou a ponto de morrer por ele, por que não podemos amá-lo o suficiente para controlar-nos, evitando magoar a sua consciência? Se Cristo se sacrificou por seu bem-estar, que direito temos nós de prejudicá-lo? Se Cristo morreu para salvá-lo, não nos importa se vamos destruí-lo?”.

Entretanto, é bom ressaltar que, quando o crente, considerado fraco na fé, supervaloriza a dieta alimentar pensando que abster-se de certos alimentos o torna mais aceitável a Deus, comete um grande equívoco, uma vez que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). No reino de Deus, o que importa, de fato, não são as leis alimentares, mas as realidades espirituais. Viver um cristianismo legalista é inverter as prioridades, é colocar as coisas de ponta-cabeça, é deixar de buscar as primeiras coisas primeiro.

3. A lei da espiritualidade. Paulo conclui seu argumento mostrando o modelo de espiritualidade que deve conduzir tanto os crentes considerados fortes como os fracos na fé. Diz ele: “Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14:22,23).

Aqui, Paulo distingue entre o crer e o agir, entre convicção pessoal e a conduta em público. O crente precisa ser consistente para não falar uma coisa e fazer outra, não manter uma convicção e agir na contramão dessa convicção. Hernandes Dias Lopes argumenta que se um crente fraco, prisioneiro de seus escrúpulos, come carne contra suas convicções para agradar os crentes fortes, nisso está pecando, porque essa conduta não procede de fé.

Para o irmão mais fraco, é errado comer o que sua consciência não aprova. No caso dele, o consumo desse alimento não provém da fé, sendo, portanto, contrário à sua consciência. Todo ato que viola a consciência é pecado. Como diz Paulo: “e tudo o que não é de fé é pecado”. Isto significa que tudo o que não é feito com convicção de que está de acordo com a vontade de Deus é pecaminoso, embora possa ser em si mesmo certo. Este ensino aplica-se não apenas a alimentos, mas a tudo. Se alguém estiver convencido de que algo é contrário à lei de Deus, e apesar disso a praticar, é culpado diante de Deus, embora a coisa em si seja lícita.

É bom desfrutar plenamente a liberdade cristã e viver sem escrúpulos infundados. Mas é melhor abrir mão de direitos legítimos que ter de condenar a si mesmo por escandalizar outros. Bem-aventurado é aquele que evita ser tropeço para outros (Rm 14:22).

III. UMA IGREJA ACOLHEDORA (Rm 15:1-13)

Neste tópico estudaremos o capítulo 15. Aqui, Paulo continua a discussão do capítulo 14 sobre como os crentes devem se relacionar entre si, especialmente quando existem desacordos sobre assuntos formadores de opinião. Não há dúvida de que a variedade de opiniões sobre muitos assuntos estará bem representada em qualquer igreja local, e a igreja em Roma não era uma exceção. Paulo usa os termos “forte” e “fraco” para descrever os crentes. Os crentes “fortes” são aqueles que entendiam sua liberdade em Cristo e são sensíveis às preocupações dos outros. Eles entendem que a verdadeira obediência vem do coração e da consciência de cada indivíduo. Os crentes “fracos” são aqueles cuja fé ainda não amadureceu a ponto de se livrarem de certos rituais e tradições. Os crentes “fortes” podem operar numa variedade de situações e exercer uma boa influência para o bem, enquanto os “fracos” percebem que devem se manter afastados de certas situações a fim de manterem a consciência limpa. Mas ambos ainda são crentes e ambos estão procurando servir a Deus (Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal).

1. O exemplo dos cristãos maduros (Rm 15:1,2). Cristãos maduros são aqueles que são convictos de sua fé; nada o abala; nada o tira do Caminho; é resiliente (Rm 8:35,36). São exemplos daqueles considerados fracos na fé, ou seja, daqueles que não saíram ainda dos rudimentos da fé (Hb 6:1,2).

O crente maduro deve agradar aos irmãos na fé, e não a si mesmo (Rm 15:1,2) - “Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação”.

O cristão maduro, isto é, o cristão forte, por possuir uma fé mais substancial, deve servir de exemplo para aqueles que ainda não alcançaram esse nível de maturidade. Nunca deve ser egoísta, mas deve estar preocupado com o bem-estar da pessoa mais fraca que está ao seu lado na igreja. A atitude de agradar aos outros deve ser tomada com um objetivo em mente: encorajar e edificar o outro crente na fé.

Existe uma linha muito tênue em nosso caminho, e o mais forte não deve forçar o mais fraco a mudar de posição antes que este esteja pronto, nem deve servir de instrumento aos escrúpulos dos mais fracos permitindo que estes se tornem regulamentos da igreja. Ao invés disto, os crentes mais fortes devem ajudar os mais fracos na sua fé, e isso irá beneficiar a igreja como um todo. Como bem disse o pr. José Gonçalves, “o crente forte é responsável também pelo crescimento e amadurecimento do fraco, mostrando-lhe com amor o que significa ser livre em Cristo”.

2. O exemplo de Cristo (Rm 15:3). Paulo argumenta que se o próprio Cristo não agradou a si mesmo, então por que os crentes que se consideravam mais maduros na fé não poderiam agir da mesma forma? Cristo foi o ser “mais forte” que já viveu, mas Ele não agradou a si mesmo - “Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam”. Despojou-se de seus direitos e prerrogativas e veio para servir. Esvaziou-se e tornou-se servo. Submeteu-se à vontade do Pai e suportou toda sorte de sofrimento para salvar tanto os crentes fortes como os crentes fracos. Nenhum sacrifício que fazemos pode equiparar-se ao do Calvário. Portanto, nós que fomos chamados pelo seu nome, também devemos escolher agradar mais a Deus do que a nós mesmos.

3. O exemplo das Escrituras (Rm 15:4) – “Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

Paulo adverte que as Escrituras Sagradas é o principal instrumento aferidor da nossa espiritualidade. Ele exorta os crentes, tantos os fortes como os fracos, dizendo que o ensino das Escrituras deve ter um efeito prático em nossa vida. As Escrituras registram histórias daqueles que agradaram e dos que não agradaram a Deus. Aqueles que erraram aprenderam com seus erros. Devemos suportar, como Cristo suportou, e ser encorajados com os exemplos de outros crentes. As biografias dos santos que venceram grandes obstáculos servem de exemplo daquilo que pode ser feito com a ajuda de Deus (cf Hb cap. 11). Isso nos dá esperança enquanto esperamos pacientemente pelas promessas de Deus. O conhecimento das Escrituras afeta nossas atitudes em relação ao presente e ao futuro. Quanto mais sabemos sobre o que Deus fez no passado, maior será a nossa confiança no que Ele fará nos dias futuros. Devemos ler diligentemente as Escrituras Sagradas para aumentarmos a nossa confiança naquilo que Deus considera ser o melhor para nós. Jesus foi contundente ao dizer: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).

CONCLUSÃO

Na Igreja, naquela chamada por Jesus de “a minha Igreja”, o espírito de intolerância precisa ser banido. Sabemos, pela Bíblia, que o Senhor nosso Deus, nesta dispensação da Graça, colocou à disposição de seus filhos as condições necessárias para o viver a vida cristã. Assim, podemos afirmar, com segurança, que o segredo para o crente que deseja ser tolerante é o encher-se do Espírito Santo. Ninguém será tolerante, principalmente, sem o amor, sem a humildade, sem a paz, sem a mansidão, sem a longanimidade, para citar apenas alguns aspectos do Fruto do Espírito descrito em Gl 5:22. Enfim, o objetivo maior de todo crente deve ser o crescimento do Reino de Deus e a edificação da Igreja, por isso questões indiferentes e irrelevantes em matéria de salvação devem ser toleradas na igreja local e os “fortes” devem agir em relação aos “fracos” não com menosprezo ou orgulho, mas com “calorosa recepção”, entendendo que é necessário receber o “fraco” e instruí-lo para que ele, também, cresça e se torne um “forte” no futuro.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Revista Ensinador Cristão – nº 66. CPAD.

Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.

Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.

Caramuru Afonso Francisco. A Tolerância para com os fracos na fé. PortalEBD_2006.
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FONTE:http://luloure.blogspot.com.br/

terça-feira, 24 de maio de 2016

EBD AULA 9 CARTA AOS ROMANOS


Aula 09 – A NOVA VIDA EM CRISTO

2º Trimestre/2016

Texto Base: Romanos 12:1-12

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”(Rm 12:1).



Objetivo desta Aula: “Mostrar que a nova vida em Cristo consiste viver em santidade” (LBP).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 12 da Epístola aos Romanos. Até o capítulo 11, Paulo tratou da doutrina; agora, tratará da ética. Após ter glorificado a Deus com um maravilhoso hino (Rm 11:33-36), o apóstolo Paulo passa para parte prática da epístola aos romanos, à aplicação do ensino e da doutrina no dia-a-dia dos crentes, no comportamento, na conduta, nas ações de cada servo de Deus enquanto estiver sobre a face da Terra. Aliás, o capítulo 12 ao 16 responde à pergunta: “como deve ser a vida diária dos que foram justificados pela graça?”. A Bíblia nunca ensina uma doutrina para torná-la simplesmente conhecida; ela é ensinada para que seja transferida para a prática. No capítulo 12, Paulo trata de nossos deveres em relação a outros cristãos, à comunidade, aos nossos inimigos, ao governo e aos irmãos mais fracos. Paulo mostra que após experimentar da graça divina não é mais possível viver segundo as normas ou a maneira de pensar deste mundo pecaminoso (Rm 12:1,2). Uma vida transformada tem relacionamentos transformados. Não podemos amar a Deus e odiar nossos irmãos; não podemos ter um relacionamento vertical correto se os relacionamentos horizontais estão errados. O apóstolo também mostra que como novas criaturas, pertencemos ao um corpo, o “Corpo de Cristo”. Cada membro desse Corpo recebeu dons e talentos e estes precisam ser usados com humildade, amor, sabedoria, contribuindo para o bem-estar de todos.

I. EM RELAÇÃO A MORDOMIA DA ADORAÇÃO CRISTÃ (Rm 12:1,2)

Trataremos neste tópico acerca da consagração pessoal do crente.

1. Uma exortação em forma de apelo. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus...”(Rm 12:1). A parte prática da Epístola começa com uma convocação, um apelo, um chamado, uma convocação do apóstolo - “Rogo-vos” -, que, em outras versões, é “exorto-vos”; é a primeira palavra desta parte da Epístola aos romanos. No texto original grego é “parakaleo”, que tem o sentido de exortar, apelar, convocar, chamar, rogar, mas no sentido de chamado. A razão pela qual Paulo roga aos crentes judeus e gentios com esse tom de autoridade é porque Deus já lhes havia demonstrado sua copiosa misericórdia. Exortar é estimular, incentivar, dar estímulo por meio de algo. Paulo, após ter mostrado o maravilhoso plano de Deus para a salvação do homem e o Seu absoluto controle para o cumprimento de Suas promessas, lança um convite, um chamado aos crentes de Roma para que, diante do conhecimento deste propósito de Deus para os homens, passassem a viver de acordo com a vontade do Senhor.

2. Uma palavra concernente ao corpo (Rm 12:1) – “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Paulo apresenta uma exposição doutrinária, e em seguida uma exortação ética, interligando ambas pela conjunção “pois” (Rm 12:1). Nunca é demais ressaltar que Paulo sempre baseia o dever na doutrina. Mostra que o caráter é determinado pelo credo.

- “...que apresenteis o vosso corpo...”. O termo “apresenteis”, neste versículo, significa “apresenteis de uma vez por todas”. Paulo ordena uma entrega definitiva do corpo ao Senhor, como os noivos se entregam um ao outro na cerimônia de casamento. Esse sacrifico é descrito como “vivo” em contraste com os sacrifícios antigos cuja vida era tirada antes de ser apresentada sobre o altar; como “santo”, isto é, consagrado, separado e reservado para o serviço de Deus; e “agradável” a Deus”, como o ascender em sua presença da oferta aromática de outrora oferecida no ritual judaico.

A sociedade contemporânea idolatra o corpo. As academias de ginástica estão lotadas. Muitas pessoas gastam rios de dinheiro em cosméticos. Cultivam a beleza e também a força. Entretanto, a Palavra de Deus nos ensina não a cultuar o corpo, mas cultuar a Deus por intermédio do corpo.

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, quando diz que antes da nossa conversão oferecíamos os membros do posso corpo ao pecado (Rm 6:12-14). Agora, oferecemos nosso corpo como sacrifício vivo a Deus. Não oferecemos mais um cordeiro morto no altar, mas nosso corpo vivo. Nosso corpo não é uma tumba como pensavam os gregos, é o templo do Espírito Santo, a morada de Deus. Foi comprado por alto preço e devemos glorificar a Deus no nosso corpo. O próprio Deus não vacilou em tomar um corpo humano e nele viver. Nosso corpo será ressuscitado e glorificado um Dia. Consequentemente, o culto racional ou espiritual que prestamos a Deus pela consagração do nosso corpo não é prestado apenas no edifício da igreja, mas na vida do lar e no local de trabalho.

Concordo com John Stott quando diz que nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo.

Glorificamos a Deus em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando nossos ouvidos se deleitam no que é puro, quando nossas mãos praticam o que é reto, quando nossos pés caminham por veredas de justiça.

Paulo diz que a oferta do nosso corpo a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável é nosso culto racional. A palavra, no original grego, carrega a ideia de razoável, lógico e sensato. Trata-se, portanto, de um culto oferecido de mente e coração, culto espiritual em oposição a culto cerimonial.

- “...por sacrifício vivo...”. Como pode o corpo tornar-se um sacrifício? Deixe que o olho não veja nada mau, e ele se tomará um sacrifício; permita que a língua não diga nada vergonhoso, e ela se tornará uma oferta; deixe que a mão não faça nada ilegal, e ela se tornará uma oferta em holocausto. Todavia, isso não será suficiente; precisamos ter a prática ativa do bem: a mão precisa ajudar o necessitado; a boca precisa abençoar em lugar de amaldiçoar; o ouvido precisa dar atenção sem cessar aos ensinamentos divinos. Pois um sacrifício não tem nada impuro; um sacrifício é a primícia de outras coisas. Portanto, que nós possamos produzir frutos para Deus com as nossas mãos, com os nossos pés, com a nossa boca e com todos os nossos outros membros (Lopes, Hernandes Dias. Romanos – O evangelho segundo Paulo).

3. Uma palavra concernente à mente (Rm 12:2) – “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Há duas palavras que regem esse versículo: conformação e transformação. O crente é alguém que não se amolda ao esquema do mundo, mas se transforma pela renovação da mente. "Mundo", aqui, não significa o universo, a Terra e nem mesmo seus habitantes e, sim, o sistema que impera em nossa sociedade e que é contrário a Deus. É nesse sentido que o Novo Testamento fala que antes de nos convertermos, nós andávamos "segundo o curso deste mundo", que "o mundo jaz no maligno" e que o diabo é "o príncipe deste mundo". Quem não segue a Jesus segue o mundo e seu príncipe e que tudo que ele pensa não está moldado por Deus e Sua Palavra (Rm 12:1,2, 1João 2:15-17, Ef 2:2).

Paulo nos ensina que quem se converteu está crucificado para o mundo e o mundo para ele. Em outras palavras, não dá para viver nos dois barcos. Não dá para ser cidadão de dois reinos. No reino de Deus não é permitida dupla cidadania. Nesta guerra não podemos ficar na neutralidade. É por isso também que ele afirma que não devemos nos conformar com este mundo, ou seja, tomar a forma do mundo ou nos amoldarmos a ele (Rm 12:1,2). Apontando na mesma direção, João nos afirma que não devemos amar o mundo nem o que nele há, porque não dá para amar a Deus e ao mundo ao mesmo tempo (1João 2:15-17).

Alguém disse, com propriedade, que "ou a igreja transforma o mundo ou o mundo deforma a igreja". Aqui não dá para haver convivência pacífica. Tristemente, temos visto que a filosofia mundana vai invadindo a igreja em termos de linguagem, vestuário, gírias, ritmos, bebida, namoro, costume, modismo, etc., e nem mais temos critério para discernir tudo isso – já virou cultura. Quando o cristão se deixa enganar pelas propostas desse mundo espiritualmente tenebroso, torna-se escravo de um sistema maligno que rouba, mata e destrói (João 10:10). Sua única saída é retornar imediatamente ao seio do Pai, por Jesus Cristo, nosso libertador (João 8:36).

O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que o mundo tem uma fôrma. Essa fôrma é elástica e flácida; é a fôrma do relativismo moral, da ética situacional e do desbarrancamento da virtude; é um esquema que muda todo dia. O crente em vez de entrar nessa fôrma para ser conformado a ela, deve ser transformado de dentro para fora, pela renovação da sua mente. Em vez de viver pelos padrões de um mundo em desacordo com Deus, o crente é exortado a deixar que a renovação de sua mente, pelo poder do Espírito Santo, transforme sua vida harmonizando-a com a vontade de Deus. O crente não deve conformar-se com o mundo porque a fôrma do mundo muda todo dia: o errado ontem é certo hoje; o repudiado ontem é aplaudido hoje; o vergonhoso ontem é praticado à luz do dia hoje. Nós, porém, seguimos um modelo absoluto, que jamais fica obsoleto. Esse modelo é Jesus!

Alguém disse que se o mundo controlar a nossa maneira de pensar, seremos conformados; mas, se Deus controla nossa maneira de pensar, somos transformados. A transformação interior é a única defesa efetiva contra a conformidade exterior, com o espírito do tempo presente. Temos, assim, uma metamorfose gerada pelo Espírito Santo. Quando o nosso corpo é consagrado e nossa mente é transformada, nosso culto torna-se racional e experimentamos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. (Lopes, Hernandes Dias – Romanos – o evangelho segundo Paulo).

A nossa mente precisa estar constantemente ocupada com o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e que encerra louvor. Somente em Cristo temos real condição de sermos transformados para a adoração.

II. EM RELAÇAO À MORDOMIA DO EXERCÍCIO DOS DONS (Rm 12:3-8)

Trataremos neste tópico acerca do nosso serviço a Cristo por meio dos dons espirituais.

1. Exercitá-los com moderação e humildade. “Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”(Rm 12:3). Paulo adverte os crentes de que o orgulho exagerado não deve ter lugar em sua vida. Não devemos jamais ter um conceito exagerado de nossa importância nem ter inveja de outros. Precisamos entender que cada pessoa é singular e todos nós temos funções importantes a realizar para o Senhor. Devemos nos alegrar com o lugar que Deus deu a cada um na Igreja e procurar exercer nossos dons com todo o poder que Deus concede. Em outras palavras, tudo que temos, no sentido de capacidades naturais ou dons espirituais, deve ser usado com humildade para edificar o Corpo de Cristo. Se formos orgulhosos, não poderemos exercitar a nossa fé e os nossos dons em benefício dos outros.

2. Exercitá-los respeitando sua diversidade. Exorta o apóstolo Paulo: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada...” (Rm 12:4-6).

Paulo apresenta o retrato da identidade do povo redimido de Deus. O novo povo de Deus é como um corpo humano: tem muitos membros, mas cada um tem um papel único. A saúde e o bem-estar do corpo dependem do funcionamento adequado de cada membro. No Corpo de Cristo: há unidade (um só corpo), diversidade (muitos) e interdependência (membros uns dos outros). Assim como nosso corpo não pode ser desmembrado, nós também somos membros uns dos outros. Os membros trabalham juntos para fazer todo o corpo funcionar e quando isso não acontece o corpo sofre.

A marca das obras de Deus é a diversidade, não a uniformidade. Na comunidade cristã, há muitos homens e mulheres das mais diversas origens, ambientes, temperamentos e capacidades. E não só isso, mas, desde que se converteram a Cristo, são também dotados por Deus de grande variedade de dons espirituais e ministeriais. Entretanto, graças a essa diversidade e por meio dela, cada um pode cooperar para o bem do todo. Assim como o corpo humano tem vários membros, Deus concedeu à Igreja vários dons. Somos diferentes uns dos outros para suprir as necessidades uns dos outros.

3. Exercitá-los com esmero e regularidade. Exorta o apóstolo Paulo: “... se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12:6-8).

Nestes textos de Romanos 12:6-8, Paulo dá instruções acerca do uso de certos dons. Essa lista não abrange todos os dons; a intenção é que seja indicativa, e não exaustiva. Os dons mencionados aqui são divididos em duas categorias: dons de fala (profecia, ensino e exortação) e dons de serviço (servir, contribuir, liderança e mostrar misericórdia). É bastante óbvio que Paulo não estar falando de cargos, mas dos dons. Nem todo dom implica um cargo diferente. Muitos dos dons que Deus dá ao seu povo não exigem nenhum cargo.

Nossos dons diferem “segundo a graça que nos foi dada” (Rm 12:6). Em outras palavras, a graça de Deus concede dons diferentes a pessoas diferentes. Deus também dá a força ou capacidade necessária para usarmos os dons. Assim, temos a responsabilidade de usar essas aptidões concedidas por Deus como bons despenseiros.

III. EM RELAÇAO À MORDOMIA DA PRÁTICA DAS VIRTUDES CRISTÃS (Rm 12:9-21)

Neste tópico trataremos acerca de algumas características que todo cristão deve desenvolver ao se relacionar com outros cristãos e com não-cristãos.

1. Exercitar o amor (Rm 12:9,10). “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”.

O amor a Deus e ao próximo é a essência do cristianismo, por isso é uma exigência bíblica. No evangelho de Lucas 10:27 o amor a Deus e ao próximo é um mandamento divino: “­Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Aquele ou aquela que conhece a Deus, ama de forma verdadeira e perfeita. Quem não conhece a Deus, quem não tem o seu caráter regenerado, não pode amar; e sem amor é impossível viver uma vida plena - “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”(1João 4:8); sem amor, Jesus não o reconhece como seu discípulo: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros"(João 13:35).

Se somos participantes da Igreja de Cristo, se somos servos de Jesus neste mundo, devemos, acima de tudo, sermos instrumentos desse amor, pois se somos alvos do amor de Deus, devemos refletir esse mesmo amor através do nosso viver. O amor deve reger nossos relacionamentos. O amor é o sistema circulatório do corpo espiritual, permitindo que todos os membros funcionem de maneira saudável e harmoniosa.

John Stott diz que a receita do amor tem doze ingredientes:

a) Sinceridade – “O amor seja sem hipocrisia” (Rm 12:9a). O amor não é teatro; ele faz parte da vida real.

b) Discernimento – “Detestai o mal, apegando-vos ao bem” (Rm 12:9b). O cristão deve apegar-se ao bem e abominar o mal com todas as forças da sua alma. Precisa sentir aversão e repugnância pelo mal. Não pode ser uma pessoa amorfa, insípida, que fica sempre em cima do muro, sem se posicionar.

c) Afeição – “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal” (Rm 12:10a). Devemos amar nossos irmãos em Cristo como amamos os membros da nossa família de sangue.

d) Honra – “[...] preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12:10b). O amor na família cristã deve expressar-se em honra mútua, assim como em afeição mútua.

e) Entusiasmo – “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). A apatia não combina com a vida cristã. O crente precisa ser um indivíduo em chamas para Deus. Precisa arder de zelo pelas coisas de Deus. É alguém que serve a Deus com fervor. Aqueles que são mornos provocam náuseas em Jesus à semelhança da igreja de Laodicéia, que estão prestes a ser vomitados pelo Senhor.

f) Paciência – “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (Rm 12:12). O crente cruza os vales da vida com os olhos cravados na esperança da gloriosa volta de Cristo. Ele se alimenta de uma viva esperança, enquanto pacientemente enfrenta as tribulações com uma vida de oração perseverante.

g) Generosidade – “Compartilhai as necessidades dos santos” (Rm 12:13a). Isto pode significar tanto participar das necessidades e dos sofrimentos dos outros, como repartir os nossos recursos com eles. Davi diz: "Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama" (Sl 41:1-3). Devemos ter uma terna compaixão pelos necessitados. A Bíblia diz: "...se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia" (Is 58:10).

h) Hospitalidade - “[...] praticai a hospitalidade” (Rm 12:13b). Se com os necessitados precisamos ser generosos, com os visitantes devemos ser hospitaleiros. O cristão não tem apenas seu coração e bolso abertos, mas também sua casa. Ele é hospitaleiro. O cristianismo é a religião do coração aberto, da mão aberta e da porta aberta.

i) Boa vontade – “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (Rm 12:14). O cristão deve desejar o bem até mesmo para aqueles que lhe desejam o mal. O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que a língua do cristão não deve ser rogo e veneno, mas árvore frutífera e fonte que jorra água límpida. Suas palavras são medicina. O cristão deve tornar a vida das pessoas mais suave com suas palavras. Ele é um encorajador. Suas palavras aliviam o fardo; são azeite na ferida. Suas palavras são verdadeiras, boas, oportunas e encontram graça.

j) Simpatia – “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12:15). O amor nunca se mantém longe das alegrias e das dores dos outros. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que o cristão não é solitário, mas solidário. Ele chora com o que sofre e alegra-se com o que se alegra. Trafega da festa de casamento para o funeral e do cemitério para um aniversario e solidariza-se com seus irmãos tanto em suas tristezas como em suas alegrias. O amor nunca se afasta das alegrias e das dores dos outros.

k) Harmonia – “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros” (Rm 12:16a). Os cristãos devem viver em concordância uns com os outros. Devem ser unânimes entre si, nutrir os mais nobres sentimentos e praticar as mais excelentes atitudes entre si.

l) Humildade – “[...] em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12:16b). Entre os cristãos não há espaço para o esnobismo. O amor coloca o outro na frente do eu. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que o cristão não pode aplaudir a si mesmo e colocar placas de honra ao mérito ao longo de seu caminho. Não é aprovado quem a si mesmo louva, diz a Palavra de Deus.

2. Exercitar o serviço cristão. Disse Paulo: “Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). A vida cristã é uma vida de serviço, de um serviço em todas as áreas da vida, de um cumprimento de tarefas determinadas pelo Senhor e da qual prestaremos contas quando chegarmos à eternidade.

A palavra servir tem uma tonalidade de submissão. Entre os militares essa expressão é muito comum, como, por exemplo: “Estou servindo no Aeroporto Pinto Martins”. Outros militares falam: “Estou servindo em Fortaleza, Belém etc.”.  Dá a ideia de submissão a uma autoridade superior. Da mesma maneira os cristãos servem ou devem servir ao Senhor.

Na parábola dos dois servos, Jesus nos mostra, claramente, que cada salvo é um servo e que todo servo é alguém que tem de servir, que tem de prestar um serviço, serviço que deve ser “assim”, ou seja, segundo um modelo, um padrão estabelecido pelo Senhor. Ele disse: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim”(Mt.24:46).

 “Agora, pois, que é que o Senhor, teu Deus requer de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”(Dt 10:12). Estas palavras foram ditas ao povo de Israel e que se aplicam, literalmente, a todos nós que pertencemos à Igreja do Senhor.

3. Exercitar a resistência ao mal. Adverte o apóstolo Paulo: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:21). O crente age transcendentalmente. Não é vencido pelo mal; ele vence o mal com o bem. O bem é o amor ao próximo e de modo geral a vontade de Deus. A primeira vitória sobre o mal é o amor. Abraão Lincoln dizia que a única maneira de vencer um inimigo é fazendo dele um amigo.

Estêvão, quando apedrejado, orou: "Senhor Jesus, não lhes imputes esse pecado" (At 7:60). A Bíblia diz que devemos abençoar os nossos inimigos e orar por eles. Se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer, se tiver sede, devemos dar-lhe de beber. O misericordioso perdoa as ofensas. Ele não registra mágoas. Ele não guarda rancor. Ele não armazena ira. Ele perdoa. Ele vence o mal com o bem. Quem não perdoa não pode ofertar, não pode adorar, não pode ser perdoado. Quem não perdoa adoece, é flagelado pelos verdugos da consciência e jamais receberá misericórdia. "O juízo é sem misericórdia para aquele que não exerce misericórdia" (Tg 2:13).

CONCLUSÃO

Somente os salvos tem uma nova vida em Cristo. A nova vida em Cristo consiste em viver separado do mundo de pecado, viver em santidade, não conformado com o mundo. Esta deve ser uma das características dos crentes salvos, porquanto esta é uma das exigências de Deus – “como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pd 1:14-16). Na Igreja Primitiva os Cristãos eram ensinados a viver entre os pagãos, andando de forma diferente da deles; eram ensinados a viver no mundo, não deixando que o mundo vivesse neles. Hoje, por certo, não é diferente. Os que estão andando como salvos observam o ensino de Paulo: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”(Fp 2:15). Para viver como salvo é necessário o viver em Santidade. Você está vivendo?

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Revista Ensinador Cristão – nº 66. CPAD.

Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.

Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

segunda-feira, 9 de maio de 2016

MARAVILHOSA GRACA AULA 7


Aula 07 – A VIDA SEGUNDO O ESPÍRITO

2º Trimestre/2016

Texto Base: Romanos 8:1-17

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16).



Objetivo desta Aula: “Mostrar que aqueles que pela fé em Jesus Cristo foram salvos pela graça, precisam viver segundo o Espírito Santo”(LBP).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 8 da Epístola aos Romanos. Este capítulo é um dos mais apreciados da Bíblia. Trata da vida no Espírito, em contraste com aquilo que nós lemos no capítulo 7: a experiência de agonia, fracasso e derrota do homem carnal. No final do capítulo 7, Paulo garante aos crentes que todos têm o poder de vencer o pecado e a certeza da libertação final deste mundo de iniquidade. Mas ele inclui um aviso de que haverá durante toda a vida uma constante tensão por causa da nossa natureza pecaminosa; há um grande conflito entre a velha natureza e a nova natureza. O ser humano almeja, quer, mas não consegue obedecer ao que Deus determina, criando, então, aquele grito no final do capítulo 7: “desventurado homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”. É neste contexto, então, que Paulo introduz a Pessoa e a Obra de Cristo escrevendo as operações e as atividades do Espírito Santo naquele que está em Cristo Jesus, que é o assunto do capítulo 8. Neste capítulo, Paulo nos diz que a vitória sobre o pecado e a comunhão com Deus nos vêm pela união com Cristo, mediante o Espírito Santo que em nós habita. Ao recebermos o Espírito Santo e sermos por Ele dirigidos, somos libertos do poder do pecado e prosseguimos adiante para a glorificação final em Cristo. O que era impossível na antiga aliança, regida pela lei, agora se tornou possível graças a uma nova lei – a lei do Espirito de vida em Cristo Jesus. Assim, a vida cristã constitui-se essencialmente em vida no Espírito, quer dizer, uma vida que é animada, sustentada, orientada e enriquecida pelo Espírito Santo. O Espírito Santo que habita em nós concede-nos recursos para vivermos neste mundo de maneira santa e justa. Sem o Espírito Santo não poderemos viver de modo a agradar ao Pai. Que possamos nos entregar totalmente a Deus, permitindo que o seu Espirito nos guie. Sem Ele perderemos a bênção da esperança de morarmos ao lado do Senhor no Céu.

Romanos 8 trata das seguintes operações do Espirito Santo:

Ø Aplicação da Obra de Cristo no coração do crente (vv.1-4).

Ø Como o Espírito nos inclina agradar a Deus (vv. 5-8).

Ø Que Ele abita em todo verdadeiro cristão (vv. 9-11).

Ø Que Ele nos dá o poder para mortificar a carne, a tendência pecaminosa (vv. 12,13).

Ø Que Ele nos guia como filhos de Deus (vv.14,15).

Ø Que Ele testifica da nossa salvação e da nossa herança (vv.16,17).

Ø Que Ele nos conforta em meio aos sofrimentos do mundo presente (vv.18-25).

Ø Que Ele intercede por nós nas nossas orações (vv.26-27).

O capítulo termina com uma exposição de Paulo diante da obra do Espírito Santo, argumentando que somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus nosso Senhor e Salvador; são os versos 31-39, onde Paulo pergunta: “à vista disso tudo [o plano da salvação que foi exposto em Romanos capítulos 1-8] quem nos poderá separar do amor de Deus? Somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus, nosso salvador”.

I. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À LEI DO PECADO (Rm 8:1-4)

Ao falar da ação do Espírito Santo naquele que foi justificado pela fé, que está unido a Cristo, Paulo faz um contraste entre a vida na carne - que é a mesma coisa da vida debaixo da lei, que é a vida no mundo não regenerado – e a vida no Espírito - que é a vida do justificado, aquele que foi aceito por Deus e que foi perdoado. Paulo, também, mostra o resultado de cada um desses modos de vida. A vida na carne leva à morte, a vida no Espírito traz vida. Paulo agrupa a humanidade nestas duas categorias. Ou vivemos na carne, debaixo da lei, prisioneiro no pecado, condenados, destinados à morte, ou vivemos no Espirito, na liberdade que ele nos dá na vitória sobre o pecado, e frutificando para Deus e, finalmente, obtendo a vida eterna.

Às vezes olhando de fora não sabemos quem está na carne ou no Espírito, porque pecadores não regenerados ainda tem uma semente de religião: eles oram, eles cantam, eles contribuem, eles vão a igreja, mas nunca foram regenerados. E às vezes alguém que de fato foi regenerado, que já saiu dessa vida debaixo da lei e do domino do pecado, tem uma recaída, pois ninguém é perfeito, pode ser que alguém tropece. Assim, olhando numa primeira vista, numa primeira análise, não dá para dizer de cara quem é quem. Mas como disse o senhor Jesus: pelos frutos os conhecereis (Mt 7:16,20). O tempo acaba revelando a verdade da vida de cada um. Os frutos se mostram com clareza. É apenas uma questão de tempo.

Em Rm 7:24 Paulo expressa o seu lamento: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. Dá a impressão que Paulo carrega em suas costas um corpo em decomposição. Esse corpo é, certamente, a velha natureza com toda a sua corrupção. Em sua aflição, o apóstolo reconhece a incapacidade de se livrar dessa escravidão repulsiva. Ele precisa de ajuda externa. Mas, do vale do desespero e da derrota, o apóstolo se eleva com um grito de triunfo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). Não há nenhuma condenação divina no tocante aos nossos pecados, pois estamos em Cristo. Enquanto estávamos em Adão, nosso primeiro representante, havia condenação. Agora estamos em Cristo e, portanto, livres da condenação.

Romanos 8:2 explica o porquê de não haver mais nenhuma condenação: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus” nos “livrou da lei do pecado e da morte”. Vemos aqui duas leis ou princípios opostos. O princípio característico do Espírito Santo é dar poder aos cristãos para a vida de santidade. O princípio característico do pecado é arrastar a pessoa para a morte. É como a lei da gravidade. Quando lançamos uma bola para o alto, ela volta, pois é mais pesada que o ar que desloca. Um pássaro também é mais pesado que o ar, mas pode voar. A lei da vida no pássaro supera a lei da gravidade. Assim também o Espírito Santo provê a vida ressurreta do Senhor Jesus e liberta o cristão da lei do pecado e da morte. A lei nunca foi capaz de fazer as pessoas cumprirem suas exigências santas, mas onde a lei falhou, a graça foi bem-sucedida.

Compreendendo melhor...

A Lei não podia produzir uma vida de santidade porque estava enferma pela carne. O problema não era a Lei, mas a natureza humana decaída. A Lei foi dada a homens que já eram pecadores e não tinham forças para obedecer. Mas, Deus interveio enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa (cf Rm 8:3). É importante observar que o Senhor Jesus não veio em carne pecaminosa, mas em “semelhança de carne pecaminosa”. Ele não pecou (1Pd 2:22), não conheceu o pecado (2Co 5:21) e nele não existia pecado (1João 3:5). Porém, quando veio ao mundo em forma humana assemelhou-se à natureza humana pecaminosa. No sacrifício de Cristo, “condenou Deus, na carne, o pecado” (Rm 8:3). Cristo morreu não apenas pelos pecados que cometemos (1Pd 3:18), mas também por nossa natureza pecaminosa. Em outras palavras, além de morrer por aquilo que fizemos, Ele também morreu por aquilo que somos e, desse modo, “condenou [...], na carne, o pecado” (Rm 8:3). Não é dito em momento algum que nossa natureza pecaminosa foi perdoada; pelo contrário, ela foi condenada. O perdão é aplicado aos pecados que cometemos.

Agora, o preceito da Lei se cumpriu em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:4). Ao entregarmos o controle de nossa vida ao Espírito Santo, Ele nos capacita a amar a Deus e ao nosso próximo, o que constitui, afinal, o preceito da Lei (Mt 22:38-40).

Portanto, no capítulo 5:12-21, Paulo discorre sobre Adão e Cristo como nossos representantes; em Rm 8:1, ele mostra como a condenação que herdamos de nossa identificação com Adão é removida com nossa identificação com Cristo. Nos capítulos 6 e 7, o apóstolo Paulo tratou do problema atroz da natureza humana pecaminosa; em Romanos 8:1-4, ele anuncia, triunfantemente, que a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus nos liberta da lei do pecado e da morte. O capítulo 7, trata da Lei; no capítulo 8, descobrimos que a vida controlada pelo Espírito Santo cumpre as exigências da Lei.

II. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À NATUREZA ADÂMICA (Rm 8:5-17)

Duas forças antagônicas operam no homem: a natureza carnal e o Espírito Santo. Esta tensão entre “carne” e Espírito nos faz lembrar Gálatas 5:16-26, onde os dois se encontram em conflito irreconciliável um com o outro. Em Romanos 8:5-17, o apóstolo Paulo mostra o contraste entre o Espírito Santo e a natureza adâmica (a carne). A velha natureza perversa e corrompida só nos causou dissabores. Nunca trouxe nada de bom. Se Cristo não tivesse nos resgatados, a natureza adâmica teria nos arrastado para os lugares mais profundos, escuros e quentes do inferno. Os que vivem segundo a velha natureza (a carne) caminham, necessariamente, para a morte, não apenas física, mas também eterna. Como Rm 8:4,5 deixa claro, viver segundo a carne significa não ter salvação.

1. A velha inclinação (Rm 8:5-8). “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne” (Rm 8:5a). Paulo diz que aqueles que se inclinam para a carne, ou seja, os inconversos, se preocupam com as coisas da carne e obedecem aos impulsos da carne; vivem para realizar os desejos da natureza corrompida; cuidam apenas das coisas do corpo que, em pouco tempo, voltará ao pó. É bom deixar claro que, quando Paulo fala em “carne”, não está se referindo ao tecido muscular mole e macio que cobre o nosso esqueleto, nem aos instintos e apetites do nosso corpo, mas sim ao todo que compõe a nossa natureza humana, vista como corrupta e irredimida, nossa natureza humana caída e egocêntrica, ou o ego dominado pelo pecado (John Stott).

“A inclinação da carne é morte” (Rm 8:6). Ou seja, a inclinação de quem é dominado pela carne já é voltada para a morte espiritual e conduz inevitavelmente à morte eterna, pois ela aliena tais pessoas de Deus, impossibilitando a comunhão com Ele, seja neste mundo, seja no próximo. Segundo William Macdonald, o pendor da carne dá para a morte porque é inimizade contra Deus (Rm 8:7). O pecador vive em estado de rebeldia e hostilidade ativa contra Ele; a crucificação do Senhor Jesus Cristo foi prova clara dessa realidade. “O pendor da carne [...] não está sujeito à lei de Deus”. Deseja fazer a própria vontade, e não a vontade de Deus. Deseja ser seu senhor, e não se curvar à soberania divina.

Além da inclinação, falta também o poder para obedecer. Portanto, não surpreende que os que estão na carne não podem agradar a Deus. Não há nada que uma pessoa não-salva possa fazer para agradar a Deus: nem boas obras, nem devoção religiosa, tampouco serviço sacrificial. Antes de tudo, essa pessoa precisa reconhecer sua condição de pecador e receber Cristo por um ato decisivo de fé. Somente então poderá receber a aprovação de Deus.

Paulo diz mais: “porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8:13). O “viver segundo a carne” se revela através do corpo. Portanto, devemos nos afastar da carne (natureza pecaminosa) e das suas iníquas atitudes, das suas práticas e suas habituais respostas. Este é um ato que deve ser realizado e uma atitude que deve ser tomada; devemos todos os dias nos afastar dos desejos que nos levam para longe de Deus.

2. A nova inclinação (Rm 8:5b,9). “Mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito” (Rm 8:5b); “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9).

Depois de nascer de novo, a pessoa não está mais na carne, mas no Espírito. Ela passa a viver em um novo âmbito. Assim como o peixe vive na água e o homem vive na superfície terrestre, o cristão vive no Espírito. Não apenas ele vive no Espírito, como também o Espirito vive nele. Na verdade, se o Espírito de Cristo não habita dentro dele, ele não pertence a Cristo. Portanto, os que se inclinam para o Espírito, ou seja, os verdadeiros cristãos, transcendem a carne e o sangue e vivem para as coisas eternas. O Espírito inclina nossa mente para desejá-lo. Essa inclinação é um pendor, um desejo forte que nos impulsiona e nos arrasta. Os que são dominados pela carne buscam agradar a carne e praticar suas obras (Gl 5:19-21), mas os que se inclinam para o Espírito, cogitam das coisas do Espirito; ocupam-se da Palavra de Deus, da oração, da adoração e do serviço cristão.

3. A nova filiação (Rm 8:14-17). “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai”.

Os judeus se consideravam filhos de Deus por causa da sua herança, mas Paulo explica que agora esse termo tem um novo significado. Os verdadeiros filhos de Deus são aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus como ficou provado no seu estilo de vida. Os crentes não têm apenas o Espirito (Rm 8:9), eles também são guiados por Ele. Este privilégio, que tornou possível ao crente ser orientado ou guiado pelo Espirito aconteceu porque Deus nos deu a adoção de filhos – “... recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8:15). “Aba” é a palavra aramaica usada pelos judeus (e até hoje pelas famílias que falam o hebraico) como o termo familiar com o qual os filhos se dirigem ao seu pai. Pertencemos agora à família de Deus. Temos intimidade com Deus.

O Espírito Santo é testemunha da nossa filiação - “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16). Portanto, não basta saber que somos filhos de Deus por adoção, precisamos estar conscientes desse auspicioso privilégio. O Espírito Santo testifica com nosso espirito que somos filhos de Deus. Então, não precisamos viver cabisbaixos, derrotados e envergonhados. Somos agora filhos do Altíssimo, membros da família de Deus. Isso não é sugestão humana, mas testemunho fiel do Espírito Santo que habita em nós. Glórias sejam dadas a Deus!

Os membros da família de Deus desfrutam privilégios extraordinários. Todos os filhos de Deus são herdeiros de Deus. Mais cedo ou mais tarde, o herdeiro recebe os bens de seu pai. O apostolo Paulo confirma isso dizendo: “E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8:17).  Portanto, tudo que o Pai possui é nosso. Ainda não estamos desfrutando tudo isso, mas certamente o faremos no futuro bem próximo. E somos coerdeiros com Cristo; em seu Reino, teremos parte com Ele em todas as riquezas do Pai.

Todavia, Paulo nos faz lembrar de que a vida vitoriosa no Espírito Santo não é nenhum caminho fácil – “se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17b). Jesus sofreu, e nós que o seguimos sofreremos também. Esse sofrimento é considerado um sofrimento em conjunto com Ele (cf. 2Co 1:5; Fp 3:10; Cl 1:24; 2Tm 2:11,12) e advém do nosso relacionamento com Deus como seus filhos, da nossa identificação com Cristo, do nosso testemunho dele e da nossa recusa de nos conformar com o mundo (cf. Rm 12:1,2).

III. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO ENTRE A NOVA ORDEM E A ANTIGA (Rm 8:18-39)

O final do versículo 17, do capítulo em epígrafe, termina com uma conexão entre o sofrimento e a glória. Isto nos ensina que a participação na glória de Cristo somente será alcançada depois de uma participação no seu sofrimento (Rm 8:17). Mas, Paulo completa esse pensamento e conclui que nossos atuais sofrimentos “não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). O sofrimento atual é temporário, enquanto a glória futura é eterna. Paulo escreveu aos Coríntios: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co 4:17). O sofrimento é parte do processo de partilhar da morte de Cristo e irá culminar na participação da Sua glória. Essa participação da glória de Deus tem proporções cósmicas, pois o glorioso destino dos crentes irá assimilar um novo Dia para toda criação. Aqui ainda há dor e lágrimas; há fraqueza e morte; porém, não caminhamos para um túmulo gelado e frio, mas para a gloriosa ressurreição. Não caminhamos para um destino desconhecido nem para um lugar de tormento, mas para a bem-aventurança eterna. O sofrimento presente não pode ser comparado às glórias futuras. Diante do fulgor da glória que nos espera, os sofrimentos do presente mundo são leves e momentâneos. Aleluia!

1. A manifestação dos filhos de Deus – “A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8:19). Paulo informa enfaticamente que “toda criação geme e suporta angústias até agora” (Rm 8:22). A criação que Paulo se refere é a criação irracional, animada ou inanimada. A queda não atingiu apenas o homem, mas também a natureza.

Vivemos em um mundo que suspira, soluça e sofre. Toda a criação geme e padece dores como as de parto. A criação não se contorce com os gemidos da morte, mas geme como uma mulher prestes a dar à luz (Rm 8:22). Seus gemidos não são de desespero, mas de gloriosa expectativa. Ela não geme por causa de um passado inglório, mas por um futuro glorioso. John Stott diz que “os gemidos da criação são dores inevitáveis no vislumbre de uma Nova Ordem”. A escravidão da decadência dará lugar à liberdade da glória (Rm 8:21). Às dores de parto seguirão as alegrias do nascimento (Rm 8:22). A criação se recorda das condições ideais no Éden e depois vê a destruição causada pela entrada do pecado no mundo. Sempre houve a esperança da volta ao estado bucólico, isto é, de beleza natural, campestre, primaveril, terno e maravilhoso, no qual a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção e poderá desfrutar a liberdade da era dourada na qual os filhos de Deus serão manifestados em glória.

A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8:19,21). A criação vive como que na ponta dos pés, esticando o pescoço, olhando para esse futuro que virá trazendo em suas asas a restauração de todas as coisas. As palavras “ardente expectativa” (Rm 8:19), no grego, significam esperar de cabeça erguida e com os olhos fixos naquele ponto do horizonte de onde virá o objeto esperado: “a manifestação dos filhos de Deus”. Paulo personifica toda criação aguardando com “ardente expectativa” o tempo em que seremos revelados filhos de Deus diante de um mundo maravilhado. Isso ocorrerá quando o Senhor vier para reinar e nós voltarmos com Ele. Já somos filhos de Deus, mas o mundo não reconhece nem aprecia nossa condição. E, no entanto, o mundo espera por um dia melhor, um dia que virá somente quando o Rei voltar para reinar com todos os seus santos.

2. Provas do grande amor de Deus. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32).

A maior prova do grande amor de Deus foi a entrega do seu único Filho para morrer, vicária e substitutivamente, em nosso lugar - “nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós”. Aqui, a palavra “poupou” é a mesma para “negar”, usada em Gn 22:12, quando Deus disse a Abraão: “não me negaste o teu filho, o teu único filho”.

Quando a humanidade perdida precisou ser salva por um substituto sem pecado, o Deus do universo não reteve o tesouro mais precioso do seu coração; antes, entregou-o a uma morte vergonhosa em nosso lugar -“o entregou por todos nós...” (Rm 8:32). Cristo é o Dom inefável de Deus, e a cruz é o gesto mais profundo do seu amor. Cristo não morreu como um mártir; foi entregue, e Ele mesmo se entregou por toda a humanidade. Quem entregou Jesus à morte não foi Judas, por dinheiro; não foi Pilatos, por medo; não foram os judeus, por inveja; mas o Pai, por amor.

Diante deste inefável amor, o apóstolo Paulo descreve uma lógica irresistível: “... como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32). Se Deus já nos deu a maior de todas as dádivas, acaso reterá alguma dádiva de menor valor? Se Ele já pagou o mais alto preço, acaso hesitará em pagar algum preço menor? Se Ele não mediu esforços para obter nossa salvação, acaso nos abandonará?  Porventura, “não nos dará também com Ele todas as coisas?”.

3. Deus é conosco. “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).

Satanás e todos que estão sob o seu poder são contra nós, mas Deus promete que, no final, sairemos vitoriosos. Observe que o apóstolo Paulo não pergunta: "Quem é contra nós?", pois, se assim o fizesse, o inferno inteiro se levantaria, vociferando seu ódio incontido. A pergunta é: "Se Deus está do nosso lado, quem poderá deter-nos ou resistir a nós?". Se o Rei e Senhor do universo está do nosso lado, se ele nos amou, nos chamou, nos justificou e já decretou a nossa glorificação, então somos vitoriosos e invencíveis. Ainda que o inferno inteiro se levante contra nós, certamente triunfaremos.

John Stott corretamente afirma: "O mundo, a carne, e o diabo podem continuar alistando-se contra nós, porém nunca nos poderão vencer, se Deus é por nós”.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Warren Wiersbe, diz que Deus é por nós e provou isto dando-nos seu Filho (Rm 8:32). O Filho é por nós e prova isto intercedendo por nós junto ao Pai (Rm 8:34). O Espírito Santo é por nós, assistindo-nos em nossa fraqueza e intercedendo por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8:26). Deus trabalha para que todas as coisas contribuam para o nosso bem (Rm 8:28). Em sua pessoa e em sua providência, Deus é por nós. Por vezes, lamentamos como Jacó: "Todas estas coisas me sobrevêm" (Gn 42:36), quando, na verdade, tudo está trabalhando em nosso favor. Deus é conosco, sempre!

CONCLUSÃO

Conquanto as provas, as tribulações, as vicissitudes, sejam brutais e impiedosas, o crente, que tem sua vida segundo o Espírito Santo de Deus, está seguro em Cristo. Se está seguro em Cristo é porque está em Cristo. E “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1); “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Rm 8:38,39). “Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:37).

Portanto, o fim do nosso caminho não é o sepulcro coberto de lágrimas, mas o hino triunfal da gloriosa ressurreição. Nossa jornada não terminará com o corpo surrado pela doença, enrugado pelo peso dos anos, coberto de pó na sepultura, mas receberemos um corpo de gloria, semelhante ao de Cristo (Fp 3:21). Nosso corpo resplandecerá como o fulgor do firmamento e como as estrelas, sempre e eternamente (Dn 12:3). Nosso choro cessará, nossas lágrimas serão estancadas. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor (Ap 21:4). Esta é uma promessa inexorável a todos aqueles que têm sua vinda segundo o Espírito de Deus. Aleluia!

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Revista Ensinador Cristão – nº 66. CPAD.

Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.

Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.

FONTE:http://luloure.blogspot.com.br/