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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016



Aula 02 – OS SINAIS QUE ANTECEDEM A VOLTA DE CRISTO

1º Trimestre/2016

Texto Base: Mateus 24:3-8; 11-14

“E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? (Mt 24:3).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos dos Sinais que antecedem a volta de Cristo. Ao falarmos acerca desse assunto, nossa mente, naturalmente, volta-se para o início do maior sermão proferido por Jesus em seu ministério, o chamado “sermão escatológico”, “sermão profético” ou “sermão do monte das Oliveiras”, proferido na última semana antes da Sua morte na cruz do Calvário. Este sermão está registrado nos chamados evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas): Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36.

Jesus não deixou Seu povo desorientado e à mercê das circunstâncias, mas avisou, com absoluta clareza, o que iria acontecer sobre a face da Terra nos tempos imediatamente anteriores à Sua vinda. Ninguém poderá, diante do Senhor, no juízo final, invocar ignorância ou impossibilidade de perceber a iminência da volta de Cristo, porquanto dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, os fatos, que hoje são conhecidos no mesmo instante em que ocorrem, estão a testemunhar em alto e bom som, “… qual forte vendaval, rugindo sobre o mar, escuta-se a mensagem que do Céu provém; ouvi a grande nova que alegria traz: Cristo, em breve, vem” (refrão do hino 157 da Harpa Cristã).

I. O QUE SÃO OS SINAIS DA VOLTA DE JESUS

Os sinais são uma prova de que Deus está no pleno controle da história da humanidade e que tudo está acontecendo segundo a sua vontade, o que fortalece a nossa fé em Deus, pois sabemos, através destes sinais, que Deus é soberano e fiel e que, portanto, não faltará com as suas promessas feitas a nós e que, brevemente, estaremos com Ele na glória, que é a nossa esperança e razão de viver.

1. A pergunta feita no Monte das Oliveiras – “E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”(Mc 13:3). Apenas Marcos informa que a pergunta foi feita por Pedro, Tiago, João e André. A pergunta dos discípulos, na verdade, pode ser desdobrada em três, e demonstra a visão correta que eles tiveram sobre os eventos escatológicos.

a) “Quando serão essas coisas”. Aqui, “essas coisas” falavam daquele tempo presente e estavam relacionadas com a destruição do templo, segundo Jesus havia dito alguns momentos antes, e que, na verdade, ocorreu no ano 70 d.C, quando o templo foi demolido pelo exército romano, que não deixou “pedra sobre pedra, conforme tinha sido predito por Jesus.

b) “Que sinal haverá da tua vinda”.Tua vinda, como sabemos, refere-se à segunda vinda de Jesus. Essa segunda vinda acontecerá, segundo cremos, em duas etapas. Na primeira etapa, o Senhor Jesus virá somente para a Igreja. Esta etapa é chamada de Dia do Arrebatamento da Igreja, que, segundo cremos, poderá acontecer a qualquer momento (Mt 24:44; 1Co 15:51,52). Na segunda etapa de sua vinda, o Senhor Jesus virá em glória para Israel; Ele descerá, de forma visível, no Monte das Oliveiras (Zc 14:4). Esta segunda etapa é conhecida como o Dia da Revelação, pois será visível a todos – “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá...”(Ap 1:7). O Dia da Revelação acontecerá sete anos após o Arrebatamento da Igreja.

Após a pergunta sobe a “tua vinda, Jesus falou dos sinais que iriam acontecer antes destes dois eventos, ou seja, antes do Arrebatamento e antes da Sua vinda em glória.

- “Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; (...) se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares, (...) sereis atribulados, e vos matarão” (Mt 24:6-9).

- Vocês verão “o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo [o Templo]” (Mt 24:15).

- “O sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados” (Mt 24:29).

- “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos (...) se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mt 24:30).

Segundo nós cremos a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação, enquanto que o Dia da Revelação acontecerá depois.

c) “E do fim do mundo”. É difícil sabermos se, naquele momento, Pedro, Tiago, João e André, que até poucas horas antes parecia que estavam ainda sonhando com um reino terreno, entenderam a profundidade e o alcance da pergunta que estavam fazendo, ou se foram inspirados pelo Espírito Santo a fazê-la, a fim de que o Senhor Jesus pudesse descortinar o futuro, em seu grande sermão escatológico. A pergunta dos discípulos envolvia os acontecimentos daquela época, do nosso tempo e do fim do mundo. Assim, no ano 70 d.C, cumpriu-se uma parte do que eles queriam saber: o Templo foi totalmente destruído, não ficando “pedra sobre pedra”, e os judeus que conseguiram fugir, a partir daquela data, espalharam-se pelo mundo, para somente se fixar de novo naquela terra, como nação, em 1948.

A Segunda parte do que eles queriam saber ainda não se cumpriu, que é a “Tua Vinda”. E, mesmo quando se cumprir, ainda não será o fim do mundo. Haverá o Milênio. Assim, após os acontecimentos relativos à “Tua Vinda”, as atividades na terra continuarão, pelo menos, por mais mil anos. Então, ao que parece, virá o fim! – “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mt 24:14).

- “O Evangelho do Reino” – Entendo que é a pregação que se desenvolverá no Milênio. Hoje nós pregamos o Evangelho da Graça, a graça divina que traz salvação a todos os homens. O Evangelho do Reino será pregado pelos judeus, o Evangelho da Graça está sendo pregado pela Igreja; depois do Evangelho do Reino, virá o fim, o Julgamento Final - Julgamento do Trono Branco. Depois do Evangelho da Graça virá o Arrebatamento da Igreja. A nossa função como Igreja é pregar o Evangelho da Graça.

2. O propósito dos Sinais. Acreditamos que o Senhor Jesus ao discorrer sobre os Sinais, tinha três propósitos: serviriam para Orientação, para que soubéssemos estar no caminho certo; serviriam para Advertência, para que não fôssemos surpreendidos na sua vinda; serviriam para Segurança, ou como uma garantia de que suas promessas estariam se cumprindo.

2.1. Os Sinais servem para Orientação. Orientação é um dos objetivos dos Sinais. Sem eles a viagem seria difícil, não saberíamos nos orientar quanto ao estarmos perto ou longe do fim. Nós somos viajantes e estamos a caminho da Cidade Celestial (Fp 3:20). A Palavra de Deus, principalmente através dos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos, nos oferece toda orientação necessária para uma viagem tranquila e segura. Orientando-nos pelos Sinais preditos por Jesus, e que estão acontecendo em todas as partes da Terra, sabemos que o encontro de Isaque com Rebeca, ou de Cristo com sua Igreja, está mais próximo do que se pode imaginar.

2.2. Os Sinais servem como Advertência. São diversos os Sinais de Advertência encontrados numa rodovia, tais como curva perigosa à direita, ou à esquerda; trecho com grande incidência de acidentes; estreitamento da pista, etc., aos quais não observados, quer por negligência ou por imprudência, pode causar um prejuízo muito grande ao viajante, ocasionando, muitas vezes, a não chegada no destino proposto.

Veja alguns Sinais que Jesus nos deixou como advertência:

a) “Lembrai-vos da mulher de Ló (Lc 17:32). Por este Sinal, o Senhor Jesus adverte sobre o perigo da vaidade, da mistura com habitantes de Sodoma, símbolo do mundo de hoje. A mulher de Ló estava tão presa aos bens e valores materiais que, embora tenha conseguido sair, fisicamente seu coração tinha ficado naquela cidade. Por causa disso foi severamente punida (cf. Gn 19:26). Para que o mesmo não aconteça conosco, o Senhor Jesus advertiu-nos, dizendo: ”Lembrai-vos da mulher de Ló”.

b) “E como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem...”(Lc 17:26-29). Aqui a advertência de Jesus é sobre o que aconteceu nos dias de Noé, e que resultou no Dilúvio. O Senhor Jesus advertiu sobre o que o povo fazia naqueles dias: falou em comer, beber, casar, dar os filhos em casamento, comprar, vender, plantar, edificar. Contudo, em si mesmo, nada disto é pecado. Porém, torna-se em pecado quando se coloca o coração somente nas coisas materiais. Nos “dias de Noé” e nos “dias de Ló” prevalecia o materialismo. Tudo girava em torno e em relação das coisas e dos bens materiais. Não há qualquer informação sobre a existência de altares, de sacrifícios, de oração, de vida com Deus, de busca de coisas e valores espirituais. Era tudo pelas coisas materiais, tudo pela busca de riquezas, tudo pelo consumismo desenfreado. Será que há hoje alguma semelhança com aqueles dias? Se você achar que existe, então, receba, como que para você e para “sua” Igreja, esta advertência de Jesus, como um Sinal de Sua Vinda.

c) “... Acautelai-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos”(Mt 24:4-5).Acautelar” é uma palavra de advertência, é precaver-se, prevenir, agir com cautela, ou ser prudente. O Senhor Jesus advertiu ainda dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”(Mt 7:15). Paulo falou em “... lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho”(At 20:29). Pedro falou em ... falsos doutores, que “... por avareza, farão de vós negócios com palavras fingidas...”(2Pe 2:1-3). Judas, irmão de Tiago, falou de ... homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”(Judas 4).

São advertências, ou Sinais, que marcariam o tempo do fim, indicando que a volta de Cristo estaria prestes a acontecer.

3.3. Os Sinais servem como Segurança. Na medida que o viajante vai constatando ser verdade tudo aquilo que os sinais estão apontando, sua convicção de que eles foram colocados por quem tinha autoridade e competência para colocá-los vai aumentando. Assim, ao avistar uma placa indicando que a cidade “A” está a dez quilômetros, haverá certeza absoluta de que em alguns minutos, já se estará entrando naquela cidade. No plano espiritual e bíblico, tudo o que o Senhor falou que iria acontecer, aconteceu e está acontecendo. Isto nos confere segurança para crermos que o Dia de sua volta para buscar a sua Igreja está prestes a acontecer. Ora vem, Senhor Jesus!

4. Embora sejam importantes, as pessoas reagem de forma diferente diante dos Sinais. Embora uma cidade, ou uma estrada, seja bem sinalizada, é certo que acontecem muitos acidentes. Isto porque nem sempre a sinalização é obedecida, por diversas razões, dentre elas, com aplicação na vida espiritual, destacamos:

a) os cegos não veem os Sinais. Embora os Sinais estejam visíveis e corretamente afixados, eles não podem ser vistos pelos cegos. Assim, apesar de evangélicos, muitos seguem “doutrinas de homens”, que são cegos guiando outros cegos, como afirmou Jesus - “...Pode, porventura, um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova? (Lc 6:39). Outros, ainda que possam ver, por motivos pessoais, preferem não ver - são os cegos que têm olhos, na expressão usada pelo profeta Isaias - Trazei o povo cego, que tem olhos; e os surdos, que têm ouvidos” (Is 43:8). Isto talvez explique porque muitas denominações evangélicas estão sobremodo envolvidas com as coisas da terra, e mesmo do mundo, nada falando a respeito da atualidade da Vinda de Jesus. Elas não estão vendo os Sinais, embora eles estejam bem visíveis.

b) as pessoas veem, mas não sabem para que servem. Sabemos que cada Sinal tem um significado. É preciso saber “ler” os sinais. Os analfabetos espirituais, embora estejam com a Palavra de Deus nas mãos, não entendem o significado dos Sinais, embora possam vê-los. Da mesma forma os judeus tinham e examinavam as Escrituras, conforme o Senhor Jesus afirmou, porém, não conseguiram entender que elas falavam dele - “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. E não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:39). No mesmo erro daqueles judeus que estavam com as Escrituras nas mãos e não conseguiam encontrar Jesus, nelas, também, hoje, muitos crentes não conseguem identificar os Sinais que eles estão vendo, e relacioná-los com a Vinda de Jesus.

c) as pessoas veem, identificam, mas, não observam. É comum ver um motorista fazendo uma conversão proibida. Ele viu o Sinal indicando a proibição, porém, não quis obedecer; outros veem a luz vermelha do semáforo, mas passam assim mesmo. Eles conhecem os Sinais, porém, por negligência, ou por imprudência, correm o risco e desobedecem. O mesmo acontece com muitos crentes, hoje. Eles estão vendo os Sinais, sabem para que servem, mas, não estão levando a sério, à semelhança daquele mau servo da parábola contada por Jesus. Ele sabia que tinha um senhor e que ele estava para chegar, após uma longa viagem, porém, dizia consigo mesmo - “... o meu senhor tarde virá” (Mt 24:48), ou seja, “eu sei que ele vem, mas, não será agora!”. Jesus, contudo, disse - Virá o Senhor daquele servo num dia em que o não espera e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 24:50-51). Se você, meu irmão, consegue ver e identificar os Sinais que estão acontecendo, relacionando-os com a Vinda de Jesus, então não faça como aquele “mau servo”.

d) existem, porém, aqueles que veem, entendem e obedecem. Obedecer aos sinais é uma questão de bom caráter, de educação cívica, de ser um homem prudente. Existem aqueles que obedecem quando há um guarda de transito junto do sinal. A isto não chamamos de obediência, mas, de medo da punição. Nós que, pela misericórdia de Deus, estamos esperando a Vinda de Jesus, devemos esperá-lo livre de qualquer temor, vivendo em obediência voluntária, como afirmou Paulo - “... Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma...” (Fp 4:5-6).

Olhando para os Sinais que estão acontecendo em todo o mundo, dá para entender que Jesus vem breve? Se você acha que dá para entender, então aceite o conselho de Paulo: “... vede prudentemente como andais, não como néscios, mas, como sábios” (Ef 5:15).

II. SINAIS QUE PRECEDERÃO A SEGUNDA VINDA DE JESUS

Após o Arrebatamento da Igreja, a Terra entrará no tenebroso período da Grande Tribulação. Entretanto, embora a Igreja não fique na Terra durante esse período, ela presenciará o preparo deste cenário. Claramente observamos ao nosso derredor as mudanças na natureza, sociedade, Igreja e Israel.

Guerras, pestes e terremotos sempre existiram, mas Cristo nos ensina que tudo isto aumentaria e se intensificaria dia após dia, à medida que a sua vinda se aproximasse, a ponto de ser insuportável.
Alguns sinais relatados na Bíblia se referem literalmente ao período da Grande Tribulação que antecede a 2ª fase da Volta de Jesus, outros se referem ao período antecedente ao Arrebatamento. Entretanto, não devemos esquecer que entre o Arrebatamento e o fim da Grande Tribulação existe um curto espaço de sete anos e que a Tribulação iniciar-se-á imediatamente depois do Arrebatamento da Igreja. Logo, haverá grandes cataclismos na Terra na Tribulação. Então, antes do Arrebatamento presenciaremos o preparo para este cenário sombrio. Os sinais que antecedem a segunda fase do retorno de Jesus servem como sinais que antecedem o Arrebatamento também.

Exemplo: Durante a Grande Tribulação o ódio contra Israel será intenso; Jesus virá para livrar o seu povo e dar fim a Grande Tribulação. Quando olhamos o mundo, observamos claramente este cenário sendo montado. Cada dia cresce o ódio contra Israel; logo, se na Tribulação os Judeus serão perseguidos e odiados em todo mundo e Israel será afligido até que Jesus o livre, e, para que isso aconteça, a Igreja precisa antes ser arrebatada. Concluímos então que o Arrebatamento está próximo.

Os dias em que vivemos, à luz da Palavra do Senhor, caracterizam o preparo para a volta do Senhor. Vejamos:

1. Os Sinais da Volta de Cristo referente a Israel. Israel é o maior Sinal que antecede a Volta de Cristo e do fim dos tempos (1)

a) O retorno do povo judeu à Terra Prometida. Apesar dos surpreendentes e espantosos acontecimentos experimentados nestes dias, o maior de todos os sinais do fim dos tempos - e, contudo, o menos enfatizado - é o retorno do povo judeu à Terra Prometida e a fundação do Estado de Israel. Conforme Charles Spurgeon testemunhou, é necessário olharmos mais meticulosamente para o restabelecimento desta nação à luz das profecias. No decorrer do tempo, foi pequeno o número de servos do Senhor que O seguiram de todo o coração e aos quais foi dada a capacidade de reconhecer os acontecimentos futuros. Charles Spurgeon foi uma dessas pessoas. Antes de Israel voltar a tornar-se uma nação, quando aparentemente era impossível que os judeus retornassem para a Terra Prometida, Spurgeon ensinou que isso aconteceria, exatamente como se lê em Ezequiel 36 e 37. O significado deste texto bíblico, conforme o contexto revela, é muito evidente. Diante do significado destas passagens, haverá primeiro uma restauração política dos judeus em sua própria terra e um retorno à sua própria identidade nacional. Em segundo lugar, existe no texto e em seu contexto uma declaração muito clara de que haverá uma restauração espiritual, uma real conversão das tribos de Israel ao Senhor. Eles haverão de gozar de uma prosperidade nacional que os tornará famosos; mais ainda, serão tão gloriosos que Egito, Tiro, Grécia e Roma esquecerão sua própria glória à luz do grande esplendor do trono de Davi. Se as palavras têm significado real, este deve ser o sentido do referido texto sagrado.

Eu jamais quero aprender a arte de distorcer o significado que Deus atribuiu às Suas próprias palavras. Se a Bíblia diz algo de maneira clara e cristalina, então é isso mesmo que devemos entender. O sentido literal e o significado de Ezequiel 36 e 37 - que não podem ser negados nem espiritualizados -, deixam claro para nós que tanto as duas quanto as dez tribos de Israel serão restauradas em sua própria terra, e que um Rei governará sobre elas, e esse Rei será Jesus Cristo.

b) O anelo de Israel pela paz. Apesar dos constantes conflitos, vemos Israel procurando a paz com seus inimigos, não por terem adotado uma nova filosofia que os faz amar uns aos outros, mas pelo anseio por uma paz negociada. Muitos em Israel estão fascinados com a possibilidade de viver em paz com seus vizinhos árabes. Eles acham que essa paz realmente poderá ser alcançada. Mas a Bíblia diz: "Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão" (1Ts 5:3).

c) Israel: o objeto da profecia. Fazemos bem em compreender que os sinais do final dos tempos dados pelo Senhor são especificamente direcionados a Israel. Quando Jesus explicou os eventos dos tempos finais a Seus discípulos juntamente com os sinais que aconteceriam antes de Sua volta, Ele endereçou essas palavras ao povo de Israel. Temos duas características muito claras mencionadas em Mateus 24, que identificam esse povo:

a) "Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes" (Mt 24:16). Isto é uma referência geográfica, e não diz respeito à Igreja de Jesus Cristo. Se vivemos nos Estados Unidos, no Canadá, no Brasil, na Europa, ou em outras partes do mundo, não somos conclamados a fugir para as montanhas da Judéia, pois as palavras foram dirigidas aos "que estiverem na Judéia".

b) Além disso, Jesus está mencionando um motivo de oração: "Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado" (Mt 24:20). O sábado foi dado apenas aos judeus. Lemos nas Sagradas Escrituras, com relação ao sábado: "Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica" (Êx 31.13).

d) Jerusalém: “um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos" (Zc 12:2,3). Deus declarou que nos últimos dias, antes da segunda vinda do Messias, que Jerusalém se tornaria "um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos". Quando Zacarias fez esta profecia, 500 anos a.C., Jerusalém permanecia em ruínas e cheia de animais selvagens. A profecia de Zacarias parecia uma grande loucura, mesmo após o renascimento de Israel em 1948. Pois hoje, exatamente como foi profetizado, um mundo de mais de sete bilhões de pessoas tem os seus olhos voltados para Jerusalém, temendo que a próxima guerra mundial, se explodir, seja travada sobre essa pequenina cidade. Que incrível cumprimento da profecia!

Os olhos do mundo inteiro estão sobre Jerusalém, mais do que sobre qualquer outra cidade do mundo. Jerusalém se tornou realmente uma pedra pesada ao redor do pescoço de todas as nações do mundo, o problema mais irritante e volátil que as Nações Unidas hoje enfrentam. E não há explicação lógica para isso. O que os profetas hebreus declararam há milhares de anos está se cumprindo hoje. Essa é apenas uma parte da evidência de que os "últimos dias" profetizados estão chegando para nós e que a nossa geração talvez veja o restante da profecia cumprida.

Jerusalém permanece a cidade eterna do mundo, símbolo da Nova Jerusalém, que se há de estabelecer na consumação dos séculos, quando ela será a metrópole mundial. Isso, durante o Milênio, período em que terá muito esplendor (Is 2:3; Zc 8:22), pois Israel estará à frente das nações que subsistirem ao seu julgamento (Mt 25:31-46).

Portanto, Israel é o grande sinal dos tempos do fim para os gentios e para a Igreja. Creia nisso!

2. Os Sinais da Volta de Cristo referentes aos gentios e à Igreja. Na impossibilidade de um estudo mais profundo, quer por carência de espaço, quer principalmente, por nossa incapacidade pessoal, vamos, apenas, mencionar alguns desses Sinais que indicam a iminência da Volta de Cristo.

a) Sinais na Área Religiosa.E Jesus, respondendo, disse-lhes: acautelai-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos” (Mt 24:4,5). O Senhor Jesus advertiu sobre “os falsos cristos e os falsos profetas”. A multiplicação das heresias indica que eles na verdade vieram, e estão infiltrados nos meios evangélicos. É comum ver, na televisão, falsos cristos se apresentando. Estes são mais fáceis de serem identificados. O falso profeta, contudo, às vezes se torna bem mais difícil. Existem falsificações quase perfeitas, razão porque Jesus afirmou que eles “enganariam a muitos”.

- A apostasia (2). É um sinal fortíssimo do prenúncio da volta de Cristo. Diz o apóstolo Paulo: ”Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1Tm 4:1); “Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3).

Na vida espiritual, ou religiosa, a apostasia é o sinal mais marcante que antecede a volta de Cristo. Hoje, a apostasia, na área de ensino, tem assumido proporções muito significativas, e há igrejas locais que comemoram festas judaicas, como a Festa dos Tabernáculos, a Festa da Colheita e até a Festa da Páscoa, que são festas eminentemente judaicas. Em certas denominações, ou igrejas neopentecostais, há verdadeiro "culto aos anjos", em que pregadores, manipulando o auditório, dizem estar vendo anjos, que "o anjo chegou", que o "anjo já se sentou na cadeira do meio", e outras invencionices, visando atrair as atenções e o emocionalismo dos que não conhecem as Sagradas Escrituras. Há também as chamadas "novas unções", em que pastores se dizem serem possuidores de poderes especiais da parte de Deus. Sem falar na apostasia de caráter moral e litúrgico, em que crentes, mesmo em igrejas pentecostais históricas, fazem do culto um momento de exibicionismo e emocionalismos escandalosos, com as demonstrações do chamado "ré-té-té", que depõe contra a ordem no culto e o bom nome do evangelho. Há igrejas que retiram os bancos ou as cadeiras e fazem do lugar de adoração ringue de lutas marciais, danceterias, boates gospel e até local de "rodeio", onde o pastor monta num touro para atrair pessoas para Cristo.

b) Sinais na Área da Ciência e Tecnologia. “... muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará”(Dn 12:4). Esta é uma das áreas onde estão acontecendo os Sinais mais contundentes, de uma forma especial nos campos da Informática e da Engenharia Genética.

- No campo da Tecnologia da Informação. O desenvolvimento tecnológico fez com que os meios de transporte e de comunicação alcançassem uma dimensão que tornou o planeta Terra como se fosse uma aldeia, uma pequena localidade interiorana, onde todos têm conhecimento instantâneo de tudo o que acontece. Desta forma, passou a ser fundamental o controle destes meios de comunicação e de divulgação de informações para quem tenha a pretensão de controlar o mundo. O “deus deste século” não poderia, então, ficar inerte diante de tamanha novidade. Imediatamente, tratou de controlar estes meios de comunicação, de forma a ter à sua disposição um poderoso instrumento para divulgação das suas mentiras e das ilusões com as quais pretende preparar o mundo para o tirânico reinado de seu representante.

Hoje, é inegável que satanás tem o controle total, praticamente absoluto, de todos os meios de comunicação, tanto escrito, falado e televisionado, incluindo a Internet. Ele pode entrar na quase totalidade nos lares em toda Terra, levando a exaltação da violência, do crime, estimulando o consumo, cada vez maior de todas as espécies de drogas, ridicularizando a fé, os bons princípios, a moral, estabelecendo a ordem familiar. Ele implanta a ditadura da moda, mudando-a ao seu bel prazer. A mentira ele chama de verdade, a verdade ele faz parecer mentira; o que era moral ele transforma em imoral, e ao imoral ele faz crer que é virtude. Ele promove, descaradamente, a exaltação da “concupiscência da carne” e da “concupiscência dos olhos”; exalta como sendo virtude “a soberba da vida”. Nunca, em toda a história do cristianismo, aquela verdade dita pelo apóstolo João de que “... todo o mundo está no maligno”(1João 5:19), foi tão real, e tão atual, como é agora. Podemos afirmar, com toda convicção, que “todo o mundo está no maligno”.

É possível ver o que Satanás, através de seus súditos, está realizando no sentido de preparar o mundo para o Governo do Anticristo. Este, pela Tecnologia da Informação, terá o mundo em suas mãos. Certamente não haverá na Terra lugar onde alguém poderá fugir ou se esconder. Sabemos que o Anticristo procurará, em tudo, imitar Cristo. Assim, através de um quase perfeito Sistema de Computação ele vai procurar exercer os três atributos que são específicos de Deus - a Onipresença, a Onisciência e a Onipotência. Cada família poderá ser vigiada e controlada dentro de sua própria casa.

- No campo da Engenharia Genética. Coisas consideradas espantosas já estão se tornando parte do nosso dia-a-dia, como, por exemplo, a escolha antecipada, por parte do casal, do sexo do filho. Há quarenta anos o casal só poderia saber se era homem ou mulher após o nascimento. Com a evolução da ultrassonografia foi possível poder identificar o sexo da criança na 16ª semana de gravidez. Hoje, nem a perspectiva da clonagem de humanos não assusta mais. Quase tudo está se tornando possível à ciência. Isto significa que estamos vivendo no tempo do fim.

A única coisa que podemos ter certeza agora, e até o fim, é a de que a “patente da vida” continua sendo propriedade exclusiva do seu Criador. Por mais que a ciência se multiplique, sem as matrizes - formadas pela célula masculina, ou espermatozoide, e pela célula feminina, ou óvulo -, ninguém jamais produzirá uma vida, quer “intra-vitro”, ou proveta, quer intra-útero. Pode-se fazer a fecundação de proveta e depois “alugar uma barriga” para desenvolver o feto; pode-se selecionar os espermatozoides a fim de gerar menina ou menino; pode-se congelar as células para fecunda-las mesmo depois da morte dos pais, pode-se fazer a clonagem, porém, desde que haja um espermatozoide e um óvulo. Sem estas matrizes, criadas, no princípio, por Deus, não haverá vida.

c) Sinais na Área Social e Política. Guerras e rumores de guerra, nação contra nação e reino contra reino, fomes, pestes, inquietação política e social, migração fora do controle – como a que está ocorrendo do Oriente para a Europa -, desagregação da família, filho contra pai e pais contra os filhos, casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o número de divórcio superando o de casamentos, violência já sem controle em todos os lugares, mazelas, corrupção, crises econômicas, desemprego, o flagelo das drogas – tudo isto e muito mais, nos faz lembrar os “dias de Noé e dos dias de Ló”(Lc 17:26-30).

d) Sinais na Área da Natureza. A natureza também é um dos meios pelos quais Deus se revela (Rm 1:20). Dentre os inúmeros sinais da Natureza apontados por Jesus está o terremoto. Os inimigos da Palavra de Deus se referem com desdém a este sinal, dizendo que terremotos sempre ocorreram ao longo da história. Todavia, os próprios sismólogos (estudiosos dos tremores de terra) são claros em afirmar que a intensidade e o número dos terremotos têm aumentado consideravelmente a cada ano e que há uma intensa atividade sísmica no planeta. Todos temos percebido isto, pois não há semana em que não se noticía a ocorrência de um terremoto forte em algum lugar do planeta. Jesus não disse que haveria terremotos perto de Sua vinda, mas que haveria terremotos em vários lugares (Mt 24:7), algo que nunca havia sido detectado antes. Segundo alguns estudiosos, o número de terremotos tem aumentado assustadoramente nos últimos 20 anos. De acordo com a United States Geological Survey, dos EUA, “entre 2000 e 2010, aconteceram mais de 200.000 terremotos”. Portanto, ao vermos terremotos em vários lugares, cada vez mais frequentes e fortes, ouçamos o que a Terra tremendo está falando: “Jesus está voltando!”.

Além dos terremotos propriamente ditos, devemos aqui, também, mencionar a ocorrência de fortes maremotos, que são violentas movimentações das águas salgadas, motivadas por tremores de terras submersas nos oceanos. Os registros das navegações têm, também, observados uma maior atividade sísmica no fundo dos oceanos e mares. Também relacionado com este sinal, temos a atividade intensa dos vulcões, que também estão ligados aos abalos sísmicos. Segundo o Apocalipse, na Garante Tribulação haverá terremotos milhares de vezes mais violentos e destrutivos, que ainda não existiu até agora, pois matarão não milhares, mas bilhões de pessoas (Ap 11:13; 16:18).

Jesus afirmou que “haverá, em vários lugares, grandes terremotos, e fomes, e pestilências; haverá coisas espantosas e grandes sinais do céu... haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e na terra, angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas”(Lc 21:11,25). É claro que tudo isto ocorrerá com maior intensidade no decurso da Grande Tribulação. Todavia, alguns acontecimentos na natureza têm se destacado de forma assustadora nestes últimos anos. Ninguém mais entende o clima; florestas transformam-se em desertos; inundações; tornados; “el-nino”; descongelamento das “calotas polares”; a terra se aquecendo; ventos mudando de direção. Tudo isto, os cientistas constatam, mas não explicam. Para nós, no entanto, isto e muito mais que está acontecendo e que irá acontecer na área da natureza, são apenas sinais que denunciam que estamos no tempo do fim e que Jesus está prestes a vir buscar a sua Igreja. Então, estejamos preparados para o glorioso acontecimento do início do fim de todas as coisas: o Arrebatamento.

CONCLUSÃO

Os Sinais estão se cumprindo. Tudo indica que o retorno de Jesus é iminente. Esforcemo-nos, portanto, para que sejamos vigilantes, tenhamos uma vida de oração, de santidade, cheia do Espírito Santo, com o verdadeiro e genuíno amor divino em nossos corações e com absoluta fidelidade e lealdade ao Senhor.

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Ev. Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.

Um ensino necessário e confortador - Dr. Caramuru Afonso Francisco. Portal EBD_2004.

Joel Leitão de Melo - Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.

Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.

Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.

Caramuru Afonso Francisco – Os sinais da volta de Cristo. PortalEBD_2004.

Prof. Antônio Sebastião da SilvaOs Sinais da Volta de Cristo. PortalEBD_2004.

 
(1) Arno Froese - http://www.chamada.com.br.
 
FONTE:
 

(2) Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

ESCOLA BÍBLIA DOMINCAL 2016 CPAD


Aula 01 - ESCATOLOGIA, O ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS

1º Trimestre/2016
 
Texto Base: Mateus 24:4,5,11-13; 1Tessalonicenses 1:10
 
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2Tm 3:1).
INTRODUÇÃO
Após estudarmos sobre “O Começo de Todas as Coisas – estudo sobre o Livro de Gênesis”, estudaremos no 1º Trimestre letivo de 2016 sobre “O Final de Todas as Coisas – Esperança e Glória paras os Salvos”. É um tema fundamental e urgente para a Igreja, em especial nos dias atuais, os quais denunciam que a volta do nosso Senhor está às portas.
Teremos uma grande oportunidade de reavivarmos entre os crentes o interesse pelas coisas que brevemente hão de acontecer, e nos conscientizarmos de que devemos a cada instante nos preparar para encontrar com o nosso Senhor Jesus nos ares. Quando os discípulos ficaram perplexos, olhando para o céu, após a ocultação da figura física de Jesus, de imediato o Senhor mandou dois anjos para lembrá-los que aquele Jesus que acabara de retornar ao Lar celestial, haveria de voltar da mesma forma que havia subido para glória (At 1:11). Essa atitude divina de relembrar os discípulos à cerca das promessas de Jesus sobre a sua volta revela-nos quão importante para a vida espiritual de cada crente é o estudo das profecias bíblicas ainda não cumpridas, daquilo que brevemente há de acontecer. Como diz o hino 300 da Harpa Cristã, “Nossa Esperança é Sua Vinda”. Sem a perspectiva da volta de Cristo, não há esperança para o crente, não há sentido em nossa vida espiritual, a nossa adoração a Deus perde a razão de ser. Não é, pois, por outro motivo, que o adversário tem procurado, de todas as formas, retirar dos púlpitos a mensagem em torno deste assunto, como também levantado inúmeras pregadores liberais, seitas e heresias, cujo intento é, prioritariamente, alterar e distorcer verdades a respeito da doutrina das últimas coisas, visando, assim, estabelecer um ambiente de confusão e de desesperança entre os crentes. “Sede sóbrios e vigiai em oração”(1Pe 4:7) - é a recomendação atemporal das Escrituras Sagradas.
I. O ESTUDA DA ESCATOLOGIA
“... O Espírito da verdade... vos anunciará as coisas que hão de vir”(Jo 16:13).
1. Definição. Doutrina das Últimas Coisas, também chamada de Escatologia, é o ensino a respeito das profecias relacionadas com o término da dispensação da Igreja e os fatos subsequentes até o final da história humana. O termo Escatologia deriva do grego “eschatos”=último. E “logia”=trato ou estudo. Logo, Escatologia é o estudo (ou tratado) das últimas coisas.
Alguns estudiosos da Bíblia dizem que a Escatologia não abrange apenas os fatos históricos que ainda estão por acontecer, dentro de nossa atual dispensação, mas abrange toda a atividade profética constante das Escrituras, pois, as profecias a respeito da primeira vinda de Jesus, por exemplo, são tão escatológicas quanto as profecias que se referem à sua segunda vinda, uma vez que, nos dois casos, o fato de Jesus já ter vindo a este mundo uma vez não altera a circunstância de que Deus fez as revelações antes que os fatos tenham acontecido, sendo, pois, uma ação divina de igual natureza tanto num caso quanto noutro. Embora até concordemos com este ponto-de-vista, temos que o objeto do estudo deste nosso trimestre diz respeito aos fatos que ocorrerão a partir do instante em que a Igreja se constitui no povo de Deus aqui na Terra, este período de tempo na história humana em que Cristo concluiu a Sua obra de reconciliação entre Deus e o homem e esta boa nova é anunciada a todas as nações, com a plena e livre ação do Espírito Santo sobre a humanidade, pronta a convencê-la dos seus pecados e a fazer prosperar a pregação do Evangelho, que é levada a efeito pela Igreja. Dentro desta perspectiva, vemos que a doutrina das últimas coisas tem como profecia-chave, como elemento de base, a revelação feita por Deus, através do anjo Gabriel, ao profeta e grande estadista Daniel, conhecida como a “Profecia das Setenta Semanas”, que se encontra em Daniel 9:24-27. É a partir desta revelação que se deve estruturar todo o Estudo das Últimas Coisas.
Veja o gráfico escatológico com base nas Setenta Semanas de Daniel:
 


 Jamais poderíamos falar de escatologia sem falar de Israel – descendentes de Abraão (Gn 12:1,2). Os filhos de Israel foram altamente privilegiados como nenhuma outra nação o foi. Deus escolheu a nação israelita para o estabelecimento de seu plano salvífico beneficiando toda a humanidade. Israel é a nação eleita por Deus – “Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra”(Dt 7:6); “...Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos separei dos povos”(Lv 20:24); ”E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel”(Ex. 19:6).
Deus prometeu abençoar o mundo através de Israel – “E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra...” (Gn 22:18).
Deus demonstrou sua presença, seu poder e seu nome (Rm 9:17) - “... Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra”.
Porém, Israel falhou e a tudo rejeitou, e as consequências foram trágicas para esse povo:
- Perderam o reino – “Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21:43).
- A casa ficou deserta – “Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta” (Mt 23:38). 
- Os ramos foram quebrados – “E se alguns dos ramos foram quebrados...”(Rm 11:17).
- Foram dispersos pelo mundo – “O meu Deus os rejeitará, porque não o ouviram, e errantes andarão entre as nações”(Os 9:17).
A pesar de todas essas punições, Israel é o ponto central da Escatologia Bíblica. Jesus falou: ”Olhai para a figueira”(Lc 21:29). A Figueira, na Bíblia, é um dos símbolos da Nação de Israel. O profeta Jeremias previu o futuro da nação usando dois cestos de figos – ele viu figos bons e ruins – “um cesto tinha figos bons... mas o outro tinha figos muito maus...”(Jr 24:2). Assim como no Novo Testamento o trigo representa a Igreja, também no Antigo Testamento a Figueira representa a nação de Israel entre todas as nações, ou entre todas as “árvores”, conforme o Senhor colocou em sua parábola: “... Olhai para a figueira e para todas as árvores”(Lc 21:29).
2. A escatologia e a volta de Jesus. O estudo da escatologia bíblica mostra que o cristão autêntico tem de estar sempre vigilante em oração (1Pe 4:7), pois a volta de Jesus Cristo pode acontecer a qualquer momento e de forma repentina (Mt 24:44).
Nosso Senhor prometeu várias vezes que viria nos buscar. Quando olhamos textos como o de João 14:1-3, somos consolados e podemos notar o cuidado do Senhor com os seus. Repare que alguns instantes antes, em João 13, Jesus falava sobre a sua morte e os discípulos ficaram preocupados, então o Senhor passa a consolar o coração deles com a promessa da sua vinda. Crer que Jesus morreu e ressuscitou, implica em crer que ele voltará. O próprio cerimonial da Santa Ceia aponta para a sua volta (1Co 11:26).
Todo cristão fiel ao Senhor aguarda ansiosamente a volta de Jesus. Devemos (como os cristãos do primeiro século, apóstolos e os pais da Igreja) viver como se o Senhor viesse hoje! A Bíblia não nos fala quando será à volta de Jesus. O Senhor não revela o dia nem a hora por isso devemos estar vigilantes (Mt 24:33,50; Mc 13:35-37; Lc 21:34-36; 1Ts 5:1-6).
Apesar de não sabermos o exato momento, a Palavra de Deus nos mostra como ocorrerá a Segunda Vinda de Jesus. Podemos notar que à volta do Senhor será em 2 fases distintas: Na Primeira Fase o Senhor virá até as nuvens e a Igreja será arrebatada até ele (1Ts 4:17). Na Segunda Fase, haverá a manifestação gloriosa, física e visível do Senhor Jesus ao mundo, para livrar Israel do poder do Anticristo, julgar as nações e implantar o Milênio (Zc 14:4; Mt 24:30; Ap 1:7). Esta revelação gloriosa ocorrerá 07 anos após o Arrebatamento.
O Arrebatamento e a Revelação gloriosa são dois fatos distintos. No primeiro o Senhor toma para si aqueles que são seus. No segundo ele vem com os seus que foram arrebatados para dar fim à Grande Tribulação, ao Anticristo e a todo o seu exército; julgar as nações e implantar o Milênio (Cl 3:4; Jd 14; Ap 19:11-16).
No arrebatamento da Igreja Jesus não pisará sobre a Terra, a Igreja se encontrará com o Senhor nos ares; o mundo apenas perceberá que algumas pessoas desaparecerão. Somente na segunda fase se dará a manifestação visível do Senhor ao mundo. Portanto, para a Igreja, a volta de Jesus está relacionada com o Arrebatamento; para Israel e para o mundo, está relacionada com o fim da tribulação. Podemos dizer então que a vinda de Jesus à Terra se dará literalmente após a Grande Tribulação.
Em toda a Bíblia vemos a promessa da volta do Senhor; uma das maiores esperanças e consolo para a Igreja (Mt 25:31; 26:64; Lc 19:13; 1Ts 4:17,18; Ap 2:25; 22:12, 20). Esta volta foi predita também: pelos anjos (At 1:10,11); por Enoque (Jd 14,15); pelos profetas (Zc 14:1-9); pelo Senhor no cerimonial da Santa Ceia (1Co 11:26).
II. A PREOCUPAÇÃO COM OS FINS DOS TEMPOS
1. Os discípulos de Jesus. “E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? ” (Mc 13:3). Apenas Marcos informa que a pergunta foi feita por Pedro, Tiago, João e André. A pergunta dos discípulos, na verdade, pode ser desdobrada em três, e demonstra a visão correta que eles tiveram sobre os eventos escatológicos.
a) “Quando serão essas coisas”. Aqui, “essas coisas” falavam daquele tempo presente e estavam relacionadas com a destruição do templo, segundo Jesus havia dito alguns momentos antes, e que, na verdade, ocorreu no ano 70 d.C, quando o templo foi demolido pelo exército romano, que não deixou “pedra sobre pedra”, conforme tinha sido predito por Jesus.
b) “Que sinal haverá da tua vinda”. Isto refere-se à segunda vinda de Jesus. Essa segunda vinda acontecerá, conforme explicamos anteriormente, em duas etapas. Na primeira etapa, o Senhor Jesus virá para a Igreja - é chamada de momento do Arrebatamento da Igreja, que poderá acontecer a qualquer momento (Mt 24:44; 1Co 15:51,52). Na segunda etapa de sua vinda, o Senhor Jesus virá para os Judeus, ou para Israel, pois descerá, de forma visível, no Monte das Oliveiras. Esta segunda etapa é conhecida como o dia da Revelação, pois será visível a todos – “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá...”(Ap 1:7).
c) “E do fim do mundo”. É difícil sabermos se naquele momento, Pedro, Tiago, João e André, que até poucas horas antes parecia que estavam ainda sonhando com um reino terreno, entenderam a profundidade e o alcance da pergunta que estavam fazendo, ou se foram inspirados pelo Espírito Santo a fazê-la, a fim de que o Senhor Jesus pudesse descortinar o futuro, em seu grande sermão escatológico.
A pergunta dos discípulos envolvia os acontecimentos daquela época, do nosso tempo e do fim do mundo. Assim, no ano 70 d.C, cumpriu-se uma parte do que eles queriam saber: o Templo foi totalmente destruído, não ficando “pedra sobre pedra”, e os judeus que conseguiram fugir, a partir daquela data, espalharam-se pelo mundo, para somente se fixar de novo naquela terra, como nação, em 1948.
A Segunda parte do que eles queriam saber ainda não se cumpriu - que é aTua Vinda. E, mesmo quando se cumprir, ainda não será o fim do mundo, pois haverá o Milênio. Assim, após os acontecimentos relativos à Tua Vinda, as atividades na terra continuarão, pelo menos, por mais mil anos. Então, ao que parece, virá o fim de todas as coisas!
Infelizmente, muitos não acreditam mais na Segunda Vinda de Cristo. Já no primeiro século algumas pessoas não acreditavam neste glorioso acontecimento. O apóstolo Pedro fala sobre os "escarnecedores", que dizem: "Onde está a promessa da sua vinda?”. Achando que a Palavra de Deus não haveria de se cumprir, por causa da demora em chegar o fim dos tempos (2Pe 3:3,4). Desde aquele tempo, nos primórdios do cristianismo, havia pessoas que não acreditavam na Vinda de Jesus. Os anos se passavam, as décadas decorriam, e não havia sinais da volta do Senhor para reinar com sua Igreja. Imaginem hoje quantos também descreem da volta do Senhor. Há até pastores de igrejas que desacreditam na volta literal do Senhor Jesus, descendo sobre as nuvens para buscar a sua igreja. Ocorre que a Palavra de Deus não pode falhar. Ela é ao mesmo tempo inspirada, revelada e inerrante, pois seu Autor é Deus, por intermédio do Espírito Santo, que transmite a mensagem para a Igreja e para o mundo.
Irmãos, Deus não se guia pelo tempo cronológico, ou kronos (gr.). Ele se guia por seu próprio "tempo", que pode ser traduzido pela palavra grega kairós, que se refere a um "tempo", período ou "era" indeterminados, que não podem ser avaliados ou estabelecidos pela lógica da cronologia humana. Foi por isso que o apóstolo Pedro, numa inspiração profética, referiu-se ao tempo da volta de Jesus de forma bem incisiva e profética, quando escreveu, em sua Segunda Carta, em alusão aos escarnecedores que duvidavam que Jesus voltaria, face os anos decorridos, desde seu retomo para os céus: "Mas, amados, não ignoreis uma cousa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2Pe 3:8). Quem pode entender a mente de Deus? Ninguém. Não se sabe se Ele está usando a equação de mil anos, como um dia, ou de um dia como mil anos.
2. As previsões falsas sobre o futuro. Quantas vezes você ouviu dizer que o mundo ia acabar? A História da Igreja testemunhou, ao longo dos séculos, um grande número de falsos profetas e falsas provisões quanto ao futuro da humanidade. Só para esse ano de 2015 houve várias previsões sobre o fim do mundo. Pasmem, essas previsões foram feitas por pessoas que se dizem cristãs! Para o mês de setembro de 2015 fizeram várias previsões de que a Terra teria seu fim entre 22 e 28 de setembro, quando um asteroide cairia perto de Porto Rico. Muitas igrejas acreditaram no falso profeta que espalhavam estas falsas notícias. E nada aconteceu. Terminou em decepção e vergonha. E assim será para todos os falsos profetas e para aqueles que os seguem, por propalarem tempos e datas para o "fim do mundo".
Na verdade, tais pregoeiros do fim não passam de falsos profetas, que, além de frustrarem a fé de milhares de pessoas, deixam um legado de falsos ensinos e heresias que causam prejuízo à vida espiritual de milhões de pessoas que nelas acreditam.
O nosso adversário tem procurado, de todas as formas, retirar dos púlpitos a mensagem verdadeira em torno da volta de Cristo e o fim de todas as coisas, como também levantado um sem-número de seitas e heresias cujo intento é, de modo prioritário, alterar e distorcer a verdade a respeito da Doutrina das Últimas Coisas, visando, assim, estabelecer um ambiente de confusão e de desesperança entre os crentes.
A expectativa da segunda vinda de Cristo não deve transformar ninguém em sonhador preguiçoso ou fanático zeloso. Tanto viver desatentamente como marcar datas para a segunda vinda de Cristo estão em desacordo com os preceitos de Deus. Em vez de querer fazer parte da “comissão de planejamento” da segunda vinda de Cristo, devemos anelar fazer parte do “comitê de boas-vindas”.
3. Falsos profetas. Segundo disse o pr. Elinaldo Renovato, certo pastor evangélico, no Nordeste, fazia cálculos errôneos sobre a Grande Tribulação e a Volta de Jesus. Ele marcou o arrebatamento para 1993, e o início da Grande Tribulação (sete anos) considerando que o ano 2.000 seria o fim do 6° milênio. Nada aconteceu. Indagado sobre qual era o calendário em que ele baseava suas previsões sobre os fins dos tempos, respondeu que usava o calendário romano. Esqueceu-se de que o calendário que usamos tem um erro de defasagem de quatro ou cinco anos, cometido por Dionysius Exiguus, que só foi descoberto muitos anos depois. Segundo os estudiosos, Jesus pode ter nascido entre 6 e 4 a.C. Mas o referido pastor, homem de mais de 60 anos, considerava-se, presunçosamente, um dos maiores intérpretes das Escrituras. Desdenhou de uma comissão que foi ouvi-lo, tachando a todos de "meninos”, que não sabiam bem das Escrituras. Por causa de suas apostilas, também houve quem quisesse desmarcar compromissos, alegando que, se Jesus estava perto de voltar, para que fazer mais alguma coisa? Mas, para sua decepção e sorte do mundo perdido, Jesus não veio em 1993.
Outro “profeta”, baseado em cálculos matemáticos, somando ou subtraindo referências bíblicas e utilizando a contagem bíblica dos tempos, assegurou que o Anticristo seria revelado em 13 de novembro de 1986 às 17 horas em Jerusalém. Marcou o “fim do mundo” para março de 1987. Nada aconteceu. O falso profeta foi desmoralizado.
Por que tais ensinos fracassaram? Simplesmente, porque não estavam de acordo com a Palavra de Deus. Jesus, em seu sermão escatológico, ensinou: "Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai. Por isso, estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24:23,44).
III. INTERPRETAÇÕES ESCATOLÓGICAS
Segundo alguns teólogos e estudiosos sobre o assunto, há quatro maneiras de interpretar a escatologia bíblica:
1. Futurista. A linha de interpretação futurista faz os elementos proféticos e apocalípticos nas Escrituras referirem-se primeiramente a um 'tempo do fim' quando todos os eventos virão a acontecer, começando com o Arrebatamento da Igreja até os fatos subsequentes. A maior parte dele ainda é futuro para nós, como era para aqueles que viviam nos tempos bíblicos. Esta é a linha de interpretação mais adequada à realidade das profecias sobre os últimos tempos. Essa corrente de interpretação, porém, subdivide-se em:
a) Pré-tribulacionista. Esta corrente afirma que o Senhor Jesus arrebatará sua Igreja antes da Grande Tribulação (João 14:1-3; 1Ts 1:10). É a nossa posição. É o nosso credo. É o credo da Assembleia de Deus. Em 1Co 15:51,52 está escrito: “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”.
A própria natureza da Grande Tribulação impede que a Igreja passe por qualquer fase dela. A Tribulação é uma época de ira, julgamento, indignação, trevas, destruição e morte. Paulo escreve: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”(Rm 8:1). A Igreja foi purificada pelo sangue de Jesus e não necessita de outra purificação. Alguns questionam: “Os cristãos não precisam ser purificados?” A resposta é sim, mas eles são purificados através da confissão do pecado e através do sangue de Jesus Cristo, não através do sofrimento pessoal. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”(1João 1:9).
Outra razão que vem justificar que a posição pré-tribulacionista é verdadeira é o que Paulo escreveu em 2Ts 1:7-8, que fala em dar “a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder; como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”. A ira de Deus durante a Grande Tribulação será derramada sobre “aqueles que não conhecem a Deus”, não sobre a Igreja. Deus salvou a Ló da destruição de Sodoma e Gomorra, porque ele era um homem justo. Sendo ele um homem justo (2Pe 2:7), os anjos lhe disseram: ”Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte para que não pereças... pois nada posso fazer, enquanto não tiveres chegado lá”(Gn 19:17,22). A presença de um homem justo retardou a ira de Deus. Da mesma maneira, a Igreja terá de ser removida antes que a ira de Deus possa ser derramada sobre a Terra - “Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”(1Ts 5:8-9).
O propósito da Grande Tribulação não é preparar a Igreja para estar com Cristo, mas levar os judeus e gentios rebeldes a julgamento (2Ts 2:12), após a rejeição da mais ampla revelação do amor e da misericórdia divinos na pessoa de Jesus Cristo.
b) Pré-milenista. Ser pré-milenista significa crer que a Igreja será Arrebatada antes da implantação do Milênio, que será o governo de Cristo, na Terra. Esta corrente teológica interpreta os capítulos 19 e 20 de Apocalipse de acordo com a sequência indicada:
- Em Apocalipse 19:1 encontramos a Igreja, no Céu - “E, depois destas coisas, ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: ALELUIA! Salvação e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor, nosso Deus”.
- Em Apocalipse 19:7 fala-se das Bodas do Cordeiro - “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou”.
- Terminada a festa das Bodas, no capitulo 19:12-14, encontramos o Senhor Jesus - o Cavaleiro do “cavalo branco” -, voltando à Terra, no Dia da Revelação do Senhor. Isto, sete anos depois do Arrebatamento da Igreja e no final do governo do Anticristo, aqui na Terra. É, também, o final da Grande Tribulação.
Nesta vinda de Jesus à terra, a Igreja, glorificada, virá com ele - “E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro” (Ap 19:14). Esta roupa os anjos não podem vestir; elas foram dadas à Igreja - “E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:8).
- O final do capitulo 19 descreve a grande batalha do Armagedon, na qual o Senhor Jesus aniquilará o gigantesco exército das nações, ou dos reis da terra, prende o seu comandante - que é o próprio Anticristo -, o qual, juntamente com o falso profeta “...foram laçados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap 19:20).
- Satanás é preso; Jerusalém e Israel, libertados, reconhecem e aceitam o Senhor Jesus, como sendo o seu Messias; as nações serão julgadas... e o Milênio vai ser implantado.
- A Igreja permanecerá com Jesus, pois, antes de sua morte ele orou ao Pai, e pediu - “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste...” (João 17:24). Assim, pessoalmente, cremos que no Milênio, bem como na eternidade, a Igreja estará com Jesus, onde ele estiver.
c) Midi-tribulacionista. Os seguidores desta corrente interpretativa creem que a Igreja irá passar pelos primeiros três anos e meio dos sete anos da Tribulação e que será arrebatada antes do início da segunda metade da Tribulação.
Esta visão deve ser rejeitada, uma vez que a Tribulação nos primeiros três anos e meio terá guerras, pestes, fome, doenças, desolação e morte como início da ira de Deus sendo derramada sobre a Terra. Assim como a Igreja não pode passar pela última metade da Tribulação (porque o propósito da Tribulação é punir os incrédulos, não a Igreja), também não pode passar pela primeira metade.
d) Pós-tribulacionista. A posição do arrebatamento pós-tribulacionista sustenta que a Igreja passará por sete anos de Tribulação. Ela resistirá ao julgamento e à ira de Deus e será levada para se encontrar com o Senhor no espaço, para voltar imediatamente com ele para a Terra. Um texto usado para justificar esta posição é João 16:33: ”no mundo tereis aflições…”.
Nas Escrituras a palavra tribulação é usada de duas formas diferentes. Primeiro, é usada para descrever uma terrível provação que vem sobre os indivíduos que andam com Cristo; neste sentido o crente deve esperar por provações. Segundo, a palavra é usada para descrever o período de sete anos quando a ira de Deus será derramada na Terra sobre os homens por sua rejeição a Jesus Cristo e ao evangelho. O propósito da Grande Tribulação é punir aqueles que rejeitaram a Palavra de Deus. Os crentes têm a promessa: ”Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”(Rm 8:1). A Igreja não pode experimentar o julgamento da Grande Tribulação porque seu julgamento foi removido pelo sangue de Jesus Cristo no calvário. Dessa forma, a visão do arrebatamento pós-tribulacionista deve ser rejeitada.
2. Histórica. Os adeptos da linha de interpretação história consideram que o Apocalipse é um livro histórico, ou seja, que os eventos nele contidos ainda eram futuros na ocasião em que foram descritos (o período bíblico), mas que já ocorreram e continuam a ocorrer dentro da vida histórica da igreja. Os adventistas acreditam que já estamos no cumprimento do capítulo 6 do Apocalipse, na abertura do 1° selo, que seria a pregação do evangelho. Com base no que já foi esclarecido neste estudo não precisa de esforço para refutar essa linha de interpretação, pois ela não corresponde à realidade bíblica.
3. Preterista. A abordagem preterista considera que o cumprimento da profecia apocalíptica ocorreu mais ou menos contemporaneamente com o registro bíblico dela, incluindo a destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C. Destarte, os 'últimos tempos' já teriam acontecido quando o escritor bíblico os descreveu. Nesta linha de interpretação há manipulação de datas para tudo, visando acomodar as premissas da interpretação. Numa linguagem simples, essa corrente entende que, no Apocalipse, tudo é passado (pretérito). Entretanto, as profecias bíblicas sobre o fim dos tempos indicam que diversos eventos escatológicos ainda não se cumpriram, como o Arrebatamento da Igreja (Mt 24:44; 1Ts 4:17), a Grande Tribulação ou "a hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo" (Ap 3:10), a vinda de Cristo em glória (Mt 16:27; Ap 1:7), o Julgamento das nações (Mt 25:31-46), o Milênio (Ap 20:2-5) ....
4. Simbolista. A interpretação simbolista (ou idealista) tira o elemento temporal da profecia apocalíptica. Segundo o pr. Elinaldo Renovato de Lima (1), no simbolismo tudo é "espiritualizado", tudo é simbólico; nada é histórico nem profético, mas apenas uma alegoria da luta entre o bem e o mal. É uma interpretação racionalista, que nega o sobrenatural e exalta apenas o homem. Como derivado dessa corrente, existe o ensino amilenista, ou amilenialista, segundo o qual não haverá um período literal de mil anos para o reinado de Cristo. Seus defensores afirmam que, "em momento algum, Jesus irá reinar sobre a Terra a partir de Jerusalém. O reino de Cristo não é deste mundo, mas Ele reina nos corações do seu povo sobre a Terra. Os mil anos simbolizam a perfeição e a plenitude do tempo que separa as duas vindas de Cristo". E que a igreja está vivendo esse Milênio simbólico, quando, logo após, haverá a ressurreição dos mortos. Todavia, as referências que indicam que o Milênio será literal são abundantes (Ap 20:2-5 e ref.).
Ainda afirma o pr. Elinaldo Renovato, os acontecimentos históricos do século passado e do atual desmentem totalmente a doutrina de que a Igreja está vivenciando o Milênio. As duas guerras mundiais, com milhões de vidas destruídas; o avanço das falsas religiões e das seitas; o aumento da violência e da corrupção; as grandes catástrofes naturais, como terremotos de alta intensidade, ceifando tantas vidas; o aumento da depravação da humanidade, a ponto de superar a pecaminosidade de Sodoma e Gomorra. Tudo isso desmente a teoria de que desde o século passado, estaríamos vivendo o Milênio. As características do Milênio reveladas nas Escrituras são muito diferentes. Diz a Bíblia: "Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar" (Hc 2:14). Isso até aqui não aconteceu. Esse ensino tem tido a aceitação de muitas pessoas, incluindo pastores pentecostais, que antes pregavam a visão da vinda literal de Cristo à Terra.
Dentre os simbolistas há os pós-milenistas, que veem o Milénio como uma extensão do período atual da Igreja. Ensinam que o poder do evangelho ganhará todo o mundo para Cristo, e a Igreja assumirá o controle dos reinos seculares. Após isso, haverá a ressurreição e o julgamento geral tanto do justo como do ímpio, seguido pelo reinado eterno no novo céu e na nova terra. Os textos bíblicos, porém, indicam uma ordem diferente dos acontecimentos escatológicos. A ressurreição dos mortos salvos ocorrerá na vinda de Cristo. Paulo teve a revelação de Deus em relação à ressurreição dos crentes salvos, e da transformação dos que estiverem vivos na vinda de Jesus. No texto a seguir, não vemos hipótese para ser uma profecia simbólica, e, sim, literal e realista quanto à volta de Cristo: a ressurreição e o arrebatamento dos salvos.
“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4.13-17).
Uma leitura cuidadosa do texto citado toma por base o fato da ressurreição de Cristo, que não foi simbólico, mas literal, testemunhado por centenas de pessoas e registrado nas páginas dos Evangelhos. Paulo diz que, da mesma forma, os que estão mortos ("em Jesus dormem") serão ressuscitados por Deus. E acrescenta que "os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor não precederemos os que dormem", e que, naquele momento glorioso para a igreja, "os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro". Isso não tem nada a ver com simbolismo. A linguagem, aí, só é figurada ou simbólica, no que respeita ao estado de morte, ou "estado intermediário", em que o apóstolo usa a metáfora do sono ("os que dormem"). No mais, a literalidade é tão clara como a luz de um dia de verão.
Completando seu precioso ensino acerca do arrebatamento da igreja, Paulo diz que os que estiveram vivos, por ocasião da volta de Cristo, serão "arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares". Somente uma interpretação equivocada ou tendenciosa pode vislumbrar simbolismo onde não há a menor margem para tal entendimento.
Na ascensão de Jesus, em Betânia, ele reunira seus discípulos e, diante de todos, literalmente, venceu a gravidade, em seu corpo glorificado, e subiu ao Céu à vista deles. Diz o texto de Atos: "E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir" (At 1.9,11). Jesus vai voltar, disseram os mensageiros celestiais, "assim como para o céu o vistes ir". Ou seja, da mesma forma, sobrenatural, literal, visível, de forma incontestável (Elinaldo Renovato de Lima. O Final de Todas as Coisas. pp.16-18).
CONCLUSÃO
Percebe-se que o estudo da Doutrina das Últimas Coisas é difícil e exige muito cuidado por parte dos professores e alunos da Escola Bíblica Dominical. Não nos deixemos perturbar pelas correntes equivocadas e mal-intencionadas de interpretação das profecias, pelos que, mesmo entre nós, comecem a esmorecer e a desacreditar da volta do Senhor, passando a buscar as coisas desta vida, mesmo em nome de sua religiosidade, mesmo em nome de Cristo. Nunca percamos de vista que a razão de ser da nossa fé é a vida eterna, é o convívio para sempre com nosso Senhor nas mansões celestiais. Vigiemos e, juntamente com o Espírito Santo, que nosso profundo desejo da alma seja dizer: “Ora vem Senhor Jesus!”.
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Ev. Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards
Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.
Um ensino necessário e confortador - Dr. Caramuru Afonso Francisco. Portal EBD_2004.
Joel Leitão de Melo - Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.
Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.
Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.
(1) Elinaldo Renovato de lima. O Final de todas as Coisas – Esperança e Glória para os Salvos. CPAD.
 
 
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